Eu quero que façam filhos ao Henrique Raposo!

No dia 12 de Novembro de 2012, Henrique Raposo escreveu uma crónica que intitulou “Façam meninos e não ‘manifs’”. O facto de eu ter dois filhos e ter participado em algumas manifestações fez com que não me sentisse visado, o que não me impediu de dedicar algumas linhas ao cronista do Expresso:

Não queria terminar sem deixar uma palavra de apreço a Henrique Raposo, que propõe que o povo substitua as manifestações pela procriação, de modo a reanimar a natalidade, para concomitante sossego da via pública. Espantar-me-ia que um homem tão liberal, tão defensor da livre iniciativa, surgisse a mandar o povo foder; penso que será apenas um reaccionário a mandar foder o povo. Para não repetir, pela terceira vez um palavrão, limito-me a desejar que Henrique Raposo vá fazer meninos a si mesmo.

Mesmo um reaccionário de entendimento tão duro como é o caso do canino comentador está em condições de perceber que o acto de conceber crianças e o de se manifestar nas ruas não são incompatíveis e não seria inédito, até, que ocorressem em simultâneo, porque a via púbica pode, também, ser percorrida na via pública.

Recentemente, Raposo revelou alguma falta de imaginação, como se pode notar pelo título da sua última crónica: “Não façam ‘manifs’, façam filhos”. Não será de espantar que, em próximas crónicas, passe a aconselhar que se façam bebés, catraios, ganapos, gaiatos, garotos, cachopos ou miúdos, mantendo incólume a abreviatura ‘manif’.

Confirma-se, entretanto, que o rapaz Raposo é duro de entendimento ou irremediavelmente cabotino, porque mostra não perceber ou finge não entender as verdadeiras razões que levam ao despedimento de professores, recorrendo à desculpa da diminuição do número de alunos, quando bastaria pensar um bocadinho para perceber que “uma prospectiva de diminuição de 3% de alunos até 2018 não justifica um ritmo de redução de quase 10% de professores por ano.”

O sonho da direita necrófaga de que fazem parte chacais e outros cronistas é, já se sabe, a visão de um povo acomodado que aceite pagar, calado, os calotes alheios, mesmo que isso custe a Educação ou a Saúde de muitos. Quando alguém protesta, inventam corporativismos e outras aleivosias.

Finalmente, este Raposinho é o pior tipo de malcriado, porque manda foder sem usar palavrões, ao mesmo tempo que insulta todos os concidadãos que são obrigados a não ter filhos, em consequência de roubos perpetrados pelos políticos que defende.

Como fica sempre bem imitar cronistas de jornais prestigiados, não quero que Henrique Raposo se foda, quero que lhe façam filhos.

Comments

  1. L. Rodrigues says:

    Isso. E à bruta. Não é cá com carinhos. Carinhos é retórica altruista.


  2. Muito bom. Se bem que a esse raposo, ao contrário da espécie, parco em astucia, não seja bom dar muito eco. Como dizia o incontornável M. Jorge Marmelo, “a coisa mais linda é o desprezo”.


  3. Gostei da crónica. O seu único defeito é publicitar a besta do raposo.


  4. Em jornal de hoje veem títulos interessantes – Rui Machete com pensão de 132 mil euros – acumulou cargos em 31 instituições – ministro doa negócios estrangeiros declarou 265 ,il euros de rendimento do trabalho em 2012 – Mas Cardozo pronto para defender Jesus sobre a confusão de ontem no campo de futebol e, ainda, guerra de poder abala BES e Ricardo Salgueiro ataca Álvaro Sobrinho – Tudo boas notícias de bons rapazes – resta-me ouvir o idiota do Betinho na SIC (22:33H) – fim – BPN está incontactável Oliveira e Costa “desaparecido” – desde finais de junho para testemunhar caso Duarte Lima – mas pode viajar pelo mundo pelo que já pediu revalidação do passaporte (podia levar alguns (muitos) com ele)

  5. Fernanda says:

    Que se requalifique o Raposo!

Trackbacks


  1. […] referência, é o grunho que vê uma manifestação nas notícias e arrota qualquer coisa como “Haviam mas era de ir fazer meninos para casa. Eu, por mim, já lá tenho três, não há cá paneleirices. Inda no outro dia, um pediu-me um […]

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