Temos que perder a vergonha de seguir o exemplo islandês

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Nem só de luta por mais justiça social se faz a nossa necessidade de perder a vergonha. Há que perder também a vergonha de seguir o exemplo islandês. Sim, a Islândia. Esse estranho país que permite que se resgatem pessoas em vez de bancos e onde – pasmem-se – é possível prender banqueiros criminosos[Read more…]

A «mentalidade pequena» de Cristiano Ronaldo

stock-vector-cartoon-baby-crying-vector-clip-art-illustration-with-simple-gradients-all-in-a-single-layer-216397903Quando eu era miúdo, vivia convencido de que era um dos melhores jogadores da minha rua, o que era verdade, porque não havia assim tantos miúdos na minha rua. Na realidade, tinha uns pés jeitosos, o que me valia umas marcações mais duras que me assustavam e/ou irritavam, levando-me a críticas azedas aos adversários, seres horríveis que não me deixavam driblar à vontade ou mostrar a minha esplendorosa visão de jogo. No fundo, não estava muito acima das criancinhas que ficam zangadas com as mesas contra as quais se magoaram, porque a culpa só pode ser da mesa.

Crescer, na minha opinião, não implica, infelizmente, corrigir os defeitos, mas obriga, no mínimo, a saber disfarçá-los. Quando se é uma figura pública e influente, essa obrigação torna-se mais premente.   [Read more…]

Prender banqueiros criminosos? Sim, é possível

Iceland

Nesse estranho país chamado Islândia, a justiça já condenou 26 banqueiros a penas de prisão efectiva por crimes financeiros que tiveram impacto directo na crise financeira que em 2008 deixou o país de rastos. Gente grande e poderosa. Como se consegue este feito? Parece que, por aqueles lados, existe um sistema de justiça que funciona. E esse funcionamento abrange banqueiros, ao contrário daquilo que acontece por outras paragens.

Por cá, na pátria dos brandos costumes, nada disto acontece. Em contrapartida, vão-se arranjando umas prisões domiciliárias de conveniência e quem paga a factura desta lucrativa forma de criminalidade somos nós. E como se isso não fosse suficiente, ainda temos que ver/ouvir um primeiro-ministro tecer rasgados elogios a uma dessas personagens. O que na Islândia é considerado um criminoso, é por cá tido como uma referência. Pelo menos para Pedro Passos Coelho.

Esse estranho país chamado Islândia

A Islândia é um estranho país de práticas muito pouco ortodoxas. Um país que se recusou, através de um referendo (onde é que já se viu consultar as pessoas sobre decisões que condicionam a sua vida e a das 50 gerações que se lhes seguirão…), a assumir dívidas de bancos privados que andaram a brincar à especulação, quais paranóicos radicais de esquerda. Um bando de lunáticos que tiveram a ousadia de levar a julgamento um primeiro-ministro que, como todos sabemos, se trata de uma herética afronta à democracia (pelo menos no caso do Portugal). Uma corja demente que elegeu uma primeira-ministra lésbica para governar um país de bem. Que raio se passa na cabeça destes islandeses?

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Escolher a democracia

e os direitos humanos em vez dos bancos. Sim, é uma escolha.

A democracia é uma chatice…

Confesso a minha quase total ignorância sobre a Islândia. À excepção da música de  Bjork e Sigur Rós ou Eiður Guðjohnsen, um jogador de futebol que andou por grandes clubes do futebol europeu, raramente ouvia falar deste país. Até à crise da Banca e posteriormente ao para mim impronunciável, vulcão Eyjafjallajökull. Após a crise da Banca e mudança política que se seguiu quando a população forçou a demissão do governo, muitos comentadores lusos que suspeito serem tão profundos conhecedores como eu da realidade islandesa, não perderam tempo a tecer loas ao governo social-democrata que assumiu o poder, procurando justificar em Portugal a defesa da tese do “não pagamos”. Com argumentação intelectualmente desonesta, foram omitindo propositadamente a presença do FMI e implementação de políticas de austeridade. Desenganem-se os portugueses que imaginarem que voltarão ao tempo das vacas gordas quando o PS for novamente governo. Procurando mais informação sobre a ingratidão do povo islandês, passei pelo Arrastão, 5 dias ou Jugular mas nem uma explicação, até tropecei na azia de quem se julga moralmente superior. Mesmo os especialistas cá da casa permanecem em silêncio. Não falta em Portugal quem considere apenas legítima a defesa dos seus pontos de vista, uma espécie de superioridade moral. Esquecem que é sempre do eleitor a última palavra…

Povos que não aguentam:

o islandês. Sim, os parvos somos nós.

