O dia em que a dívida pública aumentou 153 milhões

Sem se conhecerem os planos de pagamento, são contas de mercearia mas, mais milhão menos milhão, o grande sucesso da compra de 3000 milhões de euros a 5,11%  corresponde a um aumento da dívida pública na casa dos 153 milhões.

É esta a parte do preço de uma coisa que ninguém sabe exactamente o que será, mas que leva o epíteto de “saída limpa”, e que se soma a anteriores “sucessos”.

Mas apesar de tanto “sucesso”, há fortes contradições no discurso e nos factos, o que indicia que algo vai mal no reino da Dinamarca.

Em 09/01/2014:

Com nove dias passados no ano, o Estado português ficou esta quinta-feira, depois de uma emissão de dívida a cinco anos, com apenas 17% do total do financiamento que precisa para 2014 por garantir.
(…)
Depois de verificadas as propostas, as Finanças decidiram emitir dívida no montante de 3250 milhões de euros [a cinco anos], suportando uma taxa de juro de 4,657%.[P]

Hoje, 11/02/2014:

Miguel Frasquilho afirmou que Portugal “ficou com as necessidades de financiamento para a este ano quase totalmente cobertas” com a emissão de 3 mil milhões de euros de dívida pública a dez anos realizada hoje, em que “a procura superou três vezes a oferta” e a taxa de juro “andará à volta de 5,1% [5.11%, mais exactamente]”. [P]

É notório que a bota não bate com a perdigota.

  • Em Janeiro, com a emissão de 3250 milhões de euros, faltaria 17% do financiamento para 2014 (666 milhões). Hoje foram emitidos  3 mil milhões de euros e as necessidades continuam apenas “quase totalmente cobertas”.Conclui-se uma de duas coisas: ou o governo está a emitir muito mais dívida do que precisa para dar azo ao plano eleitoralista que se adivinha ou então está a mentir quanto às necessidades de financiamento, sendo preciso mais do que anuncia.
  • Em Janeiro, a emissão de dívida a 5 anos teve juros de  4,657%, o que foi aclamado como o reconhecimento internacional da política seguida, quando a baixa de juros foi generalizada em toda a Europa.

A estratégia eleitoral que o governo está a traçar, tudo para isso aponta, traduz-se em ter um pote de dinheiro disponível e em fazer passar a mensagem de estarmos tão bem que até vamos conseguir sair do programa da troika e ficarmos por nossa conta (e risco, já agora).

Claro que é uma estratégia com custos pois estamos a pagar juros mais altos do que devíamos estar. Hoje foram 153 milhões de euros. Isto dá quanto em reformas, cortes salariais e sobre-taxas de IRS? Ora, dá…, hmmm, bem, é fazer as contas.

[post editado]

Comments

  1. Joaquim Amado Lopes says:

    “na emissão de dívida a 10 anos, os juros foram 5.11%, quando as emissões a prazos mais longos têm tipicamente juros mais baixos”
    Curioso. Fiz uma rápida pesquisa na net e TODAS as notícias que li (não foram muitas) indicam precisamente o contrário.

    E não entendo as suas “contas de merceeiro”. Como é que um empréstimo de 3 mil milhões de euros resulta em 153 mil milhões de euros de juros?

    • j. manuel cordeiro says:

      Gralha minha. 153, não 153 mil. Obrigado pelo aviso.

    • j. manuel cordeiro says:

      «Curioso. Fiz uma rápida pesquisa na net e TODAS as notícias que li (não foram muitas) indicam precisamente o contrário.»

      É como diz. Cá estou para reconhecer o erro.
      http://epp.eurostat.ec.europa.eu/tgm/table.do?tab=table&plugin=1&language=en&pcode=teimf060

      • Joaquim Amado Lopes says:

        Fica-lhe bem reconhecer os dois erros mas fica-lhe mal apagar parte do post. A atitude correcta teria sido corrigir a gralha dos “153 mil milhões” (vamos assumir que foi uma gralha) e colocar uma adenda a referir essa correcção e a assumir o erro (vamos chamar-lhe erro) sobre a diferença das taxas de juro para empréstimos com maturidades diferentes.

        De qualquer forma, praticamente todo o post é um erro, a começar pelo título.
        (1) Quando o Estado pede um empréstimo, a dívida pública não aumenta no valor dos juros a pagar anualmente por esse empréstimo. Aumenta no valor do empréstimo menos a parte desse valor que será usada para pagar dívida já existente.

