Pinto da Costa morreu

Calma. Este não é um post sobre nenhum habitante do Oceanário.

Não é também a expressão de um desejo benfiquista – sou sócio do Sport Lisboa e Benfica mas a mensagem de Eusébio é para mim algo com significado muito real. Corro riscos com este título, até porque os meus amigos azuis do Aventar lidam menos bem com a divergência clubística, o que me surpreende sempre muito. Nem que fosse por compaixão pelas minhas derrotas (ao minuto 92) bem mais frequentes que as deles, poderiam tolerar melhor as minhas bocas, mas voltemos ao rumo da escrita.

Orgulho-me do património Luso que retirou das práticas políticas e judiciais a pena de morte e, até como católico, jamais poderia desejar a morte de alguém.

O título do post é apenas um instrumento de provocação.

A pergunta ” E quando o Pinto da Costa morrer?” esteve presente nas conversas a propósito da morte do Eusébio. E, do que me apercebi, a referência era feita em torno de duas ideias: a cobertura mediática e o Panteão. Continuar a ler “Pinto da Costa morreu”

O desemprego na Europa e a emigração em Portugal

A Europa

Deixo agora de parte o ‘sistema financeiro internacional’, a desregulação da banca, os paraísos fiscais, o funcionamento bolsista e todas as estruturas e agentes promotores da profunda crise que se derramou pelo chamado mundo ocidental (Europa e EUA).

O Eurostat acaba de divulgar números do desemprego na UE28 e, especificamente, na Zona Euro; esta, sabe-se, é parte da primeira, distinguindo-se pelo uso de moeda única, euro, pelos Estados-Membros que a integram – caso de Portugal.

Uma súmula de dados transmite com clareza a ideia do desastre socioeconómico europeu, o qual nem mesmo o sucesso alemão consegue esbater. Atente-se nesses dados, reportados a Novembro de 2013:

  1. Estimativas de desemprego na UE28: 26.553 milhões de cidadãos, dos quais a maior parte (19.241 milhões, i.e., 72,4%) pertence à Zona Euro.
  2. Comparado com Novembro de 2012, o desemprego aumentou de 278.000 cidadãos na UE28 e 452.000 na Zona Euro. Continuar a ler “O desemprego na Europa e a emigração em Portugal”

O meu Lamborghini e os *artefatos *piroténicos

Há poucos dias, fiquei a saber que ‘co-adopção’ (à qual já dediquei umas linhas aqui e ali) conseguiu uns miseráveis 2% numa iniciativa da Porto Editora — confesso que acabei por não perceber qual das grafias foi a concurso. Aliás, tenho algumas dúvidas acerca da elegibilidade para uma competição deste tipo de uma palavra que, como é do domínio público, é actualmente grafada de três formas diferentes: a da Bayer, a do AO90 e a outra.

Durante as (sempre, sempre) curtas e (infelizmente) chuvosas férias em Portugal, soube também (obrigado, J. Manuel Cordeiro, pelo pertinente apontador) que “a inserção do número de contribuinte na fatura [sic] permitirá a qualquer consumidor final habilitar-se a ganhar um carro por semana”. O tema da *fatura é fascinante e já surgiu por estas bandas. Conceptualmente, “fatura simplificada” é redundante. E “fatura com inserção do número de contribuinte” é um paradoxo, pois, sendo ‘fatura’ o mesmo que ‘factura simplificada’, aquilo que efectivamente acabamos por obter é “factura simplificada com inserção do número de contribuinte”. Como sabemos, ”factura simplificada com inserção do número de contribuinte” não faz qualquer sentido e quem escreveu a legenda da foto que ilustra o artigo apontado concordará comigo.

Contudo, admito, ao ler a notícia, a  dúvida que imediatamente me assaltou foi a de saber se é possível, ao pedir uma factura, ganhar um Lamborghini. Para mim, o conceito “um carro” é extremamente vago. Se querem mesmo oferecer-me um carro, era este Lamborghini Aventador, sff.

A propósito, ontem, ao chegar a casa, deparei-me não só com os habituais “fatos constantes da candidatura”, mas também com uma salada mista de gosto bastante duvidoso. Sim, no sítio do costume:

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Foi em Março do ano passado (para os mais distraídos, convém lembrar que nos encontramos em Janeiro deste ano) que o ILTEC nos garantiu

o AOLP90 já foi quase plenamente aplicado, como o Estado determinou, sem problemas de maior.

Por onde andam os defensores da teoria do aquecimento global?

-O profeta Al Gore e seu séquito de fanáticos do apocalipse, bem podem tirar férias por estes dias. No Central Park em N.Y. a temperatura desceu a valores de 1896, anteriores às teorias apresentadas pela brigada do pensamento único correcto, que não admite sequer discussão. Fenómenos extremos sempre existiram e muito provavelmente sempre irão existir. Já a lucrativa indústria ambiental que floresceu nas últimas décadas, continuará por mais algum tempo a engordar a sua conta bancária, pois não faltam crentes na sua religião um pouco por todo o mundo…

Eusébio, Sócrates e as autárquicas

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Confesso que a polémica sobre o que José Sócrates disse na RTP me estava a passar ao lado. Não vi o programa e o que vi nas redes não foi suficiente para me despertar a curiosidade. No caso de José Sócrates atingiu-se um ponto tal que mais parece uma discussão Porto-Benfica. A racionalidade da coisa perdeu-se pelo caminho.