Os islandeses começaram a prender banqueiros?

Lárus Welding assiste à sentença

Parece que sim! (Tradução automática.) Guðmundi Hjaltasyni e Lárus Welding foram condenados a 9 meses de prisão por um negócio de 100 milhões. É certamente pouco tempo, mas é também um começo.

O crime destes senhores foi um crime contra a economia da Islândia, autorizaram empréstimos sem garantias, ignorando a opinião dos avaliadores de risco do próprio banco. Tão simples quanto isto.

Se transpusermos este caso para Portugal, teríamos de prender quase todos os banqueiros nacionais. Os banqueiros nacionais envolveram-se em práticas estéreis para a economia. Guiados pela ganância, pelo amiguismo e pelo lucro rápido e abundante.

Foi prática comum os bancos nacionais emprestarem dinheiro a certos “empresários” para comprarem acções dos próprios bancos por motivos muitas vezes interesseiros (ver o caso de Manuel Fino com a CGD, de Joe Berardo com o BCP, etc) . Os banqueiros usaram estas tácticas para obterem maiores bónus para si próprios, para obterem vantagens tácticas dentro dos próprios bancos, que facilitassem a ascensão ao poder de certos grupos ou interesses, ou então, nas lutas entre bancos. Outra prática comum foi a forma como os pequenos investidores foram pressionados a investir nos próprios bancos, mais uma vez por motivos interesseiros, muitas vezes por gestores de conta apenas interessados em cumprirem objectivos irrealistas.

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Constituição islandesa feita pelos cidadãos

Salta-me à vista esta notícia, «vinda» da Islândia: “A futura Constituição islandesa poderá ser a primeira no mundo a incluir propostas redigidas por cidadãos (…) 25 pessoas de diferentes áreas eleitas em 2010 e que ao longo de 2011 pediram ideias a todos os islandeses através da Internet, obtendo 3600 comentários e 370 sugestões. (…)  As reivindicações para a que a nova Constituição fosse redigida por cidadãos seguem-se à crise de 2008, quando o sistema bancário do país entrou em colapso.”

O povo a escrever a sua Constituição!

Que se copiem os bons exemplos. Será que conseguimos? Eu acredito que sim!

(Não estará na altura certa?)

E por falar na Islândia… Sabia que o desemprego neste país desceu de 12%, em maio de 2010, para os 5%, em setembro deste ano?

Eles estão a trabalhar bem!

Não contem a ninguém, a Eslovénia virou à esquerda

Esse senhor aí na fotografia ganhou as eleições na Eslovénia. Percebo tanto da política interna da Eslovénia como da vida partidária do Burkina Faso, mas ontem o Le Monde anunciava Zoran Jankovic como sendo um esquerdista, hoje já é do centro-esquerda, chegar ao poder é tramado. Para todos os efeitos arrumou com o PS local que estava no poder e com a direita que deveria ter feito o alterne.

Ora bem, falo disto não só por ser uma boa notícia mas aproveitando para lhe perguntar: você sabe que o Partido Comunista do Chipre está no poder desde 2008? e lhe garantir que esta notícia não vai circular por aí. É segredo. A Eslovénia é um país pequenino, tal como o Chipre ou a Islândia, mas não convem contar estas coisas antes que as pessoas descubram que a esquerda pode ganhar eleições, a democracia prosseguir, e as velhinhas não apanharem uma injecção atrás da orelha nem as criancinhas serem papadas ao pequeno-almoço. É como o Pai Natal: se revelarmos que não existe é uma desilusão do caraças, e sabe-se lá o que pode fazer um povo desiludido. Ainda deixam de votar sempre nos mesmos e o fim do mundo é logo a seguir.

Björk, a religião pública e a privada

Quando os cruzados chegaram à Islândia e pretendiam converter à força a população ao cristianismo, houve uma reunião no parlamento, e um dos líderes pagãos, Þorgeir Ljósvetningagoði, depois de dormir uma noite sob uma pele de carneiro, propôs uma solução: quando eles aqui chegarem, dizemos-lhes que já somos cristãos. Daí surgiu uma lei que ainda existe que autoriza que, em privado, cada um possa praticar a religião que quiser. É por isso que os cultos pagãos continuam a ser populares: é essencial não cortar a ligação com a natureza e aprender a colaborar.

