Esse estranho país chamado Islândia

A Islândia é um estranho país de práticas muito pouco ortodoxas. Um país que se recusou, através de um referendo (onde é que já se viu consultar as pessoas sobre decisões que condicionam a sua vida e a das 50 gerações que se lhes seguirão…), a assumir dívidas de bancos privados que andaram a brincar à especulação, quais paranóicos radicais de esquerda. Um bando de lunáticos que tiveram a ousadia de levar a julgamento um primeiro-ministro que, como todos sabemos, se trata de uma herética afronta à democracia (pelo menos no caso do Portugal). Uma corja demente que elegeu uma primeira-ministra lésbica para governar um país de bem. Que raio se passa na cabeça destes islandeses?

Na passada Segunda-feira, por exemplo, a polícia islandesa fez a sua primeira vítima mortal em 210 anos de existência. As forças de segurança ainda tentaram dialogar com o homem de 59 anos que, da janela da sua casa, disparava tiros de caçadeira para a rua. Mas depois de dois dos agentes no local terem sido atingidos, e dos apelos ao bom senso do homem terem falhado (soube-se mais tarde que sofria de distúrbios mentais, algo aparentemente habitual no país), as forças especiais de segurança viram-se obrigadas a forçar a entrada na casa e a abater o indivíduo. O caso foi tão peculiar que o próprio chefe da polícia endereçou as suas condolências à família do homem abatido.

Mas a Islândia tornou-se para mim um país singularmente estranho quando descobri que o actual governo decidiu cumprir uma promessa eleitoral (sim, pelos vistos existem países onde isso acontece) no mínimo invulgar: o Estado islandês irá assumir até 24 mil euros de todos os empréstimos hipotecários das famílias islandesas. A medida irá custar 883 milhões de euros e, como seria de esperar, as instituições financeiras internacionais, sempre a velar pelo nosso bem-estar, vieram já a terreiro avisar que se trata uma jogada perigosa. Segundo o FMI, Reiquiavique “tem pouca margem orçamental para um alívio adicional do encargo das famílias com dívidas”. E tem razão. Nestas questões da usura, não existe margem para aliviar as famílias que pagam impostos e resgates. Se forem famílias com bancos ainda se arranja qualquer coisinha agora pessoas normais? Qualquer dia ainda se lembram de criar regras para o sector financeiro…

Comments

  1. Fernando says:

    “onde é que já se viu consultar as pessoas sobre decisões que condicionam a sua vida e a das 50 gerações que se lhes seguirão…”

    Em Portugal certamente não se viu, que diga o Maroscas Bochechas nunca interessado em questionar o povo sobre a CEE e €URO…
    Dos neo/ não-liberais já se sabe, que digam os chilenos…

    Que pena a Islândia ser tão próximo do pólo-norte, por mim, se os Islandeses quiserem, podem conquistar os Açores, formar uma colónia e instaurar o seu terrível regime anti-banca lá! Acredito que seriam muito bem vindos pelos açorianos e pelos os portugueses que fugiriam do continente como refugiados deste regime extremamente corrupto pró-banca parasitária!!

  2. portela says:

    Os islandeses, na minha opinião, tiveram o mérito de evitar que um problema grave se tornasse num problema grávido, isto é , que o avolumar de conflitos, resultasse em violência. Não abortou, deu à luz no tempo certo.

  3. portela says:

    Há três caminhos para a infelicidade;
    .
    1- não se ensinar o que se sabe.
    2-não se praticar o que ensina.
    3- não se perguntar o que se ignora.
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    Isto foi escrito em 731, pela a maior referência pedagógica da alta idade media anglo-saxónica; o monge Beda, o Venerável.
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    Porque é que o mesmo problema tem solução num lugar, noutro não? Ás vezes essa busca, dá nisto.
    .
    .

  4. AACM says:

    A Islandia sao 320.000 habitantes……..isto faz toda a diferenca.


  5. Dizem que Chipre também não é muito grande. Parece que não fez diferença nenhuma 😉

  6. Fernando says:

    Portugal, esse país enorme, com uma economia enorme nunca poderia meter a merda da laranjada bancária do BPN na cadeia como a Islândia faz aos seus banqueiros, é que Portugal é mesmo muito grande pál!!!

    • AACM says:

      Portugal governado pelo PS nacionalizou um prejuizo que nao lhe dizia respeito. Esse governo afirmou na altura que essa nacionalizacao nao custaria 1 euro aos contribuintes. Esse governo foi eleito democraticamente pelos Portugueses. Agora paga e nao bufes.

      • Fernando says:

        Agora pago e não bufo?
        E que tal pagar só você e os restantes idolatras de criminosos?

        • nascimento says:

          Na o alcoólico anônimo come merda, finge nada saber do banco do PSD….ele até votou na múmia…aposto.

