a vida eterna prometida a Portugal

raio de luz que nos diverte mas não nos salva da pobreza prometida

Foi o que os nossos governantes nos prometeram. Tenho a impressão que é necessário refrescar-lhes a memória. O Orçamento de Estado, nunca mais é aprovado, a divida, muito provavelmente a ser comprada pela China, o FMI que um destes dias ainda nos invade a casa, um fundo europeu, que deve auxiliar tantos, sem conseguir entrar nos nossos cofres. Que tristeza! Não é apenas Portugal que está em crise financeira, é a União Europeia toda, que nem pode socorrer-se dos EUA, por estes também estarem a bordo da falência. Os cidadãos norte-americanos, os reis do mundo! O País Rei de toda a humanidade.

Mas, afinal a que cofres vão parar os lucros da mais-valia universal? Aos bolsos das pessoas a quem depositamos a nossa soberania, ou a negócios lucrativos dos mais ricos dos países em questão?

Não são os livros, nem as pinturas, nem as palavras: é a concepção de um caminho com ideias novas, para todos e de todos por igual. Como já estava prometido. Foi um excelente paradoxo da História, se Marcel Mauss e Émile Durkheim fossem socialistas mencheviques, como tenho referido (de Marcel Mauss) noutros textos, essa minoria a respeitar a luta de classes, a aceitar sermos humanos tal como definido em 1788 com base nas ideias de Babeuf. Paradoxo, porque analisavam, pensavam, entendiam e, seguidamente, emitiam o seu julgamento sobre um país falido, como a Rússia desses tempos. Se observassem os nossos países de hoje, rebelar-se-iam, como o

fizeram no seu tempo com Gambetta, que enganava a Itália com o seu socialismo que lhe rendia lucro pessoal e com os Romanov, família real que abençoava o povo e, simultaneamente, o mandava para a guerra ou para a produção, para que este, enquanto morria à fome, entesourasse o lucro nas suas arcas pessoais… esses declarados Santos pela Igreja Ortodoxa russa… e que nos tempos das suas cronologias, eram pessoas pias…

Donde, quem nos governa: uma economia mal gerida, a falta de investimento, as lutas ideológicas entre dois partidos maioritários perante essa pequena esquerda, toda dividida em blocos, partidos que se aconselham um ao outro após debates de um nunca acabar entre eles na nossa Assembleia? Porque darão conselhos se, à mínima palavra dita de forma enganada, se afastam outra vez? Quem será que nos governa? É como o jogo do rato e do gato, ou conforme sopre o vento. Depositamos a nossa soberania em pessoas que não entendem o povo: nunca viveram entre ele, como um cidadão normal, como fazemos nós os cientistas para entendermos as mentes das pessoas que estudamos. Apenas nos enviam para a vida eterna: esta vida está viciada e não conseguem extorquir mais bens pelo que elevam os impostos, aditam novas taxas obrigando-nos a trabalhar em dois ou três empregos, para sustentar a família.

Não é medo, nem angústia. Não é mito. A vida eterna existe, como acreditam os castos pios da assembleia. Foi inventada por eles e aceite por nós para, como diz a minha co-autora Ana Paula Vieira da Silva, se conseguir ultrapassar a mortalidade. Ou, como já referi em inúmeros textos: sabermos que quando o nosso dia chegar vamos embora. Pelo que a vida pobre não interessa, é tão curta! O surpreendente é terem ido todos juntos, com poucas horas de diferença, essa parte da História que fugiu de nós e, embora a queiramos agarrar, os imensos anos, a obra, a confiança na vida, a não procura do bem pessoal, a pobreza aceite e a luta contra a exploração, factos que juntarão três seres dentro do mesmo mito. Mito para guardar e ter sempre connosco. O primeiro, a governar sem experiência, um País habituado a ser filho de um pretenso pai ou Ditador. Como se legisla? Como se democratiza? Como se hierarquiza?

Um segundo, escondido dum pai que nunca o quis ver obrigando-o a fugir juntamente com a mãe para terras desconhecidas, desde o seu cantinho no fundo de uma Serra, esse que soube ultrapassar a sua profunda tristeza com as mais belas palavras escritas em textos que percorrem o mundo. Ser que já não era pessoa, era poesia.

Um terceiro, que nos libertou. A vitória do lutador que, sem medo nenhum, passou a vida exilado da parte mais importante da família, a mãe, encerrado em prisões por não ter dinheiro para comprar o seu alimento, como nos diz o orçamento de estado para 2011, retirado, não sem lutas, do seu mais importante direito, o da liberdade de opção pelo triunfo das próprias ideias, individuais e colectivas. Um ser que, para avançar nesta vida de castigo, soube bater, negociar, nunca falar dele, guardar o seu para si, criar uma vida paralela de artista para compensar a perseguição sem motivo que os exploradores do mundo, hoje mais do que antes, fizeram dele e do povo que amava. Esse povo que ficou habituado à sua imortalidade. Esse povo que ouviu a organização de liberdade e, em silêncio, obedeceu. Esse povo que andou todas as avenidas que o artista desenhou. Sendo o artista os nossos soberanos.

Não são os livros, nem as pinturas, nem as palavras: é a concepção de um caminho com ideias novas, para todos e de todos por igual. Como já estava prometido. É pena serem socialistas não mencheviques os que nos governam (como Marcel Mauss e Émile Durheim), socialistas fortes e nada destemidos, interessados nos seus próprios assuntos, a sociedade, como os membros da nossa Duma, designada Assembleia da República, essa minoria a respeitar a luta de classes, a aceitar sermos humanos já definidos em 1788 com base nas ideias de Babeuf.

 Muito se tem dito. Agora, é preciso contá-lo às crianças com palavras simples e factuais. Confiança, companheiros! Estamos a partilhar uma Vida Eterna na Obra que ofereceram ao nosso País e ao Mundo: o TGV, os submarinos, o endividamento hipotético aos chineses, ao FMI. Apenas por estética, confiança, teimosia, desenhos do real que nenhum de nós é capaz de pensar, há excepção desses três que conhecemos a apoiarem com Glória e Louvor o que a Nação tem sabido dar.

A vida eterna prometida deve ser uma realidade para quem manda, e, necessariamente, para quem obedece. Sem vida eterna, a sumida pobreza que nos colocam à frente era impossível de aceitar. É por isto, que noutro texto meu denomino Portugal um país fatimizado: a pobreza cria santos a que nos agarramos, para nos defendermos dos factos legais dos que pensávamos serem nossos protectores.

A minha esperança está nesse 24 de Novembro, em que a água e o azeite se  juntarão para uma caldeirada de protestos e amedrontar os Senhores do Poder e da Glória. Estamos à beira de uma guerra civil. Bem-haja!

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