Os monstros e o futuro

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Pela quinta vez, num espaço de pouco tempo, vejo aqui referências a Ali Babá como se este pobre e honesto personagem fosse cúmplice – ou mesmo chefe! – dos cruéis 40 ladrões da história das 1001 Noites.

Ali Babá foi, pelo contrário, o modesto espertalhão que enganou os bandidos e lhes roubou pingues tesouros. Mantendo-se discreto, lá ia surripiando o que podia – ladrão que rouba ladrão… – sem dar nas vistas, ao contrário do seu ambicioso e bronco irmão que, por imprudente, acabou esquartejado aos pedaços pelos despeitados ladrões. E conta-se um conto tão violento às crianças? E outros, que bem sabemos que os contos tradicionais, quer estejam recolhidos em livros mais ou menos clássicos – ou mesmo sagrados – quer estejam dispersos pela tradição popular, estão cheios de sangue, violência, monstros. Muitos monstros. Gigantes que comem crianças, bruxas más, vampiros, reis brutais, dragões, deuses e demónios intrometidos e com mau feitio, assassinos de toda a sorte. E isto não aterroriza crianças e adultos? O que tiram eles, afinal destas histórias? O que aprendem? Que existem monstros? Não. As crianças, tal como os adultos, sabem que os monstros existem. O que os contos ensinam é que eles podem ser vencidos. Que seja esta consoladora mensagem que nos ajude a enfrentar com coragem o ano que aí vem.

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