Esclareçam-me, sff

Quando o Henrique Raposo afirma que tem “um olhar camiliano sobre os portugueses” refere-se ao Camilo Lourenço, certo?

As pérolas do Henrique, número 24601

Eu concordo com o Henrique Raposo. Acho que chamar Ernesto ao filho é um disparate. Se é para dar nome de revolucionário a sério que chame Maximiliano à criança.

Henrique Raposo nos algarvios: porrada por encomenda?

Os polacos não percebem

Por que razão o “Expresso” dá guarida a um raposo. Nós já desistimos de perceber, sr. Embaixador.

Muito liberal

O Henrique Raposo quer as cidades sem cães. E multas, muitas multas. Um libertário, o Raposo.

Eu quero que façam filhos ao Henrique Raposo!

No dia 12 de Novembro de 2012, Henrique Raposo escreveu uma crónica que intitulou “Façam meninos e não ‘manifs’”. O facto de eu ter dois filhos e ter participado em algumas manifestações fez com que não me sentisse visado, o que não me impediu de dedicar algumas linhas ao cronista do Expresso:

Não queria terminar sem deixar uma palavra de apreço a Henrique Raposo, que propõe que o povo substitua as manifestações pela procriação, de modo a reanimar a natalidade, para concomitante sossego da via pública. Espantar-me-ia que um homem tão liberal, tão defensor da livre iniciativa, surgisse a mandar o povo foder; penso que será apenas um reaccionário a mandar foder o povo. Para não repetir, pela terceira vez um palavrão, limito-me a desejar que Henrique Raposo vá fazer meninos a si mesmo.

Mesmo um reaccionário de entendimento tão duro como é o caso do canino comentador está em condições de perceber que o acto de conceber crianças e o de se manifestar nas ruas não são incompatíveis e não seria inédito, até, que ocorressem em simultâneo, porque a via púbica pode, também, ser percorrida na via pública.

Recentemente, Raposo revelou alguma falta de imaginação, como se pode notar pelo título da sua última crónica: “Não façam ‘manifs’, façam filhos”. Não será de espantar que, em próximas crónicas, passe a aconselhar que se façam bebés, catraios, ganapos, gaiatos, garotos, cachopos ou miúdos, mantendo incólume a abreviatura ‘manif’.

Confirma-se, entretanto, que o rapaz Raposo é duro de entendimento ou irremediavelmente cabotino, porque mostra não perceber ou finge não entender as verdadeiras razões que levam ao despedimento de professores, recorrendo à desculpa da diminuição do número de alunos, quando bastaria pensar um bocadinho para perceber que “uma prospectiva de diminuição de 3% de alunos até 2018 não justifica um ritmo de redução de quase 10% de professores por ano.”

O sonho da direita necrófaga de que fazem parte chacais e outros cronistas é, já se sabe, a visão de um povo acomodado que aceite pagar, calado, os calotes alheios, mesmo que isso custe a Educação ou a Saúde de muitos. Quando alguém protesta, inventam corporativismos e outras aleivosias.

Finalmente, este Raposinho é o pior tipo de malcriado, porque manda foder sem usar palavrões, ao mesmo tempo que insulta todos os concidadãos que são obrigados a não ter filhos, em consequência de roubos perpetrados pelos políticos que defende.

Como fica sempre bem imitar cronistas de jornais prestigiados, não quero que Henrique Raposo se foda, quero que lhe façam filhos.

Henrique Raposo II

Afinal há dois, este nem escrever sabe. A imbecilidade não paga imposto.

Mostruário dos tiques anti-professor (1)

Os malandros dos sindicatos

A época de caça ao professor abriu em 2005, com José Sócrates, e ainda não fechou. Os últimos dias, com reacções diversas de tantos ignorantes à contestação dos professores, teve o condão de acordar, dentro de mim, um estranho animal, cruzamento de semiólogo com observador de animais em estado selvagem. É como se Umberto Eco e David Attenborough tivessem casado e, tendo procriado, fosse eu o seu descendente.

A revolta dos professores surpreendeu um governo que acredita, à boa maneira salazarenta, que a maioria deve obedecer em silêncio à sua voz. Face ao atrevimento dos professores, os bandos de comentadores têm soltado a sua raiva.

Um dos animais que mais frequenta o habitat do comentário tudologista é o Raposo. O Raposo é uma subespécie do cronista domesticado, alimentado a grandes doses de preconceito contra tudo que seja público. Provavelmente, quando era cria, mostravam-lhe uma fotografia de um funcionário público e batiam-lhe logo a seguir, obrigando-o a regougar a revolta interior.