Björk, em entrevista a João Lisboa

Ideias para o verão – fugir dele

Fugir para terras onde o verão nem chega a ser a sério. A Islândia está barata.

Islândia: ex-primeiro ministro julgado por negligência

Que a Europa é composta por países, culturas e mentalidades muitos diversas, é coisa que não me oferece dúvidas.

Na Islândia mobilizam-se cidadãos e constituem-se comissões capazes de fazer o que por cá é impensável: julgar um ex-primeiro ministro por má governação.

A lei portuguesa também o permite, mas o “sistema” nem por isso, seria que necessário que os portugueses passassem -para si mesmos e para quem os “representa”- de eleitores a cidadãos.

Mas isso, visto daqui, parece mera utopia, um pouco como se este planeta fosse um e a Islândia outro. E no entanto…

A distância de Portugal para Islandia é de 2930 Kilometers ou 1821 Milhas. Um voo normal entre portugal, e islandia terá um tempo de viagem de cerca de  4 horas. Isto assume uma velocidade média de voo para um avião comercial de 500 mph, o que é equivalente a 805 km/h ou 434 nós. O seu tempo exacto pode variar dependendo da velocidade do vento.

Inspirado pela Islândia

Só é pena (já) não ter caminho-de-ferro; fora isso…

Podemos ir para default (bancarrota) e islandarmos-nos?

Três economistas convidados pelo Expresso respondem a algumas questões, incluindo se irmos para bancarrota (decidir-se não pagar aos credores) é ou não uma opção.

A troika quer tornar Portugal um exemplo

DESTAQUES

“Dadas as condições a que chegámos nos últimos meses, o pedido de auxílio foi a solução mais adequada. Um default – total ou parcial – seria impensável nos dias de hoje.” (Nuno Fernandes)

“Enquanto estivermos dentro da União Económica e Monetária temos de fazer o que a União quer.” (Nuno Garoupa)

“O modelo de default de 1892 não é muito abonatório para solucionar os nossos problemas atuais. Isto não quer dizer que não vai haver reestruturação ou renegociação das nossas dívidas. Sinceramente, acho que há uma grande probabilidade que tal venha a acontecer.” (Álvaro Santos Pereira)

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Islândia, um povo com coragem

ia a dizer tomates, mas a Islândia nem tem clima para os criar:

o NÃO

ganhou.

Não a pagarmos as dívidas dos bancos. Não a sermos parvos. Sim a sermos cidadãos, no voto, na rua, e a mandar a crise financeira deles para a puta que a pariu.

Sim, apetece-me dizer sou islandês. Não, quero ser português: com tomates. Como de resto as portuguesas sabem ter, no sítio. Vamos a isso.

 

Inspirado pela Islândia

Islândia: O país da caixinha para a moeda

Agosto de 2009: duas semanas de férias na Islândia! Foi assim que conheci o país. Ou melhor, que o visitei pois, como todos sabemos, não é em duas semanas que se fica a conhecer um país, por mais pequeno que seja, e muito menos em “contexto férias”.

Ainda assim, esse período bastou para dar uma volta completa à ilha, com o vagar que as pequenas distâncias permitem e a facilidade de orientação geográfica assegurada pelo facto de ter optado por percorrer a única estrada integralmente asfaltada do país. Uma enorme vantagem para quem, como eu, não nasceu com GPS incorporado.

Os sacos estão à disposição do freguês, que coloca as moedas na caixa

Apesar de tranquilas ou, se calhar, precisamente por isso, foram duas semanas intensas, ricas em sensações fortes.

Desde deslumbramento perante paisagens belíssimas: fiordes, glaciares, quedas de água, montanhas imponentes, enormes extensões de verde, intercaladas por rebanhos de ovelhas, cavalos islandeses, casas de madeira com telhados cobertos de turfa.

O que se poderá presumir de uma nação que não tem exército…?
De uma nação cujas forças policiais não andam armadas…?

Até um enorme respeito pela terra que pisamos, conscientes da poderosa actividade vulcânica e geotérmica que se desenrola debaixo dos nossos pés – em alguns locais, a menos de 100 metros de profundidade! – e cujas manifestações se vêem, sentem e cheiram (aprendi que o enxofre cheira a ovos podres!) por todo o lado, em crateras de vulcões extintos e activos, campos de lava, fontes termais, geisers e fumarolas, que nos recordam constantemente o nosso verdadeiro lugar no planeta.
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Islândia: Acordo ou Não Acordo?

