Sir Reginald Archibald Radcliffe-Brown- Pai fundador da Antropologia-3

Estou certo de já ter publicado sobre o Antropólogo funcionalista, que dá título a este texto. No entanto, nunca dentro da minha nova colecção Pais Fundadores da Antropologia, pelo que, vamos a isso.

Nikos PoulantzasGeorge Murdoch ,Kinglsey Davis, Wilbert Moore,  Jeffrey Alexander, G. A. Cohen, Herbert J. Gans e Pierre Bourdieu. Fonte: textos dos autores mencionados com as palavras da wikipédia, aqui.

É a metodologia usada por Radcliffe-Brown na recolha de dados para escrever os seus textos que passo a analisar. Metodologia que começou a utilizar na sua pesquisa entre os Ilhéus do arquipélago Andaman da Birmânia, entre 1906 e 1908, como estudante do fundo Anthony Wilkin em Etnologia da Universidade de Cambridge da Grã-Bretanha. Tendo como objectivo ser membro do Trinity College da Universidade, para se graduar em Etnologia, com a colaboração do então Doutor em Etnologia (anteriormente fora biólogo), Alfred Cort Haddon (1855-1940), leitor na Universidade de Cambridge e membro da Faculdade Christ’s College desde 1900, e de William Halse Rivers Rivers, da Faculdade St John’s College, English anthropologist, neurologist, ethnologist e psychiatrist, este antigo estudante de medicina converteu-se em Etnólogo, com formação em psicanálise. O nosso autor estudou os Andaman na época em que Etnólogos e Arqueólogos analisavam as suas instituições e costumes. Não foi em vão que William Rivers organizara uma expedição ao Estreito de Torres para compilar dados de como éramos antes de ser o que hoje somos. O Estreito de Torres é uma larga savana da água, entre a Australia e as Ilhas Melanésicas ou Melanesian island de New Guinea. Com um comprimento de 150 km (quase 93 milhas marítimas), limita, ao Sul, com a Cape York Peninsula, o extremo mais ao norte continental do Estado Australian de Queensland. Ao norte o seu limite é Western Province do Estado Independente de Papua New Guinea. Sítio do estudo de Radcliffe – Brown, por iniciativa de Haddon, para estudar as instituições e a sua gestão. Rivers era necessário por causa de ser psicanalista, Seligaman, patologista, um professor primário para entender como eram ensinadas as crianças, Sidney Ray e o jovem estudante de 1890, Anthony Wilkin, para fotografar espécies raras. Esta viagem ao Estreito de Torres marcou uma ponta de viragem na ciência antropológica. Era a primeira vez que académicos iam ao terreno. O que pensavam encontrar, não existia. Era bem mais complicado: formas de matrimónio, significado de palavras, compromissos, organização social e outras funções de interacção bem mais complexas do que era esperado. Motivo que animou Radcliffe-Brown a estudar as funções sociais que eles não conseguiram entender com o seu saber ocidental. Com as pesquisas e descobertas de Radcliffe-Brown, todos os formados em patologia, zoologia e ciências da educação, passaram a ser antropólogos, após as explicações do nosso autor. A primeira ideia de Radcliffe-Brown foi distinguir entre significado e função. Significado era o conteúdo de uma Função social. Os académicos antigos, estudavam as narrativas do mito sem entrarem pelo seu significado. Significado que Sir Archibald soube explicar no seu texto a função do mito, por exemplo. O significado é o conteúdo do facto. Há palavras que falam por elas próprias, como essa por ele explicada, da Polinésia, Tapu, traduzida para inglês como Taboo, encontrada nas suas pesquisa na ilha Manus, explicando-a na sua lição Frazer de 1939, impressa pela Cambridge University Press nesse mesmo ano: em todas as sociedades há comportamentos permitidos e outros proibidos e punidos. A punição não é apenas como no ocidente, onde está estabelecido que tabus são proibições para relações sexuais entre parentes consanguíneos, entre outras. Palavra introduzida da polinésia, que significa, principalmente, a quebra de regras sociais, a desobediência a um chefe, punição de crianças para não se intrometerem em ideias e matérias definidas como o saber dos adultos.