Porém, agora mesmo, nas redes sociais, dei de caras com um post do Domingos Amaral. Fiquei a pensar. Esta história, aparentemente desmontada pelo autor, fez-me recuar ao período eleitoral autárquico de 2013 e o que se passou nas redes sociais. Para não ser acusado de exagero direi que em todos os distritos (desconfiando que foi mesmo em todos os concelhos) existiam páginas de facebook falsas e blogues anónimos de campanhas negras. Recordo o caso do Porto com o famoso “menezolândia” ou o “libertem o JN”. Aliás, Luís Filipe Menezes foi, provavelmente, o candidato autárquico mais atingido por este tipo de campanhas a nível nacional. Eram plantadas frases retiradas do seu contexto, criadas novelas  e facilmente a mentira era transformada na mais pura das verdades e convenientemente espalhada por profissionais e por incautos ingénuos.

Perguntam, como se combate semelhante? Nesta era em que a força das redes sociais e em especial do facebook atingiu, em Portugal, semelhante grau de importância/audiência torna-se quase impossível.

A melhor forma de combater a manipulação, como escrevi num outro blogue sobre outro caso/tema conexo, é não a ignorar e procurar não ser ignorante. Ou seja, a melhor forma de a combater passa pela procura da informação, do conhecimento. A ignorância é a melhor arma da manipulação. A comunicação política sempre assentou na tentativa da manipulação. Umas vezes tragicamente negativa, outras francamente positiva e sempre, mesmo sempre, fruto da falta de informação do receptor.

Ora, o texto de Domingos Amaral é disso um bom exemplo. Era tão simples saber que nesses anos os estudantes tinham aulas ao sábado. Era tão simples primeiro procurar a informação e só depois comentar. Mas não. A lógica nas redes sociais é primeiro atirar e perguntar depois. Como no velho oeste.

Como escrevi noutro post, sobre um outro caso de aparente manipulação nas redes: “A comunicação está a mudar, habituem-se”. O problema é que a malta não se quer habituar e prefere continuar a nadar na ignorância. É Portugal no seu melhor…

Cavaco no Panteão, já?

Melhor no de Santa Cruz. Assim, o D. Afonso Henriques, mesmo com 900 anos, ainda lhe assenta umas valentes espadeiradas.

Possibilidades

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Olhando para o actual “governo” (e para os anteriores, claro), podemos dizer com toda a propriedade (privatizada) que os portugueses votaram acima das suas possibilidades.

Príncipes de Portugal, suas grandezas e misérias *

Nos últimos dias, por motivo da morte de Eusébio, falou-se muito no Panteão Nacional. A Presidente da Assembleia da República, vários partidos (PS, PSD, CDS, principalmente), vários políticos, o presidente do S. L. Benfica, etc.

Todos estes intervenientes no sentido de serem transladados para o Panteão Nacional os restos mortais de Eusébio.

A comunicação social, na generalidade, deu grande destaque ao tema. Mas deu-me a impressão de que a maioria das pessoas que falou sobre o assunto não sabe o que é isso do Panteão Nacional. E ainda a qual deles se estava a referir. Confusos? A questão é simples. O Panteão Nacional, seja ele o da Igreja de Santa Engrácia, Lisboa, seja ele o do Mosteiro de Santa Cruz, Coimbra, não é um monumento, é um estatuto, uma função. Em 1916, essa função foi atribuída à Igreja de Santa Engrácia, em Lisboa. E  aí estão os restos mortais de escritores e ex-presidentes da República. As excepções são Amália Rodrigues e Humberto Delgado. Por outro lado, em 2003, foi atribuído ao Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra o mesmo estatuto/função, o de Panteão Nacional. Esta decisão foi fundamentada pelo facto de aí estarem sepultados D. Afonso Henriques** e D. Sancho I. Outros monumentos há, que também poderiam ter essa função/estatuto. Por exemplo o Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa, onde estão os restos mortais de Luís de Camões, de Vasco da Gama ou de Fernando Pessoa.

Quanto à eventual trasladação de Eusébio, e estando uma discussão em aberto, a questão deve ser muito bem ponderada, com a razão e não com o coração. Eusébio foi e será um dos maiores futebolistas de sempre? Sem dúvida! Esse estatuto foi obtido com a camisola da selecção nacional? Não me parece, apesar do Mundial de 66. Foi com a camisola do Benfica que Eusébio se mais notabilizou em todo o lado. E isto não é coisa pouca. O Benfica teve, na altura, uma das melhores equipas do mundo, e em alguns períodos foi mesmo a melhor equipa do mundo!

Mas na altura Portugal era outro país, que felizmente acabou e ao qual não quero regressar.

Se eu fosse adepto do Benfica quereria que ele fosse sepultado no Estádio da Luz.

 

*Título de um livro de Aquilino Ribeiro (também ele está no Panteão Nacional,Santa Engrácia, com alguma polémica à mistura), cuja leitura recomendo.

**Não há a certeza. Relembro que a investigação prevista sobre esta matéria foi proibida, isto é, não foi autorizada a abertura do túmulo e consequente análise ao seu interior por partes de investigadores da Universidade de Coimbra. Episódio onde pontuaram, entre outros, pela negativa, José Sócrates, 1º Ministro, Isabel Pires de Lima, Ministra da Cultura, Elíso Sumavielle, Director-Geral. Todos de triste memória para a nossa Cultura e para nosso Património Cultural.