Alunos substituem funcionários das escolas

A quantidade de disparates que configuram esta iniciativa é tão abundante que se torna difícil saber por onde começar. A ideia consiste, basicamente, em colocar grupos de alunos a patrulhar o recreio para “tomar nota do nome dos colegas da escola que apresentam comportamentos inadequados”.

Antes de mais, como lembram os pais que se queixaram, esta actividade retira às crianças patrulhadoras o direito a brincar. Para além disso, são vários os efeitos deformantes que pode ter, nomeadamente ao aumentar a probabilidade de possíveis situações de abuso de poder e ao incentivar à delação.

O Ministério limitou-se a comentar, aconselhando que as escolas envolvam mais os encarregados de educação nos respectivos projectos.

O director do agrupamento suspendeu a actividade nas turmas em que houve queixas, o que configura, aparentemente, um decisor catavento: na realidade, se o projecto é bom, por que razão há-de ser suspenso? O mesmo director referiu a existência de poucas queixas, como se isso provasse fosse o que fosse.

No último parágrafo, o jornal lembra – e bem – que a “patrulha de segurança” foi aprovada pelo Conselho Geral e pelo Conselho Pedagógico.

O que faltaria, ainda, investigar é se as escolas têm ou não funcionários não-docentes em número suficiente. A verdade é que esse é um dos problemas com que todas as escolas se defrontam e que todas as escolas calam. A solução tem passado, entre outras idiotices, pelas chamadas aulas de substituição, usando, no fundo, os professores para desempenhar tarefas que não lhes competem. Quando se chega ao ponto de colocar alunos a vigiar outros alunos, já se ultrapassou o momento em que o país devia reflectir sobre a Escola que quer.

Comments


  1. Parece-me uma excelente ideia. Já estava na hora de começar a formar a futura PIDE.

  2. maria celeste ramos says:

    O que está a suceder ao país desde 1986 + 2008 +++ 2011 + 20112 ??? mas que escalada aqui, e na europa o que será ??

  3. Tiro ao Alvo says:

    Não, vejo grande mal na experiência, que tem paralelo noutros países democráticos. Não devemos começar a acreditar nas pessoas, no caso nos professores e nos directores daquela escola? Será que devemos acabar com os Conselhos, Geral e Pedagógico?
    Criticar é relativamente fácil, fazer bem é quase sempre difícil.

  4. chatice_tuga says:

    Pidesco.

  5. chatice_tuga says:

    Subversão. Mais uma iniciativa como muitos outros movimentos que saltam como pipocas todas as semanas. O sentido é sempre o mesmo a subversão de valores, hábitos e finalmente da Constituição e da noção de Nação.

  6. manuel Pinho says:

    Que ideia tão parva, inserir a ” bufaria ” nos miudos !


  7. Que horror…que se pode esperar da sociedade além da desperação do impossível, quando se pretende, como diz Manuel Pinho, inserir a “bufaria” nos miúdos. De “pardais” tem chorado muito a História.

  8. Jorge Guerreiro says:

    E por ridiculo que possa parecer a decisão do diretor, da Direção Regional e da Inspeção Geral de Educação foi: Ok, os pais que n concordam não têm os filhos a participar no projeto. Como quem diz – não bufam ninguém (mas são fufados pelos outros). E estamos a falar de crianças dos 5 aos 10 anos de idade. Até um Código Deontológico para as Patrulhas de Segurança fizeram.

  9. Jorge Guerreiro says:

    Bufados e não fufados (sorry:))


  10. Havendo lido a tal iniciativa a “pente” (a primeira vez custou-me, caraças, pela sua dureza), parece-me gravíssima. Ainda sem ser especilizada no assunto, se me cinjo ao aspecto pedagógico, pergunto-me que valor pedagógico cabe sob um clima no que o sentido preeminente do espírito de responsabilidade de uma criatura, vê-se de antemão abatido por um critério de vigilância e colaboracionismo (com agravante de ser entre iguais, as crianças), que condiciona o desenvolvimento em si do convencimento consciente da necessidade de sêr-se responsável com a socidade e a própria vida.

  11. Ivete says:

    Alguém já se lembrou de ver como está a escola? O estado do recinto do recreio? As obras por acabar? Alguém já se perguntou como decorriam os intervalos antes? Alguém tomou alguma iniciativa para mudar o estado em que as coisas estão no pontal? Sem auxiliares suficientes, em condições deploráveis, que outras soluções existem? Acho que criticar não leva a lado nenhum… arranjem soluções e aí sim proponham e mudem o que acham estar errado.

  12. António Fernando Nabais says:

    #11
    Deixe-me ver se percebi: caso não haja funcionários suficientes e a escola esteja em más condições, as escolas devem socorrer-se dos alunos. Parece-me um bom princípio.

  13. Ivete says:

    As escolas não devem socorrer-se dos alunos… deviam fechar e só abrir quando as condições minimas de segurança estivessem asseguradas. Mas, como não é possivel, diga-me António qual a solução que propõe… é que estamos abertos a propostas e não a criticas que não ajudam a resolver nenhum dos problemas que temos na escola.

