Eis os guardiões da democracia que temos

Queixa no Ministério Público por inscrições fraudulentas no PS
A cerca de um mês das eleições internas para as distritais no Partido Socialista — 15 e 16 de Junho —, dispararam as denúncias de caciquismo em variadas federações. Desde o ano passado que o PS é palco de inscrições em massa que depois de analisadas revelam, nas palavras de alguns, um “verdadeiro assalto ao poder”. Os casos verificam-se nas distritais onde existem mais do que uma candidatura à liderança, como em Setúbal, Porto ou Coimbra. (Público de hoje, edição impressa)

Quem vai a votos, seja em que partido for, é escolhido pelos partidos em processos tão claros e democráticos como este. Grandes guardiões estes que nem conseguem praticar o regime que defendem.

Actualmente, um primeiro-ministro é escolhido por uns escassos milhares de eleitores, os militantes do partido. O povo, tão caro aos partidos, não passa do botador da cruz na lista pré-cozinhada.

Esta pseudo-democracia tem que terminar.

Urge exigir que os partidos se desprendam do poder e que aprovem legislação que permita a qualquer cidadão candidatar-se a cargos políticos. Contra esta ideia ouve-se a tese de que um cidadão poderia fazer as maiores maldades ao país sem se preocupar em não ser eleito a seguir, ao passo que os partidos podem ser penalizados na eleição seguinte. No entanto, basta olhar para os anteriores governos para se ver que essas maldades foram praticadas pelos próprios partidos, tanto para favorecimentos pessoais como para tentar a reeleição. Mas, mesmo assim, são penalizados nas urnas? Grande consolo chorar sobre o leite derramado. E a eleição pessoal, por oposição à votação partidária, pode ser objecto de legislação apertada que proteja os interesses dos cidadãos. Não há-de ser por isso que faltarão pessoas para exercer a política de forma altruísta.

Ironicamente, uma mudança destas precisa de partir dos partidos, as únicas organizações com alvará para o exercício da política. Cabe-nos a nós, os outros cidadãos, pressionar para que a mudança ocorra. Mas como? Petições, manifestos, posições públicas são formigas que o elefante esmaga sem as ver. Certa vez ouvi alguém defender que apenas a inscrição massiva nos actuais partidos, não importa quais, poderia levar ao processo de implosão que de facto os mudasse. Talvez funcionasse, não fosse dar-se o caso de, no geral, as pessoas acharem que política é coisa para os outros. Até porque se assim não fosse, se as pessoas participassem de forma activa na política – e participar na vida política não se resume à actividade partidária, então os partidos não seriam o que são hoje. Uma autêntica pescadinha de rabo na boca. Leitores, como vêem esta questão? E que soluções vos ocorrem?

Comments


  1. “E que soluções vos ocorrem?”
    Bem analizada a triste situação que os “pais da democracia” criaram no Portugal político, serve apenas para seu proveito pessoal, para alimentar deformados egozinhos.
    Por muito que expressem o seu amor à democracia, nunca vão mexer na sua, privada, arvore das patacas.
    Uma solução poderia vir de Belém. Mas para isso seria preciso um Presidente. Este até porque está suportado por 1/4 do eleitorado, com outro 1/4 expressamente contra ele, e 1/2 completamente desinteressado do que se passa, ou não, em Belém, não vai lá.
    Outra solução está quase, espontaneamente, a aparecer: se o eleitor descrê no sistema acaba por não votar. A abstenção crescente e correspondente falta de suporte eleitoral pode conduzir, simplesmente, à desobediência civil situação que aproveitará apenas a grupos de pressão e não ao todo da Nação….
    Outra hipótese, ainda, seria o aparecimento, a eleições, de um Partido cujo programa eleitoral fosse, essencialmente, alterar a Lei Eleitoral de forma a permitir candidaturas de independentes, promentendo que logo de imediato, se demitiria e convocaria novas eleições. Teria que ter, sozínho, maioria absoluta 2/3 da AR. Teria que ser alguém confiável …. Em resumo, como diz, Jorge F., um triste espetáculo.

  2. maria celeste ramos says:

    Portugal vai sofrer recessão mais grave ainda – 15.5% de desemprego (22:20 RTP2) – PIB 0.3% – Bruxelas não acredita – nem eu

  3. maria celeste ramos says:

    passos anda por maus caminhos – passeia-se mal – que conversa surda para entreter – o 1º até diz que que Partugal atingiu o nível insuportável de carga fiscal – Loução diz que a “zanga PSD/PS é o acordo tácito e só conversa – claro que é – Passos diz que o desemprego atingiu marca imprevisível e Gaspar diz que é um fagelo – diz em inglês devagarinho para se perceber melhor – de onde apareceram estas pessoas ??

  4. patriotaeliberal says:

  5. patriotaeliberal says:

    Podemos sempre olhar para o bright side of life:

  6. Fernando says:

    Por esta noticia se confirma que o Zé Povo (na generalidade) não tem moral para acusar os políticos de comportamentos menos limpos. Somos feitos da mesma massa. Triste sina.

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