Angélico e a vertigem da velocidade

Que me lembre, é pelo menos o segundo caso de estrelas dos «Morangos com Açúcar» que acaba mal. Há uns anos, foi o «Dino» da terceira temporada da série, o jovem Francisco Adam. Agora, Sandro Milton Vieira Angélico, ou melhor, Angélico Vieira.
Compreendo que um jovem que de repente é famoso lide mal com tudo o que a fama lhe traz. Primeiro vem a exposição pública e, por arrastamento, o dinheiro, as raparigas, os carros. E há que experimentar de tudo porque é agora que somos jovens.
Sempre percebi mal a atracção que os carros exercem sobre jovens e menos jovens. Tive o meu primeiro carro depois dos 30 anos, conduzo porque tem de ser, numa conversa sobre o assunto desligo de imediato. Se ganhasse o Euromilhões, um carro seria a última coisa que pensaria em comprar.
Apesar disto tudo, compreendo que seja assim e se calhar eu é que estou errado. No caso de Angélico, o que me faz confusão é que ele já não é tão jovem assim, nem em idade nem na fama. Por isso, pegar por empréstimo um carro com aquela cilindrada, sem seguro, e fazer-se à noite sem pensar sequer em usar o cinto de segurança ultrapassa todos os limites do bom-senso. Os mesmos limites, mas de velocidade, que terão levado a que o pneu rebentasse em pela auto-estrada.
Como há pouco dizia Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, era bom que os jovens que ainda não conduzem vissem, pelos seus ídolos, que a vida não é tão cor-de-rosa como toda a sociedade nos quer fazer crer. Angélico, infelizmente, aprendeu-o da pior maneira.

Estive com a selecção no parque…

E confirmei várias certezas e outras tantas incertezas, conversando com um dos “oficiais ” da comitiva. Como a função do Aventar é, antes de mais, esclarecer, aqui vai :

Certos a jogar : Eduardo, Bruno, Ricardo Carvalho, Deco, Raul e Ronaldo. Estes são a estrutura da equipa.

A jogar em 4x3x3 :

Eduardo

Paulo , Bruno, Ricardo, Duda

Pepe, Pedro Mendes

Deco

Nani ,  Hugo     Ronaldo

A jogar em 4x4x2:

Eduardo

Miguel, Bruno, Ricardo, Coentrão

Raul, Pepe, Deco, Simão

Liedson e Ronaldo

Com o 4x3x3 ,jogaremos quando for necessário arriscar, por exemplo correr atrás do prejuízo. Com o 4x4x2, jogaremos sempre de ínicio, o que faz que o Nani fique no banco, ele que é o jogador em melhor forma.Uma hipótese é metê-lo no lugar do Liedson, já que está habituado a jogar com o Ronaldo, jogaríamos sem ponta de lança e apostando na velocidade e versatilidade.

Outra hipótese é no meio campo, meter o Raul no lugar do Pepe ou do Pedro, dando largas às movimentações e ao ritmo elevado do Raúl, para além da capacidade goleadora. Quem vai ser utilizado muitas vezes, devido à velocidade, vai ser o Dany

Há muito que mora no meu coração o pânico quando joga a selecção, mas não me livro dele. Desta vez é com o Eduardo, como seria com o Beto ou outro, não temos um grande guarda redes.

Bem os aconselhei, a naturalizar, seria o Helton, mas ninguem me deu ouvidos. Sofre coração, sofre…

Impunidade e justiça

Ele não morreu nem matou ninguém. Do mal o menos. Atrás de mim, ele esbracejava como um possesso. Mesmo sem nada ouvir, eu não tenho dificuldade em traduzir as palavras que esses gestos significavam: anda p’ra frente , lesma, mexe-te filha da puta, ó velho do caralho! O carro vinha mesmo em cima do meu, ameaçando, já não digo abalroar-me, mas tocar-me. Seguia pela marginal do Douro, do Freixo a Entre-os-Rios, estrada com muitas curvas e quase sempre com traço contínuo.
Sessenta, setenta era a velocidade do meu carro, velocidade legal e perfeitamente adequada ao trajecto. Acima desse valor tornava-se não só ilegal como perigosa. O gajo queria passar sem mal nem morte, e só não o fazia, mesmo nas curvas e no risco contínuo, porque a fila de carros em sentido contrário tornava a manobra impossível. Então, o bode expiatório do seu desespero era eu. Atirava-me com gestos obscenos, e gritos que eu não ouvia, perfeitamente condizentes com o fácies de atrasado mental que eu conseguia enxergar pelo retrovisor. [Read more…]

A distância e o tempo

É comum encontrar-se cartazes de publicidade (agora chamam-se “outdoors”) a anunciar, por exemplo, que certo hipermercado ou certo centro comercial fica a “x” minutos.

Antigamente, as distâncias eram anunciadas em metros ou quilómetros. Agora, são em minutos. E compreende-se: á medida que a evolução tecnológica avança, as distâncias diminuem, logo o que vai contando cada vez mais é o tempo que se gasta.

Hoje falar com alguem que está do outro lado do mundo, com imagem em tempo real é mais do que normal. Ou gravar centenas de músicas num só pequeno suporte. Ou deslocarmo-nos fisicamente com todo o conforto entre pontos distantes.

O que nos interessa, mesmo, é saber quanto tempo demora a fazer a ligação, a gravação, ou a deslocação. O que interessa é o tempo que nos consome.

Será mister – no sentido de forçoso e não no sentido inglês do termo – um dia calcular-se se andaremos a investir bem esses fragmentos de tempo que se vão poupando. Em que medida essas poupanças de escala no nosso tempo têm sido aproveitada por nós, ou se estão a ser aproveitadas pelos outros.

É que á medida que vamos tendo cada vez mais sofisticadas gerigonças (agora chama-se “gadgets”) para nos poupar tempo, este vai mingando. O normal é ouvir-se da boca de quem tem Internet, iPhone e outros brinquedos, a contemporânea frase “Não tenho tempo para nada!”.

Dificilmente tiramos para nós, e para os nossos, o tempo daqueles fragmentos que vamos poupando, porque nos vai sendo exigido fazer cada vez mais em cada vez menos tempo. Porque é para isso que está orientada a evolução tecnológica: para sermos cada vez mais rápidos. Numa nova espécie de escravatura, que deita por terra mais uma das utopias da industrialização: a máquina libertará o homem.

Pelo contrário, parece, sim, que a crescente velocidade com que nos movemos, mesmo que virtualmente, é proporcionalmente igual ao tempo que afinal vamos perdendo. Porque o tempo que temos é cada vez menos nosso e cada vez mais dos outros. E no entanto, vai-se ficando cada vez mais distante daquilo que nos é próximo.

(Publicado no semanário famalicense “Opinião Pública”, em 23/12/2009)