  14. Jorge Guerreiro says:

    “Estamos aberto a propostas”?? É lá!!!! E pode-se saber quem fala assim??
    É que nós, os pais dos alunos da turma do 4ºA tentamos abordar o problema, pedimos para sermos ouvidos e ninguém nos passou cartão.
    Se os professores são tão solicitos em fazer e participar nesse projeto, então que o façam, mas sem alunos. Os alunos devem usufruir do intervalo e brincar.

  15. Ivete says:

    Sou uma professora da escola e mãe de uma aluna, não sou nenhuma espécie rara e convivo com os problemas diariamente. E que eu saiba só pediram para suspender o projeto em que muita gente participa e não considera mau. Quanto aos alunos, os que participam na patrulha vão de bom agrado e nunca os vi reclamar por falta de intervalo, aliás têm intervalo rodos os dias. Tenho pena que este assunto esteja a incomodar muita gente e o que realmente importa parece não ter importância para ninguém, que são os problemas maiores que enfrentamos nesta escola. Desculpe se o ofendi, mas não era essa a minha intenção.

  16. Jorge Guerreiro says:

    Cara professora Ivete,
    É evidente que não me ofendeu. Desde já agradeço o facto de emitir a sua opinião e não se resguardar atrás de um pseudónimo qualquer. Está a emitir a sua opinião e eu só tenho que respeitar.
    Acontece que, o facto da escola estar em obras há imenso tempo, não justifica em nada a existência desse projeto.
    Devo referir uma vez mais (pela enésima vez) que o que espoletou toda esta trapalhada foi o facto de nós, pais e encarregados de educação, termos sido completamente ignorados aquando da/s reuniões ocorridas e nas quais demonstramos a nossa opinião.
    A professora Clementina limitou-se a informar os encarregados de educação acerca da implementação do projeto e em que é que consistia. Felizmente ou infelizmente os pais e encarregados de educação dessa turma manifestaram-se acerca do dito projeto e pelos vistos nenhum concordou com ele. Por ignorância, por falta de informação, porque concordaram com os argumentos que alguns enc. de educação apresentaram… não sei. O que é facto é que ao sairmos da primeira reunião e quando fomos informados acerca do projeto ( e agora falo por mim) questionei alguns encarregados de educação de outras turmas do 1º ao 4º ano, colegas, amigos, conhecidos, etc, e nenhum deles, repito, nenhum deles estava ao corrente do projeto sobre as patrulhas de segurança. É evidente que, não concordando eu com o projeto, e confrontando alguns pais, o feedback que recebi foi também de não aprovação. No entanto, as pessoas são livres de concordarem ou não e de se manifestarem contra ou a favor, mesmo que as razões dos argumentos sejam apenas por solidariedade para com quem fez o projeto ou então por sim, ou porque não.
    O que não se pode fazer é ignorar que o problema existe. E foi o que aconteceu. Marcaram uma nova reunião connosco, foram levantadas inumeras questões e nenhuma delas foi respondida. Ou seja o tratamento que nos deram foi: Falem para aí, manifestem-se à vontade…
    Volto a referir, felizmente ou infelizmente os encarregados de educação da turma não são como às vezes dá jeito ser e sei do que falo porque também sou professor e sei como as coisas funcionam. Às vezes os encarregados de educação que também são professores são por vezes mais “chatos” do que os outros. É bom que não percebam dos assuntos, é bom que não se metam muito, dá jeito uma certa ignorância, mas… paciência, nós somos zelosos? talvez. Insistimos demasiado? Talvez (mas porque não nos deram ouvidos), Tudo isto foi longe demais? Foi. Foi demasiado falado e nem sempre da melhor maneira? Talvez. Mas… quem permitiu que tudo isto chegasse onde chegou? A meu ver, e nestas coisas já se sabe que o responsável máximo é sempre o diretor. Paciência. É assim.
    A professora fez o seu trabalho – informar.
    Os encarregados de educação exerceram o seu direito – não concordaram com o projeto e pediram para serem ouvidos pelo diretor e/ou pelos responsáveis pelo projeto.
    Foram ouvidos, levantaram questões, reiteraram o que já tinham dito e a resposta foi – NADA.
    Como com nada, nada se faz, apresentamos uma exposição à direção regional, à inspeção geral de educação, e como não concordamos com a resposta dada pela escola, continuamos … jornais, blogues, TV. Pretendiamos ir tão longe? Não. Mas alguém quis que assim fosse.
    Por fim, nada tenho contra quem apresentou o projeto e na reunião com o professor Joaquim até referi que não estava em causa o mentor do projeto, até porque de certeza que o mesmo foi feito com boas intenções, no entanto não foram equacionadas situações que estavam agora a sê-lo e que a nosso ver eram pertinentes e mereciam ser debatidas e pensadas. Só isso.

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