De tudo o que Radcliffe-Brown encontrara no seu trabalho de campo, há três ideias centrais: usar o conceito de função social defendido por Durkheim e que ele adaptou na Antropologia: Influenciado fortemente pelo trabalho de Émile Durkheim, redefiniu o seu campo de investigação como a análise das sociedades primitivas, dando uma nova orientação a formas de estudar essas sociedades generalizando as estruturas sóciais estudadas. O seu método passou a ser denominado estrutural funcionalismo. Entendeu que existiam instituições básicas para manter a social order de uma sociedade, criando uma analogia entre o corpo humano e o corpo social. Os seus estudos da função social examina como os costumes colaboram para manter a estabilidade de uma sociedade. Radcliffe-Brown tem sido sempre associado ao functionalism, sendo considerado por vários como o fundador do structural functionalism, usado por muitos académicos. Contudo, Radcliffe-Brown negava veementemente o facto de procurar que um comportamento depende de outro, quer dizer, de ser funcionalista, distinguindo cuidadosamente o seu conceito de função do usado por Malinowski. Para ele, as práticas sociais podiam ser explicadas pelas suas próprias capacidades de satisfazer as necessidades biológicas. Para Radcliffe-Brown argumento malinowskiano carecia de fundamento. Influenciado pelo argumento filosófico de Alfred North Whitehead, demonstrou que as unidades básicas da antropologia eram processos humanos em que se misturavam processos da vida biológica humana individual com interacções sociais de grupo. Por definição, esta combinação biológica individual era um fluxo permanente para a estabilidade social. Porque, perguntava-se o primeiro autor, algumas práticas sociais se repetiam constantemente, até ficarem como um comportamento fixo? A prova parece estar no seu livro de 1952 Estrutura e Função nas Sociedades Primitivas. Em formato de papel, 1952, Edições 70, Lisboa, comentado em: http://scholar.google.pt/scholar?q=Radcliffe-+Brown+Estrutura+e+Fun%C3%A7%C3%A3o+nas+Sociedades+Primitivas.+Ensaios+e+Entrevistas&hl=pt-PT&um=1&ie=UTF-8&oi=scholart. O livro original é denominado Structure and Function in Primitives Societies. Esays and Addresses, 1952, Cohen and West, Londres, especialmente o Capítulo I The mother’s brother in South Africa,, como uma forma de conjuntura de reprodução social. Pode ser lido em: http://classiques.uqac.ca/classiques/radcliffe_brown/radcliffe_brown.html ou em francês em: http://www.uqac.uquebec.ca/zone30/Classiques_des_sciences_sociales/index.html. O livro é póstumo, com prefácio de Evans-Pritchard. Há versão luso-brasileira, Edições 70, 1985. Quanto ao ensaio que introduz o livro, traduzido como O Irmão da Mãe de um Homem em África do Sul, pp. 29-52, pode ser lido em língua inglesa.

Todos os livros citados a seguir são análises de factos resultantes da sua investigação, usando os conceitos da sua teoria estrutural funcionalista: significado e função. Estes conceitos foram criados a partir não apenas de influência de Durkheim, bem como do filósofo matemático Alfred North Whitehead. Este académico (Ramsgate, Kent, 15 de Fevereiro de 1861Cambridge, Massachusetts, 30 de Dezembro de 1947) foi um filósofo e matemático britânico e um renomeado pesquisador na área da Filosofia da Ciência, principalmente no que diz respeito aos fundamentos da Matemática. Juntamente com Bertrand Russell, escreveu Principia Mathematica. Desenvolveu a chamada Teologia do Processo, designada também como Teologia Neoclássica. Os seus postulados são abertos e simples, baseados na função natural do significado dos factos sociais ou do propósito ou objectivos dos mesmos. Estas duas definições, usadas por Radcliffe-Brown nos seus estudos de grupos sociais, derivam dos seguintes postulados de Whitehead: Deus não é omnipotente no sentido de ser coercivo. A realidade não é feita de substâncias materiais, mas por eventos ordenados por uma série, que são experimentais na natureza. O universo é caracterizado pelo processo e mudança, carregado pelos agentes do livre-arbítrio ou auto-determinação que tudo caracteriza, e não apenas seres humanos. Deus não pode forçar nada a acontecer, apenas exercer o seu livre-arbítrio, dando novas possibilidades. Deus contém o universo, mas não é idêntico a ele (panteísmo). Por Deus conter o universo, este está em mudança, Deus muda, é afectado por aquilo que acontece no universo. O Teísmo dipolar, a ideia de que um Deus perfeito não pode ser limitado por certas características. Em relação à vida após a morte, há divergências entre as ideias sobre se as pessoas experimentam uma experiência subjectiva, ou uma experiência objectiva. Estas ideias não apenas influenciaram a teoria do nosso académico sob escrutínio, como também foram usadas para a análise que aparece nos seus livros, nomeadamente nos Ilhéus de Andaman. O índice do livro diz tudo: Organização Social; Costumes Cerimoniais; Crenças Religiosas e Mágicas; Mitos e Legendas; Interpretação das Cerimónias, dos Mitos e das Lendas e A cultura Técnica. É possível advertir uma certa insistência na análise do teísmo Andaman e o significado dos seus rituais, que aparecem definidos como uma divindade, o todo, a universalidade dos seres. Não é apenas histórias de vida, formas e tecnologias de trabalho, hierarquias e genealogias. O nosso autor, desde o começo das suas análises, entra de imediato no miolo do pensamento, apresentando-nos um agir materialista: a divindade não está fora da terra nem está em todos os sítios: está aí, entre os seres humanos. É a influência de Durkheim: a divindade e a igreja é o conglomerado de seres humanos que interagem e definem as suas teorias de interacção criando uma história da sua procedência e do seu destino, que nós chamamos mito, e nada é feito se antes não é sacralizado ou sagrado com magia e criam uma divindade material, ou totem, que protege. Toda esta análise é arguida ao longo do texto.

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