Ainda o 25 de Abril

Foi bonita a festa do 25 de Abril na rua, 43 anos após o acto de bravura lúcida e competente daqueles combatentes a quem tanto devemos. Mas comemorar não é só olhar para o passado com gratidão comovida. Comemorar é reavivar os ideais que sustentaram aquele acto; comemorar é inspirarmo-nos na sua força para lutarmos HOJE contra os cordelinhos subreptícios que nos reduzem a marionetas – de forma mais subtil, é certo, mas não menos eficaz. Comemorar é deixarmos o sofá, é solidarizarmo-nos, é abraçarmos causas cívicas, é informarmo-nos. É olharmos com olhos de ver para aquilo que consumimos e comprarmos com consciência. É interessarmo-nos pelos salários dos que nos servem, é combater injustiças, é tomarmos posições solidárias. Comemorar o 25 de Abril é darmos as mãos como sujeitos atentos e elevar um bocadinho mais alto a fasquia do cuidar da nossa vidinha. Comemorar o 25 de Abril é, hoje como ontem, estar do lado certo, contra os tubarões.

Comemorações da hipocrisia

  (adão cruz)

 

Eu peço desculpa por este creme feito de leite azedo e de gosto amargo mas não sou eu o responsável pelos ingredientes.

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Contar Abril

É também viver Abril.

 

O Tesouro” de Manuel António Pina é uma das melhores formas de levar Abril aos mais pequenos.

“Nem sequer podiam beber Coca-Cola, porque a Coca-Cola também era (ninguém sabia porquê) proibida!”

Onde é que estavas no 25 de Abril (de 2011)?

No Parlamento não estiveste, seguramente.

Vida de cravo

cravos 25 abril

Cerimónia do 25 de Abril cancelada no Parlamento

Não Sabem O Que São Sacrifícios

Desde há trinta e cinco anos que a abundância chegou às nossas casas. Só quem viveu durante anos nos anos anteriores a 1974, pode saber do que estou a falar.
Os ordenados eram baixos, as ferramentas existentes para enfrentar a vida eram escassas, o espírito de sacrifício geral era enorme.
Quem tivesse tido a sorte e o engenho (porque só os melhores de entre os que tinham tido essa hipótese o conseguiam) de chegar a ter um curso superior, atingindo o patamar de ‘licenciado’, sabia que esse era o momento imediatamente anterior ao patamar de ‘estar empregado’. Nos dias de hoje, os dias em que existe uma overdose de qualificações, nos dias em que todos são doutores, essa relação já não existe. Banalizou-se o facto de se ser licenciado, havendo quem possua uma licenciatura mas não tenha as qualificações certas ou mais adequadas ao que o mercado necessita. Há cursos superiores para tudo e mais alguma coisa, mas não há mercado de trabalho correspondente. [Read more…]

Aguardam a Sua Chegada na Brumosa Manhã Portuguesa

É um Portugal nebuloso o que temos hoje em dia, cheio de secretas esperanças e de cada vez menos valores. Com a revolução, já lá vão uma quantidade de anos, chegou a democracia nas palavras que depressa desapareceu nos actos (se alguma vez chegou a existir neles), chegou alguma modernidade e um moderado desenvolvimento, subiu temporariamente o nível de vida de uns quantos, com todos a passarem a considerar-se aristocratas e, fruto de inúmeros erros, os critérios das escolhas das chefias baseados na competência foram desaparecendo como que por encanto, substituídos pelo laxismo, facilitismo, pelo grupo político predominante e pelo favorecimento económico.

Desde o tempo do poeta Pessoa que os fantasmas povoam o nosso imaginário, se bem que mesmo antes do primeiro quarto do século passado, seja certo que também eles por cá tenham andado. [Read more…]

Como Se Fora Um Conto – 25 de Abril de 1974, o Dia de Todas as Perdas

Amanheceu cedo o dia de todas as perdas.

Amanheceu muito cedo o dia de alguns ganhos.

Dali para a frente, tudo foi feito às avessas.

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Naquele tempo, cumpria o serviço militar, e naquela manhã, estava «desenfiado». Desenfiado era o termo utilizado pelos magalas para definir quem, devendo estar de serviço dentro do quartel ou instituição militar, se encontrava fora, normalmente em casa, a dormir.

Ora na verdade, eu estava desenfiado. Dormia a bom dormir quando, pelas oito da manhã, uma tia me telefona a perguntar o que sabia eu da revolução. Nada, não sabia nada. Se calhar era outra intentona como a de Fevereiro, disse. [Read more…]

Homenagem à mulher portuguesa

Acabo de chegar a casa ainda comovido com o belo expectáculo a que assisti no Coliseu, promovido pela Associação 25 de Abril e a RTP1.

Pelo palco passaram artistas que todos conhecemos, da Maria do Amparo à Maria de Medeiros, do Vitorino ao Fernando Tordo, da Simone ao Carlos do Carmo, os jovens do Chapitô (a Tété deu-me um cravo…) os cantares de Montemor-o-Novo no feminino, Bernardo Sasseti, Carlos Mendes ,Carlos Alberto Moniz, Helena Vieira, José Mário Branco, Lena d’Água, João Pedro Pais, Mafalda Veiga, Manuel Freire, Luisa Basto, Luisa Amaro, Maria Viana, Odete Santos e que me desculpem os que me faltam…

Recordaram-se mulheres corajosas como Maria Lamas, Maria de Lurdes Pintassilgo,  Izabel Aboim Inglês, as três Marias e tantas outras que estiveram na frente na luta contra o pesadelo facista. Os avanços que as mulheres foram obtendo na sua luta pela igualdade, a primeira vez que votaram, logo na Constituinte, que deixaram de ser propriedade do pai ou do marido.

A mulher que logo no dia 25 de Abril vendia cravos na Baixa de Lisboa e se lembrou de os “plantar” no cano das espingardas dos soldados, a duas cadeiras de mim, chorava digna do seu gesto nobre e que ficou para a posteridade.

Estiveram lá os capitães de Abril e o povo de Lisboa e com excepção de um deputado que tambem é capitão de Abril, não estava lá um único político no activo,( a não ser que os não conheça…) embora Mário Soares e Maria Barroso tivessem dito presente.

Abracei o Vasco Lourenço e o Otelo ! 25 de Abril, sempre !