Coimbra e a Académica

A conquista da Taça,  no Jamor,  deu a Coimbra a oportunidade de ter um momento de euforia colectiva. Se a religião é o ópio do povo, o futebol , com todas as paixões que suscita , é uma droga dura, capaz de unir os amantes mais improváveis. A Académica está de parabéns por ter conseguido galvanizar uma cidade tristinha e amodorrada, que só parece acordar sob os fulgores etílicos da estudantada.

Na última década Coimbra tem perdido protagonismo (não apenas futebolístico,) à escala nacional. Sem um projecto, sem uma estratégia de fundo, (sem uma marca, como dizem por aí),  com pouco amor à camisola, com as costumeiras divisões internas e um certo espírito coimbrinha no seu pior, Coimbra parece rendida à sua condição de pequena cidade provinciana (é assim que é vista de lisboa), atirando para a urtigas séculos de história e liderança no domínio da arte, da cultura, da ciência e da política. Lentamente os centros de decisão, de inovação científica ou de criação cultural foram sendo atraídos para ouras regiões. E se é verdade que existem poucas mas sólidas excepções a este panorama, Coimbra continua adormecida numa certa desesperança, contentando-se com pequenas migalhas de poder, rendida a uma cultura endémica de picardias, maledicências, um certo culto do elitismo serôdio e muita partidarice medíocre.

Os turistas ficam em coimbra três horas e dizem que está tudo visto – um triste peregrinação apressada pela alta, a descida suada pelo quebra costas e ei-los enlatados a caminho de fatima ou coisa parecida, ávidos de emoções intensas que coimbra parece não ter para oferecer.

Bluesmile

Comments


  1. Ou o texto está truncado ou …
    Repetir a ladainha que já ouço desde o final dos anos 60?
    Já demos!


  2. È mais grave do que eu pensava – desde os anos 60 que Coimbra é assim???

  3. Tito Lívio Santos Mota says:

    Coimbra já era assim quando D. João III teve a triste ideia de para lá mandar a Universidade por imposição da Igreja.
    Foi a razão da escolha.

    Aqui em Montpellier, perguntaram-me na Câmara o que eu pensava de uma geminação com Coimbra.
    A minha resposta foi : nem pensem nisso !


  4. Talvez seja uma ideia louvável uma pessoa informar-se antes de escrever algo acerca de um sitio que provavelmente pouco conhece…. essa velha mania de mandar “postas de pescada” desde Lisboa (ou Montpellier) e de ter a mania que aí é que se passa tudo e que o pobres provincianos só conseguem mobilizar com conquistas futebolísticas está um bocado datada e parece-me que é pouco interessante para o que o pais enfrenta nos dias de hoje.
    Cá os esperamos em Coimbra para vir conhecer o vosso país (que se estende para alem dos arredores tão airosos da capital).

    P.s. – Parabéns pelo excelente trabalho em prol do Pais em França, caro Santos Mota.

  5. maria celeste ramos says:

    Tenho uma última recordação de Coimbra que visitei como membro de Júri do INH/IHRU na dimesâo de reabilitação urbana – fomos recebidos pelo oresidente da CMC que era PS (anterior ao actual) e que nos deu uma explicaçção longa sobre o projecto de rabilitaçao de toda a cidade – muito interessante e bem pensado e estruturado – conheci um engº responsável pelo projecto que nos mostou uma rua reabilitada, no pavimento e em toda a habitação onde se construíu o equipamento que não existia ou estava muito decadente – Quanto à rua de calçada à portuguesa, e já que a população envelhece por todo o lado até havia corrimão nas fachadas possíveis da rua, tão ingreme, facilitando a subida, penosa, para quem já não é novo nem tem pernas – E para isso também foi a cidade dotada de pequenos autocarros brancos de poucos lugares e que se pode movimentar nas ruas mais estreitad, com portas de correr, para transportar, gratuitamente, todos os velhos que precisassem de se deslocar confortavelmente – E já não vi os velhos trolleys pelo que nem sei já desapareceram todos, ou não – Achei uma ideia brilhante para dar conforto, e vida, aos que já não têm a mobilidade que tiveram – gostei muto – não vou agora anexar imagens que fiz – mas creio nem ser necessário – A visita ao Choupal também foi interessante mas estava reabilitado apenas numa pequena área sem a tentação de mudar o pavimento tendo ficado o mais interessante pavimento do mundo – a terra batida – Parabéns a Coimbra que se alinda sem adulterar o espírito da Cidade dos Estudantes, mas que demorará certamente bastantes anos – Amar a cidade não é adulterá-la e impor a modernidade que não cabe numa cidade que tem a Universidade que, creio, é a 2ª mais antiga da Europa, senão a primeira, já que Inglaterra reivindica para si ter a universidade mais velha do mundo

  6. Maquiavel says:

    Os turistas ficam em coimbra três horas a ziguezaguear entre carros estacionados nas zonas supostamente pedonais e à volta de Monumentos Nacionais (ver escändalo da Sé Velha) e depois dizem que está tudo visto. Pudera!
    http://anossaterrinha.blogspot.com/search?q=coimbra
    Depois väo a Montpellier ou a Salamanca e ficam se for preciso 3 dias, porque se podem movimentar à vontade nos passeios públicos, ver monumentos que näo säo enfeites de parque de estacionamento, beber copos nas esplanadas sem repirar fumo de escape…

    VIDAS!

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