Para que não fique sozinho, Raposo recebeu a companhia de mais um triste exemplar de jotinha, esse estranho parasita que sobreviveu à custa da cola dos cartazes que andou a afixar em pequenino e que se alimentava das botas que conseguia lamber.

De que se lembraram estas duas magníficas criaturas? De tentar atingir os sindicatos, essa malandragem cujos membros não têm direito a protestar, porque são pessoas que não trabalham e porque alguns chegam mesmo a pertencer a partidos políticos, um crime hediondo, especialmente numa sociedade que não se quer democrática. [Read more…]

Maleita Mortífera

Explicado-explicadinho por que motivo o Regime prossegue sendo esta criatura grotesca e terminal que nem acaba de morrer e nem de nos fornecer morte, desgraça e desnorte:

Cunhal não era o único a usar a cassete. Estes primeiros anos criaram assim o absurdo paradoxo que marcou até hoje a vida da III República: aqueles que deviam ser os primeiros a percepcionar os problemas concretos são, na verdade, os primeiros a recusar ver esses problemas. Em consequência, a entrada do FMI em 1977 (e depois em 1983) foi apenas a conclusão óbvia deste estado de coisas. O país tornou-se ingovernável, porque a governação não era o business dos partidos.

Henrique Raposo

O romance do Raposo

raposa

Henrique Raposo irá, decerto, propor, numa próxima revisão constitucional que a realidade, a crise e a bancarrota passem a ser consideradas extremamente constitucionais e que as pensões e os direitos adquiridos, devido ao seu “peso brutal”, sejam declarados inconstitucionalíssimos. Enquanto tal não acontecer, o mesmo cronista não hesitará em declarar inconstitucional a própria Constituição, o que, a ser confirmado pelo Tribunal Constitucional, será facto inédito num Estado de Direito.

No fundo, Henrique Raposo acaba por repensar o aforismo “A lei é dura, mas é lei”. Para ele, a lei não é suficientemente dura, inferindo-se, portanto, que não pode ser lei. Para o corajoso cronista, a Constituição é, portanto, mole. Ergo, a Constituição é inconstitucional.

Para Raposo, só quando for possível limpar a Constituição das molezas que a afectam será possível resolver a crise, a bancarrota e a realidade, porque todas as três são consequências dos “tais “direitos adquiridos” de partes da população”, direitos esses tornados intocáveis por uma lei praticamente ilegal. [Read more…]

A lógica do Henrique Raposo é tendencialmente insustentável

A descoberta do dia do menino Henrique é esta: o SNS é tendencialmente insustentável. Porquê? porque lhe apetece, é claro, e porque a subida da despesa em saúde tem sido muitíssimo superior à criação de riqueza. 

Arranja uns números, sem fonte, umas projecções (já não há pachorra para a demografia de tarot), e alucina com esta brilhante conclusão:

Pouca gente sabe que o SNS português é a negação do sistema de saúde da Alemanha, Holanda, Áustria, França, etc

Que horror, ora vamos à OCDE, e vejamos como se anda de gastos, custos, coisas insustentáveis, nestes países, e já agora também nos EUA: [Read more…]

Não comer e calar?

Com a História nada se aprende, tudo se esquece, poder-se-ia dizer, glosando Lavoisier e negando Cícero. Diante de greves e de protestos, com pedradas mais ou menos consentidas à mistura, o governo e satélites vários atribuem a violência verbal ou mineral a agitadores e a profissionais da agitação, reduzindo o povo insatisfeito a uma manada pastoreada por comunistas, sindicalistas e outros canibais infanticidas.

Depois de anos de destruição de um tecido produtivo que nos leva a importar a fruta que poderíamos plantar, depois da especulação descarada com o dinheiro que entregámos indirectamente a uma série de gente que se alimenta das finanças públicas, depois de engenharias financeiras várias que têm transformado os orçamentos de Estado em mentiras oficiais, depois de ver notas de mil a arder nas fogueiras da Expo98 e do Euro 2004, depois de seis anos de socratismo de publicidade enganosa, depois de Passos Coelho se ter feito eleger com base em promessas que quebra todos os dias, obrigando-nos a pagar uma dívida que não contraímos, depois de sermos diariamente roubados graças ao cínico falhanço antecipadamente conhecido de todas as previsões macro e micro-económicas de um ministro das Finanças que seria despedido da garagem onde trabalha, se fosse mecânico e desconsertasse carros ao mesmo ritmo a que se engana nos valores do défice, do desemprego e da receita fiscal, depois desta merda toda e de muita outra que fica por cheirar, a culpa é de quem protesta? Cheira-me, pelo contrário, que a nossa culpa está em protestar pouco ou mal. [Read more…]

