Eu peço desculpa por este creme feito de leite azedo e de gosto amargo mas não sou eu o responsável pelos ingredientes.
Aquilo que se passou naquele lugar que dá pelo nome de Assembleia da República, e deveria chamar-se Assembleia dos Interesses alheios à República, foi uma enfadonha cantilena sem qualquer alma e um despudorado ramalhete de hipocrisia. Até os pobres dos cravos pareciam todos murchos.
Ainda que respeitando e salvaguardando as pessoas honestas e sinceras que lá se encontravam, esta desenraizada cena, esquálida e amarelecida múmia da revolução, sem sangue nem vida, repugna e faz subir à garganta um nó que só consegue desatar-se quando uma lágrima de saudade humedece o canto dos olhos.
Ouvir o Presidente percorrer no seu discurso todo um mundo feito de males e bens, com a escamoteada intenção de branquear os males e redimir-se da grande responsabilidade que teve na génese da miséria que hoje somos, vá que não vá. O que se torna insuportável é ouvi-lo a meter, a martelo e a contragosto, o 25 de Abril aqui e ali, disfarçadamente , para enfeitar as palavras do discurso.
E quase nos apetece dar razão àquele sujeito com ar assim… assim grosso modo, de olhos ramelados pelo ódio, usando o cérebro com a fralda de fora, aquele sujeito com comportamento que parece marginal à linha darwiniana, aquele sujeito com a polícia à perna e que terá deitado mil e tal milhões de todos nós pelo cano abaixo, ou por canos que ninguém sabe onde vão dar, quando chama a estas coisas “folclore abrileiro”.
Claro que não é ao folclore da Assembleia que ele quer chegar. Embora isso o incomode, ele sabe que é uma farsa com a qual até poderia ser tolerante e colaborante, se fosse hipócrita, coisa que, honra lhe seja feita, não é. É facho genuino, embora por vezes use entre dentes e com sorriso provocador, a palavra democracia, que ele sabe não ter na sua boca a minima força para ser levada a sério.
Onde ele quer chegar com o seu “folclore abrileiro” é mesmo às comemorações autênticas e verdadeiras, à pureza e ao cerne das comemorações do 25 de Abril, mas todos sabemos que isso não passa de uma daquelas tiradas genuinamente fascistas que desde há muitos anos lhe entopem a garganta.
Mas o 25 de Abril é grande de mais para almas tão pequenas







“Esse” 25 de Abril, foi há 38 anos. Poucos se lembram.
O “nosso” Primeiro de Maio em Liberdade, foi há 38 anos? Quem o recorda?
Houve abraços, grandes juras de união e amizade. Todos eram amigos, camaradas.
Não foi o seu leite creme que azedou. Foi o País que apodreceu.
Maria
Lembro eu – foi lindo – os abutres tomaram conta da ingenuidade nacional e da felicidade colectiva – e ainda se pagam fortunas a esses descarados – quando forem postos na rua serão os mais desgraçados do mundo – já são