O povo

(adao cruz)

Eu não acredito no povo, ou melhor, eu não acredito na maior parte do povo, ou melhor, eu não acredito politicamente no povo português.

Se não, vejamos o que se vai passar nas próximas eleições.

De certeza que não vão ser como as do Brasil, da Venezuela ou da Bolívia.

No dia de finados estive no cemitério em curta romagem à campa de meus pais.

Um imenso lençol de mortos jazia debaixo da terra, e um imenso mar de vivos (ou não seremos todos mortos-vivos?) deambulava à flor da terra. Os de baixo expiraram. Nós, os de cima, ainda inspiramos alguma coisa, mas não sabemos respirar, asfixiados que estamos pelo garrote do poder e pelo incenso da Igreja.

Por isso eu não acredito no povo.

Se não, vejamos o que se vai passar nas próximas eleições.

O povo, em vez de abrir a janela de par em par para respirar ar puro, vai pedir novamente a máscara de oxigénio.

O país está infestado de ratos. Os ratos roeram tudo, os ratos roeram o país, os ratos deixaram o país feito em buracos. Mil e tal milhões de buracos, sessenta milhões de buracos, trinta milhões de buracos, vinte milhões de buracos, dez milhões de buracos… Os ratos comeram tudo e também os olhos do povo, e o povo, cego, tem um frasco de raticida na mão, mas em vez de o atirar para cima dos ratos deita-o pela retrete abaixo.

Por isso eu não acredito no povo.

Se não, vejamos o que vai acontecer nas próximas eleições, dia em que o povo dirá, alto e bom som: são tão macios e puros, os ratos! Venham de novo os ratos, os nossos abençoados salvadores!

O país cheira mal que tolhe. Cheira a fraude, cheira a queimado, cheira a corrupção por todo o lado. Tudo o que é direita infecta e dejecta. Quando ao fim de quatro anos a fossa está cheia, a “democracia” pede ao povo para a despejar, e o povo, em vez de a lavar bem lavada e encher de água limpa, oferece-a de mão beijada a uma nova equipa de cagadores.

Por isso eu não acredito no povo.

Se não vejamos o que se irá passar nas próximas eleições. O povo, em vez de lhes atirar com a merda à cara, varre-a para debaixo do tapete e com o ar mais cândido diz: não é merda senhor, são rosas!

Os que antecederam Cavaco, desenraizado personagem de divina comédia,  nada-tudo-nada deste pobre país, ( vide artigo de Batista Bastos, os tristes dias do nosso infortúnio) andaram por aí, por essa Europa, a tentar descobrir o melhor local para espalhar um cemitério. Cavaco adiantou-se como coveiro, começou a abrir a cova para enterrar Portugal, e os seus ”boys” carregaram o caixão às costas, alternando com os “boys” do PS. E o povo ingénuo, sempre a pensar que ia numa procissão do Senhor dos Passos, com a Igreja à frente aspergindo água benta!!!

Por isso eu não acredito no povo.

Se não, vejamos o que vai acontecer nas próximas eleições, quando o povo clamar solenemente, frente ao mesmo ecran do Preço Certo: Ámen! Deo Gratias! Gloria in Excelsis Deo!

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