A Islândia vai realizar um referendo a 09 de abril para votar um plano de reescalonamento de 4,2 bilhões de dólares, uma posição contestada pelos governos da Grã-Bretanha e Holanda. O presidente da Islândia, Ólafur Ragnar Grímsson desencadeou a votação no mês passado após vetar um plano revisto para pagar a dívida em dinheiro depois do colapso do Landsbanki, um banco islandês privado, e do seu banco online, Icesave, que oferecia aos seus clientes condições de depósito de elevado rendimento.

Em 09 de outubro de 2008, o chanceler britânico do Tesouro, Alistair Darling, utilizou leis anti-terroristas para assumir o controlo dos activos detidos na Grã-Bretanha pelo banco islandês. Alistair entrou em cena para proteger os depósitos feitos por residentes no Reino Unido no Landsbanki com sede em Reikiavik, que o governo da Islândia tinha nacionalizado no dia anterior. O governo do ex-primeiro-ministro Gordon Brown decidiu utilizar as leis anti-terroristas não apenas contra o banco privado, mas também, em certa medida, contra toda a economia da Islândia, com consequências desastrosas para as importações, exportações, operações bancárias, empresas e particulares. Foi o terrorismo económico no seu pior, resultando no total colapso da economia islandesa.

A Islândia é uma pequena ilha-nação do Atlântico Norte, desmilitarizada, e um dos membros fundadores da NATO, juntamente com os Estados Unidos da América, Reino Unido, Holanda e outros. Apenas este acto por si só, a imposição de regras anti-terrorismo a um membro NATO, é um truque sujo que tem de ter consequências. Não há dúvida de que, pelas suas acções, o governo britânico afastou a responsabilidade do governo islandês pelo Landsbanki , pelo seu banco online Icesave e seus regimes de poupança. O governo britânico fechou o banco e tomou a responsabilidade de reembolsar os depositantes na íntegra.

Porque pede agora o governo britânico um pagamento aos contribuintes islandeses pelas suas próprias políticas arrogantes? Da mesma forma, não devem os holandeses, que têm um problema semelhante ao Icesave, decorrente da aplicação da lei anti-terrorismo britânica, pedir o reembolso das suas perdas no “Icesave” inglês?

É ilegal na União Europeia assegurar as obrigações dos bancos privados por parte dos governos. É contra os princípios da União Europeia subsidiar empresas privadas, portanto o governo islandês estaria infringindo a lei ao concordar em pagar, com dinheiro dos contribuintes, essa reivindicação britânica. A massa falida da Landsbanki deve ser responsável por esse pagamento, não o povo islandês. É também uma violação do artigo 40 da Constituição da Islândia o parlamento islandês endividar os seus cidadãos numa forma que pode comprometer o futuro financeiro das gerações vindouras.

Seria uma espécie de “justiça poética” se a nação islandesa dissesse “NÃO” ao “Acordo Icesave” no referendo. Este seria um passo em frente na direcção da cura do contribuinte médio para o longo problema que enfrenta. “NÃO” é uma palavra de três letras mas, neste caso, é uma resposta curta e doce para as questões mais frequentes sobre o que é “risco moral”.

Texto de Gudmundur Franklin Jónsson, cidadão islandês publicado em The Reykjavík Grapevine

Islândia: Taxas de câmbio da coroa islandesa refletem a recuperação da economia nacional

clip_image001Escrito por Tom Cleveland, analista de mercado de câmbio
Publicado a 27 de Março de 2011 no site  www.icenews.is

Enquanto que o maior evento da última década no mercado cambial foi, certamente, a bem sucedida introdução do euro, muitos poderão ter negligenciado os resultados das mais nórdicas moedas da “coroa”, pertencentes aos países escandinavos e à República da Islândia. Cada uma delas consegui bem manter-se em linha com o sucesso do euro, mas a disrupção e a divergência marcaram o caminho destas moedas depois da crise económica global de 2008. A Islândia, fortemente atingida, impôs mecanismos modificados de controlo da moeda para evitar a retirada imediata das verbas de investimento em moeda estrangeira, mas as condições actuais parecem ser suficiente favoráveis para que se considere terminá-las de forma progressiva.

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Dos rebuçados para a gasolina

Ah, ainda me lembro desses tempos de humildade, em que passávamos a fronteira para comprar rebuçados, chocolates e bacalhau. Do outro lado era mais barato. A peseta estava com um câmbio a jeito e o passeio servia de argumento. Outros tempos.

Hoje, não há peseta nem escudo. Já não vamos ao bacalhau. Nem consta que aos rebuçados ou chocolates. Vamos ao combustível.

