O Natal nos Hospitais

A Carla já aqui escreveu – melhor do que eu o faria – sobre pessoas nas salas de espera de hospitais.

Por razões de ordem pessoal, que não chamo para aqui, passei nos últimos meses horas incontáveis em hospitais públicos. Como familiar próximo de enfermos, muito próximo, como utente, como enfermo. Conheci uma realidade que ignorava e quero aqui partilhar: a extraordinária qualidade humana das pessoas que trabalham no Serviço Nacional de Saúde. Encontrei uma ou outra besta maldisposta, um morcãozinho de passagem aqui ou ali, sem os quais o mundo mundo não seria, mas, na verdade, o que mais cruzei foram pessoas dedicadas, solidárias, com estratégias e sorrisos para lidar com doentes em todas as condições, gente que nos conforta e,  na fragilidade que nos enfermos se instala, transmite esperança e confiança.

Essas pessoas, auxiliares, enfermeiros, copeiros, médicos, são do melhor que nós enquanto sociedade temos e deveriam ser, eles próprios, as estrelas celebradas do Natal dos hospitais.

Outros, passistas, gasparistas, miserabilistas e contabilistas, não entram neste texto, nem como leitores. Desde logo e para começar, porque não o compreenderiam.

Comments


  1. Saúdo o teu regresso. Bem re-vindo.
    Abraço


  2. Obrigado, Zé. Um abraço para ti.

  3. Paulo Sarnada says:

    A saúde é o bem mais precioso que temos. Espero que tenha esse bem por muitos anos.
    Estarmos doente e precisarmos de ir para um hospital é uma forte probabilidade.
    O seu texto merece ser lido assim como aquele que refere a propósito do Natal dos Hospitais.
    Humanidade e bom senso – estamos carecidos desses “ingredientes”.

  4. maria celeste ramos says:

    Não tenho essa experiência em urgências e pelo contrário no Francisxo xavier cheguei à 04H da manhã e não havia nem doentes nem médicos no activo – nunca tal silêncio sucedeu e parecia que todos dormiam, creio eu – mas começaram às 09H – o facto de ter esperado 5 horas e só eu não me deu nenhum privilégio senão uma pulseira verde pois que pessoas iam então chegando – atenderam-me finalmnte às 4 da tarde – 12 hoas de pé ao frio porque a sala de espero cheira mal a doenças e não está suja mas não está lavada e cheira mal – até me sentei no chão no passeio à porta pois nem banco há na rua – e podia haver – até há um jardim – Mas não era assim e nunca nada tive a dizer quando tinha de acompanhar minha mamã tantas vezes – e sempre achei que era fantástico – aqui agora não é – nem o Posto de Saúde do Bairro que de Alcântara não só mudou para Pedrouços que nem sei onde fica e não sei a quantos km além de que para ir a urgência tem de se tirar nº às 07 da manhã e uma vez fui atendida às 20H e a médica disse que estava cansada e mandou-me ir noutro dia e nunca mais lá fui – como mudou a repartição de Finanças que sempre aqui esteve no Bairro desde que me conheço e mudou para o Restelo perdido no alto de monte de caos urbano – devemos estar a falar de países diferentes

  5. maria celeste ramos says:

    Claro que Natal de Hospitais creio ser sempre diferente e vejo todos os anos a secção das crianças


  6. estes senhores deveriam passr o que muito pessoal passa


  7. No próximo ano vamos ter o Natal dos Desempregados uma vez que o governo para poupar no próximo orçamento, pretende acabar com as pessoas que infelizmente estão hospitalizadas

  8. Mário Cruz says:

    Como profissional de saúde, tenho de lhe agradecer as suas palavras. É óbvio que não é para elas que nós trabalhamos, mas não posso deixar de me sentir feliz por ainda existirem pessoas que reconhecem o árduo trabalho que fazemos, depois de tantos ataques ao nosso Serviço Nacional de Saúde e aos seus profissionais. Obrigado!

  9. Carlos de Sá says:

    Tenho sido um “cliente” assíduo de hospitais públicos, na qualidade de paciente; concordo plenamente com o teor da sua crónica: o melhor mesmo são as pessoas que lá dão o litro por nós, sem nos conhecerem de lado nenhum. E é isso que os interesses instalados no Poder querem destruir, em nome do sacro-santo lucro dos padrinhos (no sentido do título da obra de Mario Puzo).

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