  7. julio says:

    Espetáculo 🙂


  8. Portugal está “adormecido” ?? Que parte de Portugal ?? Os governados ou os governantes ?? e seus amigos ?? E o que fazem os que há 2 anos fazem greve e perdem o salário desses dias e quem lhes paga o que perdem ?? Quantos dias de greve já houve durante o mandato destes neo-nazistas ?? e como se confrontam ?? A greve não resolve nada como se tem visto – os intelectuais que aqui escrevem só a ACUSAR e nem greve fazem nem dizem o que fazer – querem confrontos com canhões ??? ou serão “governantes disfarçados debaixo de pseudónimo” só para provocar e serem inúteis e parvalhões ???? SIC-05 dez – os contrafeitos da ZARA no Bangladesh – estes intelectuais não quererão antes elogiar mais os espanhóis que vendem baratinho em Portugal feito de trabalho escravo no Bangladesh (e India) que trabalham 18 horas por dia encerrados e de portão fechado à chave e com salários miseráveis – espanhóis que também vendem no Monoprix e outros lojas até mais “chiques” dos Champs Élisés e em Lisboa – E não falam nos Estaleiros de Viana e em que mais que já ardeu nem nos CTT e ANA e TAP e nada têm a dizer que valha a pena ler nem falam em quem levou desde 2008, a maioria das pequenas e médias empresas às falências e quantos ao suicídio ?? ai os portugueses (quais ?? )adormeceram e este senhor Júlio que escreve não os acorda ou é só via internet ?? olhe que nem todos os que adormeceram têm dinheiro para pão quando mais para internet – ou quem aqui escreve é alguém que estudou talvez 15 anos de borla com o meu IRS e fugiu para o “inimigo” para ter emprego melhor ?? E não falam nas centenas de eurodeputados em Bruxelas e o que lá estão a fazer a vender o país à UE desde 1986 ?? Porque no te calas ?’ porque não são politólogos nas TV ?? De que intelectuais está este país enxameado e que “acordam os portugueses ?? !! – Agora (01:25H) vejo na RTPInfomação a cultura de arroz em que casa saca de 50 kg custa 17 euros e um ESPANHOL contente em BAFATÀ – guiné – só se for arroz transgénico, é o que me cheira – a Zara já não é o que era e vão assim para a Guiné e não sei porque não vão para a “sua” américa latina – o que é que espanhóis estão a fazer em Bafatá – serão como os da Pesca de arrasto que dizimaram os mares com redes de plástico e que pescam até clandestinamente ?? Como já sabia mas hoje em Reunião da LPN – Liga de protecção da Natureza – DEBATE – tema OCEANOS – com Emanuel Gonçalves do Instituto Superior de Psicologia Aplicada + José Lino Costa da Fac de Ciências da Universidade de Lisboa + Lia Vasconcelos da Fac de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa – até que enfim que encontrei quem não diz vulgaridades – e hoje, no telejornal, quantas baleias deram ao areal da Califórnia e morreram e porquê ?? pois e escrevem os aventares estas vulgaridades – pena – já basta de governantes incluindo “autarcas” INvulgares

  9. Carlos says:

    Como alguém disse, os números da população da Islândia não são propriamente os de Portugal. Por outro lado, há uma pequenina, uma insignificante diferença: É que já nem é uma questão de Governos mais ou menos capazes, independentemente de serem liderados por lésbicas ou por tenores: É que Portugal tem portugueses. A Islândia que tem islandeses, não tem necessidade de andar aos tiros a criminosos porque quase os não tem como os da nossa pinta. Por lá, deve ser do frio, é tudo mais soft. Por cá, deve ser pelo calor, mata-se, queima-se e esfola-se por dá cá aquela palha. Por isso, enquanto por cá houver portugueses vai ser difícil que qualquer Governo assuma o que quer que seja da dívida de cada um de nós, daí assumirem apenas a de meia dúzia.


  10. A Islândia tem 3% dos habitantes de Portugal, tem um superavit da balança comercial,, tem autosuficiência energética e vastos recursos minerais (bauxite e, agora, petróleo), tem um fluxo constante de dívidas provenientes da exploração da sua posição geostratégica (radares civis e militares) e descomunal ZEE (licenças de pesca), e não teve uma crise económica (pelas razões acima citadas) mas financeira, estiramente resultante da actuação especulativa dos seus bancos nos mercados internacionais e consequente implosão. Só um analfabeto ou um aldrabão pode comparar a Islândia a Portugal.

    • anon says:

      espera,…
      comparar a Islândia com Portugal, COMO TU ACABASTE DE FAZER?


    • Caro JPT, diga-me uma coisa: a diferença populacional impede-nos de ter uma justiça capaz de julgar políticos corruptos ou gestão danosa? Impede-nos de fazer referendos? Impede-nos de tributar o sector financeiro para aliviar a pressão sobre as famílias? Não impede. mas determinadas paranoias pseudo-ideologicas impedem outros de ver alternativas.

      de resto não vou descer ao seu nível, os seus insultos são me totalmente indiferentes.

  11. dolores says:

    abaixo o brasil.

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  1. […] Entretanto, nesse estranho país chamado Islândia, coisas incríveis continuam a acontecer. Contos para crianças? […]


  2. […] Nesse estranho país chamado Islândia, a justiça já condenou 26 banqueiros a penas de prisão efectiva por crimes financeiros que tiveram impacto directo na crise financeira que em 2008 deixou o país de rastos. Gente grande e poderosa. Como se consegue este feito? Parece que, por aqueles lados, existe um sistema de justiça que funciona. E esse funcionamento abrange banqueiros, ao contrário daquilo que acontece por outras paragens. […]


  3. […] a vergonha. Há que perder também a vergonha de seguir o exemplo islandês. Sim, a Islândia. Esse estranho país que permite que se resgatem pessoas em vez de bancos e onde – pasmem-se – é […]

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