Não fosse tão longe e frio e valeria a pena fazer formação profissional, tipo novas oportunidades, na Islândia.

Islândia, as crises não são solteiras

Em breve no Aventar, os factos, as opiniões: afinal o que se passa na Islândia?

Bons Exemplos

O Parlamento islandês decidiu processar o ex-primeiro-ministro Geir Haarde, que governava o país na altura em que o sistema financeiro se afundou, em Outubro de 2008, por “negligência”.

Público

Ao cuidado da selecção nacional (de futebol)


Um país que tem músicos para isto, um país que depois de cair no mais liberal dos liberalismos soube levantar-se e votar no mais à esquerda que tinha, um país que mete o seu Geir Haarde (em português: de Cavaco a Sócrates), ex-governante responsável directo pela sua bancarrota em tribunal, um país assim não merece uma grande abada.

Só uma abadazita. Amanhã não passem dos 4 ou 5 sff.

Obrigado.

Do vulcão europeu ao 11 de Setembro nos EUA

O vulcão Islandês que provocou o caos aéreo durante alguns dias, sobretudo  na Europa, veio mostrar, tal como o 11 de Setembro nos EUA, as fragilidades da mundialização em que vivemos.
Há alguns pontos comuns nos dois eventos que vale a pena realçar.
Por um lado, ambos tiveram  baixos custos de produção, o vulcão nao custou nada, os atentados foram feitos com alguns milhares de dólares. Ambos puseram os espaços aéreos das respectivas zonas onde aconteceram, durante alguns dias, interditos, com enormes prejuizos para as economias, particularmente   das transportadoras aéreas e passageiros.
Ambos tiveram a capacidade de mostrar as fragilidades do mundo em que vivemos, desorganizando a deslocação de pessoas, bens e mercadorias, provocando grandes perdas às companhias transportadoras e enormes transtornos a cerca de 7 milhões de pessoas deslocadas.
No caso dos EUA, segundo a OCDE, os  prejuizos directos e indirectos para a economia americana foram da ordem dos 22,347 mil milhões de euros.
Um estudo recente do banco HSBC estima em 150 milhões de euros os custos para as 5 maiores companhais aéreas durante os primeiros dias de paragem. Falta analisar o resto.
O frete aéreo só representa 5 % dos fretes a nivel mundial, mas em contrapartida, representa 40% do tráfico mundial de mercadorias, segundo o Prof. Daniel Mirza, estudioso do Centro de Estudos Prospectivos e Informação Mundiais.
Entretanto, houve quem ganhasse com a desgraça “alheia”; as empresas de transportes, os comboios, os TGV´s, que tiveram a sua hora de glória pela rapidez que alcançam, as autoestradas, os túneis, como o da Mancha, que tiveram os seus maiores picos  de fluxos durante estes dias, com tudo a passar por eles. Por outro lado, algumas regiões ganharam turisticamente, porque, se não se pode ir para o Norte passar férias, vai-se para o Sul à última hora.
Porém, as questões já levantadas pelo 11 de Setembro e agora renovadas pelas cinzas do vulcão Islandês  têm sido abafadas por duas vontades convergentes, a dos paises emergentes e a volúpia do lucro a todo o custo. A esperança do lucro sobreleva sobre os perigos do terrorismo ou de uma catástrofe mundial e só uma nova consciência social poderá pôr termo à situação.
Há uma incógnita no meio disto.
Até que ponto os impactos psicológicos das e nas  pessoas podem alterar a situação,ou seja, até onde, em nome da mundialização e do lucro, elas estão dispostas a correr riscos pessoais?

A olhar para o vulcão que parou a Europa

Enquanto espera no aeroporto pode acompanhar os acontecimentos locais através de uma  webcam da vodafone, com imagens de 6 em 6 segundos, e uma barra de tempo que nos permite procurar fotos como estas:

Mais webcams:

http://eldgos.mila.is/eyjafjallajoku…thorolfsfelli/
http://eldgos.mila.is/eyjafjallajoku…immvorduhalsi/

Informação roubada no fórum  meteopt.com

O vulcão Eyjafjallajökull contado por um português na Islândia

Tinha de haver um. Ivo Gabriel é o português que vive na Islândia e que nos conta do vulcão Eyjafjallajökull, a borboleta que bateu as asas num glaciar  e  provocou uma grande seca nos aeroportos. Nas suas Iceland Views

O tolinho salta de contente…

Perante o desastre eminente e a proximidade da discussão do Orçamento, multiplicam-se as vozes a alertar para a situação do país e para a necessidade de se falar verdade!

