Uma escola com 9000 alunos em Mafra

As sucessivas derrotas dos partidos da austeridade franco-alemã têm provocado o pânico entre as hostes político-jornalísticas dos vários centrões instalados numa Europa ocupada por um exército de burocratas que defende interesses privados à custa da vida dos cidadãos. Agita-se o fantasma dos extremismos e dos radicalismos, misturando, no mesmo saco, os que se opõem ao roubo que Merkel considera necessário e os que sonham com imigrantes em campos de concentração.

A propósito de radicalismos e de extremismos, gostaria de propor a leitura do texto que está na primeira página de hoje do Diário de Notícias. O título é “Ministério preprara agrupamento com nove mil alunos”:

Governo propõe juntar a secundária e todos os agrupamentos do concelho de Mafra numa única “unidade orgânica” com cerca de nove mil alunos, o que representa o triplo do limite – 3050 alunos – apontado pelo próprio Ministério da Educação e Ciência para as agregações de escolas. Juntos, os quatro agrupamentos (Mafra, Malveira, Ericeira e Venda do Pinheiro) representam 44 escolas, que vão de jardins de infância ao 3.º ciclo, às quais se soma a única secundária do concelho. A forma como estas 45 escolas vão ser geridas é a principal dúvida apresentada por professores, pais e especialistas. Se ficar apenas com uma direção na sede, como tem acontecido nos outros mega-agrupamentos, estaria em causa o sucesso escolar dos próprios alunos. Já que a distância entre a direção e cada escola dificultaria a tomada de decisões que beneficiem apenas uma escola e não todo o mega-agrupamento. Outra alternativa – projeto educativo comum gerido pela autarquia – é mais consensual, uma vez que cada escola manteria a sua direção.

Se estivéssemos noutro país, o que me espantaria nesta notícia seria a placidez que se subentende no facto de haver uma “dúvida” sobre o modo como será possível gerir um agrupamento deste tamanho, como se o que está aqui em causa não fosse muito mais grave do que isso.

Vivemos num país estupidificado por alegados erros de arbitragem e por clubites partidárias, entre outras idiotices. Só num país destes é que é possível a um extremista radical como Nuno Crato prosseguir uma política de desumanização das escolas, contribuindo para destruir as condições de trabalho de alunos, funcionários, técnicos e professores. É claro que não me espantaria que, amanhã, a notícia viesse a ser desmentida, com a garantia de que, afinal, serão dois agrupamentos com 4500 alunos, o que parecerá uma benesse.

Comments


  1. Boa. Mais 9 milhões e tal e cabem lá todos.

  2. maria celeste ramos says:

    Podiam levar todos os alunos para o Festival do Oeste ou do Rock inRio – ou do Festival da BoaVista que nem sei se é o mesmo – quanto a merkel ainda mexe mas lá irá – o pior é quem lhe deve nem sei o quê – juros superiores à divida original – a UE agiota – ontemrecebi mail da Grácia que gasta em segurança militar mais do que a NATO com mêdo – aceitável – do “inimigo turco” e que merkel impingiu submarinos como a Portugal – para se ir à pesca (do amigo espenhol que saqueia o peixe de portugal desde sempre – têm a maior frota pesqueira do mundo) a UE só fez saqueadores – e chamam aos da Somália PIRATAS (perguntar aos USA como é)

  3. manuel antonio cardoso says:

    A ESTUPTDEZ CHEGOU A TODO O LADO GOVERNATIVO E NÃO GOVERNATIVO. SOMOS GUIADOS E CONDUZIDOS COMO CARNEIROS PARA O REDIL QUE BEM ENTENDEREM, ATÉ UM DIA……..

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