As campanhas eleitorais são uma arma, da democracia

Faz por estes dias 40 anos que participei pela primeira vez numa campanha eleitoral. Não foi bem uma campanha eleitoral, perante a total ausência de democracia a CDE desistiu de ir às urnas, mas aproveitou-se a possibilidade para se fazerem algumas coisas, como reuniões e ter uma sede aberta, sempre deu para alguma acção contra o fascismo marcelista (abertura e primavera, o raio que vos parta, ó revisionistas).

Ainda não me cansei. Gosto de campanhas, em particular de autárquicas. É certo que a democracia que vivemos é muito relativa (o meu amigo, e vejam lá, concorrente por outra lista à mesma Assembleia de Freguesia, José Gabriel, já aqui deixou uns exemplos do jogo viciado que uma comunicação social tipo a voz do dono alimenta), mas ainda é uma democracia, os votos são contados sem chapeladas de maior e todos podemos concorrer.

Da minha opção e de como a vejo um princípio da resistência organizada que  à esquerda temos de construir, já aqui falei. Fazendo o balanço da campanha repito-me: muito positivo. Uma candidatura que recebe como o único ataque dos seus adversários ser do Bloco de Esquerda tem a vida facilitada, a verdade é como o azeite basta olhar para as listas para ver como isso é uma rematada tolice. Mesmo com o boicote do mais velho jornal diário da aldeia, no Domingo contam-se os votos e outras contas se farão. Mas aproveito para duas notas pessoais.

Não sou muito dado à campanha de rua, feitios, gosto sim da parte criativa: ter trabalhado nestes dias com gente como o Tiago Cravidão (vejam este vídeo onde num único plano ele soube dizer tudo, num arrojo que nenhuma agência de comunicação aprovaria) o Francisco Amaral ou a Isabel Campante foi um imenso privilégio. Dá um gozo redobrado quando, com o nosso trabalho, damos cartas aos pseudo-profissionais do ramo (é verem a presença online dos Cidadãos por Coimbra, na página ou no Facebook e comparar com a concorrência). A política é dos amadores, os que amam o que fazem, quem a entrega a empresas ou se profissionaliza não vai longe.

Como trabalhador tinha direito a faltar quando necessário nestes 12 dias. Inicialmente, porque o ano lectivo agora começa, tinha planeado fazê-lo quando estritamente necessário, prevendo umas boas noitadas e preparando-me para trabalhar sonolento e fatigado. Mudei de ideias: uma reportagem televisiva sobre o drama, o horror, o pré-apocalipse que a participação de professores nas campanhas iria provocar, mas onde ninguém reparou que a responsável máxima pela educação na região centro é cabeça de lista do PSD na sua localidade de origem (e faz ela muito bem) irritou-me, e fez-me perder a disposição para o esforço desnecessário. Ser candidato e participar numa campanha não é um direito, é um dever de cidadania. Se querem voltar às eleições de 1973, assumam-no. Fascistóides, a mim, não me pressionam.

Comments

  1. José Gabriel says:

    Um abraço, caro João José. Também eu não me dou por vencido, isso queriam “eles”. Participei pela primeira vez nestas lides em 1969 – dessa vez a CDE decidiu ir até às urnas – e quem pensa que esses esforços não deram fruto olhe a História com mais atenção. Pelos vistos nenhum de nós desistiu e desistir única forma de derrota que (re)conheço. Agora que terminou a campanha, confirmou-se o que temia: todo o jogo sujo foi usado na comunicação social (não só as televisões; basta ver a sujeira do último número da Visão). Eles estão com medo, logo, usam as armas do costume. Exercem o poder como sabem. E como esperávamos. E àquele que não quer entender isto é bom lembrá-lo: é a luta de classes, stupid!…

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