Primeiro, o Presidente da República veio, na sua declaração de Ano Novo, repor a verdade dos factos em contraponto ao verdadeiro chorrilho de mentiras com que Sócrates nos brindou dias antes.

Para Sócrates, fomos o último país a entrar na crise e o primeiro a sair, todos os dias inaugura obras que já inaugurou meses atrás, não vê as empresas a fechar e o desemprego a aumentar, não ouve Constâncio, nem João Salgueiro, Luis Campos e Cunha, as instituições financeiras internacionais que nos apontam como um dos países em risco de entrar em colapso…

A Grécia apanhou um “ventinho” do Dubai e entrou em órbitra e se não se aguentar, o efeito pode-nos atingir sem piedade.

O sobre-endividamento aconselha prudência e caldos de galinha, senso e humildade, nada que o nosso primeiro tenha. Tudo para ele são favas contadas, como se alguem acreditasse que, estando lá ele há cinco anos e nada tenha feito, o vá fazer agora.

Entretanto a Islândia, com um sobre-endividamento igual ao nosso soçobrou. O que quer dizer que vai entrar noutra crise, não consegue crescer para poder conter e pagar os déficites. Estudos efectuados sobre os últimos 200 anos, mostram que o endividamento é um factor crucial para a evolução da economia. Portugal com o nível de endividamento que tem já não cresceu na última década e vai continuar a não crescer nos próximos dez anos ( Luis campos e Cunha/ Rogoff).

Entretanto, na primeira reunião para discussão do Orçamento já se fala abertamente em aumentar impostos, coisa que há um mês atrás era uma herezia.

É neste contexto que os sábios estão preocupados e os tolinhos estão optimistas …

A lógica do Estado corporativo

O referendo é a instituição democrática por excelência e praticamente a única que temos em Portugal. Mesmo as eleições, são de tal maneira formatadas pelos directórios partidários, com candidatos tão afastados do povo e dos problemas, que pouco significado democrático têm.

Mas o que se vê é que nós portugueses, pouco poder  democrático temos e, mesmo esse, rapidamente o transformamos em qualquer coisa pouco credível, ao sabor dos interesses de classes, de pessoas e de corporações.

Há casamento gay? Porque não o referendo? Logo vêm à liça os que querem que a Lei passe, interessa lá o referendo! Regionalização? Venha lá a regionalização e depressa que isso do referendo só atrapalha. E o referendo? Não interessa nada, “eles” resolvem, os tais que passamos a vida a criticar, os tais que não têm credibilidade nenhuma, “eles” tratam, e nós, cidadãos, somos pelas nossas mãos os verbos de encher que merecemos ser! [Read more…]

Há tempestade no horizonte

O Dubai anda com uma mão atrás e outra à frente, vale-lhe pertencer aos Reinos Árabes Unidos que podem muito financeiramente, e não o deixam cair. Muitos investimentos públicos, muitos serviços financeiros e de lazer, muita economia de casino, uma dívida colossal que não consegue pagar.

Agora está aí a Grécia, com uma dívida maior que a nossa, sem indústria e agricultura que dê consistência à sua economia. Vive dos serviços, turismo e pouco mais. Se a Grécia não se aguentar no euro quem se perfila a seguir? O paraíso socrático!

A UE não vai deixar, porque isso seria uma machada no Euro e na coesão da UE, mas a situação da Grécia, não pode deixar esquecer a Islândia cheia de serviços e que tambem anda com uma mão à frente e outra atrás. E a pedir para entrar no UE!

Portugal está numa situação muito pior que a que nos pintaram nos últimos quatro anos. O déficite está nos 8.7%, a dívida nos 100%, o crescimento é abaixo de zero, o desemprego está acima da barreira mítica dos 10%.

E é nesta situação que querem construir o TGV, autoestradas e outros megainvestimentos, com recurso à dívida externa que não conseguimos pagar. A notação financeira de Portugal já baixou para medíocre o que quer dizer que os investidores olham para o país como potencialmente, incapaz de cumprir e, como sinal que o dinheiro, se o emprestarem, vai ser mais caro. Mais risco de incumprimento, mais caro!

Como é que se paga a dívida se não crescemos? Criar riqueza é que é o ponto, pedir dinheiro emprestado e fazer obras de betão todos fazem. Todos andam preocupados menos o Primeiro Ministro que, qual tolinho, salta de alegria no meio dos escombros…