American way of vote

Hoje há sorteio eleitoral nos States. Não vou chamar eleições, esse processo que em democracia consiste em ir a votos e quem tiver mais ganha, aos arcaicos procedimentos que por ali se usam, muito avançados no séc. XVIII, hoje só comparáveis aos vigentes no ex-colonizador britânico.

Aliás, em matéria de comparações se somarmos os votos dos dois únicos partidos de alterne, somada a impossibilidade de um não milionário se meter de permeio, também temos a Coreia do Norte.

O modo americano de escolher o presidente, na prática o último imperador que se curvará perante um chinês escolhido com igual mestria, tem a particularidade de embevecer todos os que, por exemplo, chamam a Chavez ditador. Compreende-se, sonham com um sistema assim, sem chatices de esquerda à mistura. O princípio da igualdade nunca entrou na cabecinha viscondessa na nossa aristocracia.

Posto isto não me é indiferente o resultado desta noite. [Read more…]

A atracção de Henrique Raposo pela mentira é imparável

Henrique Raposo veio a Coimbra e escreveu uma crónica que subscrevo. Não porque tínhamos 4000 jovens estrangeiros num festival de ginástica mas porque não faz sentido o comércio de um centro histórico fechar ao sábado. Não tenho a mínima dúvida que essa é uma causa da decadência do comércio na Baixa de Coimbra: encerrar aos sábados à tarde, mantendo-se aberto e às moscas à 2ª feira, foi e é não perceber que o mundo mudou.

Ficar-me-ia pela analogia de que tal como os relógios analógicos parados Henrique Raposo acerta duas vezes por dia (ou duas crónicas por ano), não fosse um detalhe: afirma Raposo que se encaminhou para uma loja que vende sapatilhas Sanjo e música alternativa. Ora por estes lados sobra uma loja que vende música alternativa, mas não tem sapatilhas (excepto no primeiro plano do vídeo abaixo). Temos outra onde de tudo se mistura um pouco, mas a música é mais Quim Barreiros. Mentir em Henrique Raposo é fatal como o destino.

Henrique Raposo, a direita salta-pocinhas

Este texto de Henrique Raposo constitui mais um momento de delírio de uma certa direita não-pensante.

Se eu fosse completamente acéfalo, descobriria, em primeiro lugar, que a recuperação dos impropriamente chamados subsídios de férias e de Natal depende de os funcionários públicos aceitarem a necessidade de que é importante separar “o trigo do joio da Administração Pública.” Se é assim, exijo a reposição dos meus subsídios, uma vez que reconheço essa necessidade. Diante desta declaração pública, espero ver um acrescento substancial na minha conta bancária, no máximo, até amanhã.

Para explicar aos que considera ignaros, dá o exemplo dos gastos supérfluos do concelho do Alandroal como um dos motivos para que os funcionários públicos tenham sofrido os cortes que sofreram. Curiosamente, apesar de apresentar alguns números, Raposo limita-se a fazer perguntas, não tendo a certeza de que o referido concelho tenha, efectivamente, funcionários a mais. Não acredito que um governo responsável se limitasse a cortar sem ter a certeza de que esse corte era necessário. Recuso-me a acreditar que um responsável político pudesse pensar qualquer coisa como “Bem, se calhar, há alguns municípios que têm funcionários a mais e, diante dessa probabilidade, não vamos estudar o assunto e vamos cortar os salários dos funcionários públicos.”

No último parágrafo, a loucura de Raposo chega ao ponto de dizer que a compra de casas e os próprios subsídios de férias dependia de dinheiro pedido ao estrangeiro. Nem uma palavrinha para os muitos dislates de vários governos que desperdiçaram subsídios europeus, destruíram tecido produtivo, inventaram parcerias públicas de interesse privado ou tiraram dos impostos para dar bancos que faliram por má gestão. A culpa é, evidentemente, dos funcionários públicos e não de quem anda, há anos, a servir-se do Estado.

Felizes os pobres de espírito, que deles será o governo do país.

A patologia da mentira em Henrique Raposo

Conta-me como não foi.