A Beleza dos Dias: o Conhecimento do Mundo

Às vezes é preciso fechar os olhos para ver o mundo. Uma frase ouvida há muitos anos que ainda vibra dentro de nós, uma rapariga vestida de branco atravessando um dia de verão, uma fruta colhida de uma árvore em frente ao mar cujo sabor inunda a boca pelo tempo fora.

Às vezes é preciso não pensar para compreender o mundo. Uma palavra dita com violência que regressa e dói com o passar dos anos, uma viagem interrompida a meio e apenas completada por dentro, um bebé enrolado numa manta e uma mãe estupefacta a dizer está morto.

Às vezes é preciso não sair de casa para conhecer o mundo. Uma vibração de luz atravessando uma cortina com um gato nas proximidades, o bater de uma janela sob o vento norte, o ranger do soalho subitamente, o medo, o medo, o medo…

Às vezes é preciso nada fazer para que o mundo nos construa. Uma praça de gente passando, um chilreio de pássaros, um frémito durante o sono, uma dor sem causa nem razão, uma injustiça repentina, uma palavra, outra palavra e outra palavra.

Às vezes é preciso o inominável para sabermos o nosso nome, ignorar a geografia para encontrarmos o nosso lugar, pairar sobre o mundo para lhe podermos pertencer. Às vezes. É preciso.

Comments

  1. maria celeste ramos says:

    às vezes é preciso ——— às vezes eu preciso

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