A UNESCO, a suspensão da Barragem do Tua e a vergonha dos lacaios de Mexia

Poste de Alta Tensão Armamar – Alijó que vai atravessar vários quilómetros do Douro Património da Humanidade


Em Dezembro de 2012, aquando da divulgação do relatório do ICOMOS, que o Aventar traduziu, pedi à UNESCO que retirasse ao Douro a classificação de Património da Humanidade.
Fi-lo através de um post e de centenas de mails enviados aos principais dirigentes da instituição (em particular do Comité do Património Mundial) e do ICOMOS. Com vários deles, como Irina Bokova, directora-geral da UNESCO, ou Gustavo Aaroz, presidente do ICOMOS, estabeleci contactos no Facebook. Das várias respostas que obtive, houve uma que me sensibilizou particularmente, a do Presidente do ICOMOS/Áustria, Wilfried Lipp, que através de mail confessou que «It is a shame that this obviously so beautiful valley is going to be destroyed» e que «if the outcome really will be as illustrated in the virtual depiction, the site would not merit being on the WH list anymore.»
Não me arrependo de ter pedido a desclassificação do Douro. Fi-lo conscientemente por me parecer ser essa a única forma de travar a Barragem, já que todas as outras tentativas saíram goradas nos últimos anos. Os lacaios de Mexia, José Sócrates e Pedro Passos Coelho, bem como esses terroristas da cultura e do ambiente que se chamam Isabel Pires de Lima, José Pinto Ribeiro, Gabriela Canavilhas, Francisco Nunes Correia, Dulce Pássaro, Francisco José Viegas e Assunção Cristas, nunca iriam de moto próprio suspender as obras. A todos esses e ainda a essa vergonha da arquitectura portuguesa que se chama Souto Moura, direi apenas que vão ter de conviver com o que estão a fazer ao longo de toda a vossa vida.
Hoje, o Público anuncia que a UNESCO vai mesmo mandar suspender a construção da Barragem. Os paus-mandados da EDP no Governo já vieram dizer que não está em causa a classificação do Douro. Para já. Não é preciso ser muito inteligente para perceber o que fará a UNESCO se as obras não forem realmente suspensas.
Certo é que há uma nova esperança para o Douro e para o Tua. Eles ainda não ganharam. Volta a acender-se uma luz que pensei estar definitivamente apagada.

Comments


  1. Boaaaaaa! 🙂

  2. jorge fliscorno says:

    É a paisagem e a economia local, baseada no vinho do Porto, que se vão. As paredes cimento poderão parar a água mas não chegarão para conter a vergonha.


  3. Vejam, a portaria 139/2012 (http://dre.pt/pdf1sdip/2012/05/09300/0251902520.pdf) publicada ontem e percebam a posição deste governo a favor do lobi “barragista/mexia/betão” e claramente CONTRA os Portugueses em geral. Manifestem-se!
    Onde se lê “incentivo ao investimento” deve ler-se subsídios a quem não precisa e onde se lê “garantir estabilidade aos investidores” deve lêr-se confirmar as benesses prometidas pelo filósofo parisiense aos grupos que nos exploram.
    Acabem com as PPP na energia, já! Querem ganhar dinheiro, têm que investir, trabalhar e correr riscos como toda a gente!

  4. Maquiavel says:

    Ricardo, mereces uma Ordem da Liberdade, pelo menos. O que fizeste näo tem preço!!!
    Leva daqui um forte abraço, quem dera houvessem muitos portugueses como tu!

  5. Abel Barreto says:

    Como cidadão, agradeço-lhe todo o seu empenho nesta questão e espero que, qual david, vença ou contribua para a derrota do monstro tentacular que é a EDP.

  6. maria monteiro says:

    Excelente trabalho Ricardo

  7. adão cruz says:

    Um grande abraço Ricardo. Uma lição para essa corja de “intelectuais” vendidos.


  8. Único reparo: No primeiro parágrafo o ano está errado.
    De resto, de acordo 🙂

    • Ricardo Santos Pinto says:

      Obrigado a todos pelas palavras. Estou em crer que nada do que fiz teve influência nesta decisão da UNESCO. Maquiavel, por favor não exageres.

  9. Afonso Jorge says:

    Obrigado pela sua tenacidade.


  10. Caro Ricardo, fez o que deveria ser feito como deveria ser feito!

    Não é com manifestações, não é com protestos agressivos, não é com atitudes de resistência, não é decididamente com violência, que se provoca a mudança. A mudança chega pela via da razoabilidade, pela sensatez, pela persistência, e sobretudo pela Atitude Individual!

    A verdadeira revolução, a única que traz resultados colectivos, é a revolução individual! Foi isso que o Ricardo fez: acreditou em si próprio, usou a via da sensatez para defender a sua causa e agiu individualmente com a força inigualável da revolta interior!

  11. Zé Carioca says:

    Obrigado. E se tal se verificar, os culpados além de pagarem dos seus bolsos os prejuízos e desmantelamento da pouca vergonha já edificada e rectificação da destruída, deviam ser julgados e encarcerados, se houvesse justiça neste País, que é nosso e não “deles”.

  12. Maquiavel says:

    Isabel G, isso é tudo muito bonito, mas a Revoluçäo Francesa näo se fez com falinhas mansas.


  13. Concordo com o Maquiavel.
    Embora iniciativas individuais tenham valor, as grandes realizações da humanidade são sempre colectivas, sem excepção.

  14. Isabel G says:

    Pois é, caro Maquiavel, o facto de todas as revoluções terem sido feitas com violência, nos seus múltiplos aspectos, explica como o Mundo continua degradantemente abjecto! Não aprendeu nada deste tempos imemoriais!

    E a revolução individual aparentemente não resulta para a maioria das pessoas porque, na realidade, ninguém está interessado em mudar verdadeiramente! Há demasiados interesses em jogo para que cada um abdique da sua própria ambição em pró dos outros!


  15. Além de que os resultados obtidos através da violência são como barris de pólvora prontos a explodir em qualquer altura! Nasceram da obtusidade das reacções de massas histéricas, e portanto jamais vão levar a verdadeiras e profundas mudanças!

    Nas revoluções externas, a parte que perde jamais descansará sem levar a cabo a sua vingança. É um círculo vicioso, e a prova disso é que continuamos tão selvagens, tão violentos e tão broncos como há milhares de anos atrás! Sem a mudança da mentalidade individual, jamais se conseguirá uma mudança global!


  16. Caro José Pinto, são colectivas porque os “festejos” e os “alaridos” se fazem pelos que ganham. Mas os ódios, nos que perdem, continuam a fermentar. Os perdedores de hoje serão os vencedores de amanhã!

    Aliás, basta por exemplo analisar a situação de Portugal. Ela explica claramente a ineficácia das revoluções!

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