Impunidade e justiça

Ele não morreu nem matou ninguém. Do mal o menos. Atrás de mim, ele esbracejava como um possesso. Mesmo sem nada ouvir, eu não tenho dificuldade em traduzir as palavras que esses gestos significavam: anda p’ra frente , lesma, mexe-te filha da puta, ó velho do caralho! O carro vinha mesmo em cima do meu, ameaçando, já não digo abalroar-me, mas tocar-me. Seguia pela marginal do Douro, do Freixo a Entre-os-Rios, estrada com muitas curvas e quase sempre com traço contínuo.
Sessenta, setenta era a velocidade do meu carro, velocidade legal e perfeitamente adequada ao trajecto. Acima desse valor tornava-se não só ilegal como perigosa. O gajo queria passar sem mal nem morte, e só não o fazia, mesmo nas curvas e no risco contínuo, porque a fila de carros em sentido contrário tornava a manobra impossível. Então, o bode expiatório do seu desespero era eu. Atirava-me com gestos obscenos, e gritos que eu não ouvia, perfeitamente condizentes com o fácies de atrasado mental que eu conseguia enxergar pelo retrovisor. [Read more…]

Escola : exemplo de incapacidade

Hoje mesmo num lanche em casa do meu afilhado, a mulher que é professora contou o que se está a passar directamente com ela. Um dos seus alunos, já acompanhado por um psicólogo há algum tempo, deixou à mãe uma carta a dizer que não suporta escola e que se vai suicidar. É vítima de um colega que perante as risadas de um determinado grupo, o espanca sempre que o vê.

Pode ser um caso de mimetismo mas um índicio destes nunca se pode analizar com ligeireza. A Tereza chamou o Director e em presença da mãe do aluno, informou-o do que se estava a passar. Num caso destes a primeira coisa a fazer é quebrar o vínculo físico, isto é, arranjar forma de os dois alunos não se encontrarem. Se não for possível com ambos a frequentar a escola então, o agressor, deve abandonar a escola até que uma solução seja encontrada. Logo vieram os do costume que isso ía prejudicar a vítima porque o agressor vingava-se. Então? Formar uma comissão para analisar o assunto!

E no centro das preocupações deixou de estar o aluno para estar a tal comissão, que enquanto não se forma (terá senhas de presença?), analisa e decide o que vai fazer, enquanto o pobre do aluno vai ter que esperar para ver se suicida ou não!

É isto que falta nas escolas, todos arrumam para o lado, não há uma hierarquia decisória, alguem que devidamente assessorado possa tomar medidas disciplinares e se responsabilize pelo problema. Pois se são todos iguais, pois se são democraticamente eleitos, podem lá tomar decisões? E se as decisões não acolherem a simpatia dos seus iguais?

Perde o lugarzinho! E o aluno, a vítima? Muda de escola ou fica em casa porque o energúmeno tem todas as garantias que nada lhe acontece. Mais ou menos como os ladrões presos em flagantre e presentes ao juiz. Saem sem acusação nenhuma!

Os polícias bem se queixam que não vale a pena! Os professores não, acham que assim é que está bem!

Isto está a passar das marcas

Na Sabado, o Gonçalo Bordalo Pinheiro  ( transcrição livre )

 

"Isto está a passar das marcas" diz Sócrates. "Isto" é um processo de corrupção que está ser investigado e que envolve vários socialistas e um grande amigo, Armando Vara. "Isto" são os meses a fio em terá sido escutado sem autorização do Supremo. "Isto" é o facto de não ser arguido e ter visto as suas conversas privadas transcritas. "Isto" é a impunidade com que se persegue o primeiro-ministro.

 

No entanto, antes do linchamento dos procuradores e dos juízes, responsáveis por mais uma campanha negra, valeria a pena esclarecer algumas das queixas de José Sócrates.

 

Em primeiro lugar ele não foi envolvido nas escutas. Envolveu-se ao manter uma relação com um suspeito de corrupção. Em segundo, ele não foi escutado meses a fio – quem foi escutado foi Armando Vara, Sócrates aparece nas escutas por falar regularmente com alguem suspeito de participar numa "rede tentacular ".                                                 

 

Em terceiro, as suas conversas privadas não foram transcritas – o que foi transcrito foram as conversas que um juiz considerou indiciarem um crime. Finalmente, isto não é outra perseguição – é mais um caso judicial em que o nome de Sócrates aparece envolvido e em que a sua conduta é questionável.

 

Isto, sim, começa a passar todas as marcas!