        (2) O Estado pede dinheiro emprestado porque não tem receitas suficientes para cobrir as despesas. Assim, o que deveria perguntar é: se o Estado não pedisse os 3 mil milhões emprestados, quando iria cortar em reformas e salários e quanto iria buscar em sobretaxas de IRS? (algo que terá que começar a fazer mais tarde ou mais cedo)

        (3) Este empréstimo é com maturidade a 10 anos, sendo natural (como o J. Manuel Cordeiro já reconheceu) que a taxa de juro seja superior à taxa de juro do empréstimo a 5 anos. Se quiser comparar tem que usar as taxas de juro para a mesma maturidade.

        Como o “Caralhota” escreveu abaixo, “Quem não percebe peva de finanças devia estar calado e não fazer figura de merceeiro”. Claramente, o J. Manuel Cordeiro faria melhor figura se não escrevesse sobre esta matéria.

        • j. manuel cordeiro says:

          Ganhe juízo. Era o que faltava querer ditar o que fazer com o post e com o que posso escrever. Grandes liberais. Quanto às insinuações, não me meça pela sua bitola.

          É ou não verdade que este ano teremos mais 153 milhões a pagar à conta deste empréstimo?

          Atendendo às declarações de Janeiro sobre ter-se financiamento quase assegurado para 2014 mas mesmo assim ter existido esta venda e ainda estarem programadas outras, é ou não verdade que se está a pedir mais dinheiro do que seria necessário?

          • Caralhota says:

            Não há pior tosco que aquele que não quer aprender.

          • Joaquim Amado Lopes says:

            J. Manuel Cordeiro,
            Faça o que quiser com o seu post e escreva os disparates que quiser sobre matérias das quais não perceba nada. E se perante a evidência dos disparates que escreveu escolhe disparatar apenas comprova que o que corrigiu no post não foram gralhas nem erros mas apenas o resultado de ignorância e falta de inteligência. O que torna ainda mais patética a sua pretensão de que sabe o suficiente sobre esta matéria para avaliar da necessidade ou não deste empréstimo.
            Mas também, a avaliar pelos “votos” que o post recebeu, a sua “audiência” parece apreciar o seu… “estilo” portanto continue a dar-lhes o que eles gostam.

          • j. manuel cordeiro says:

            Liberal e moralista. Cada vez melhor. Mais rápido na adjectivação do que o Lucky Luke. lol

            Continue a chutar para canto.

            «O Executivo aposta assim em manter um excedente de tesouraria bastante reforçado, tal como tem sido admitido pelo próprio Governo e referido nos relatórios de avaliação da troika.
            (…)
            A acumulação de excedentes, por outro lado, tem uma grande desvantagem: o seu custo. Portugal está a emitir dívida a taxas de juro próximas de 5%. Estes 20.000 milhões de euros acumulados em depósitos não são utilizados e não conseguem garantir um rendimento semelhante aos seus detentores. Traçando um cenário em que o Tesouro conseguia obter, com investimentos de curto prazo e risco reduzido um rendimento anual de 2%, a perda por ter este dinheiro “parado” ascende a cerca de 50 milhões de euros ao mês.
            (…)
            O especialista em finanças públicas Paulo Trigo Pereira defende que esta estratégia mostra que “há uma tendência eleitoralista que provoca a saída limpa, em vez do programa cautelar”. “Isto tem um custo elevado. Estamos a agravar a taxa de juro média e a agravar o stock da dívida”, afirma, afirmando que, em contrapartida, “um cautelar sem grandes condicionalismos dava o sinal correcto da situação em que se encontra Portugal”.

            João Duque, professor do ISEG, tem a mesma opinião. “É uma estratégia cara e o problema é que estamos muito endividados e com um serviço brutal. A questão que eu coloco é: se as eleições estivessem marcadas para 2018, estariam agora a acumular estes depósitos?”, pergunta. »
            http://www.publico.pt/economia/noticia/nova-emissao-coloca-excedente-de-tesouraria-em-20000-milhoes-de-euros-1623331

        • j. manuel cordeiro says:

          Mas prefere ler economistas, é?

          ” Por outras palavras, apesar das
          circunstâncias internacionais favoráveis,
          o custo de financiamento do Estado
          português através dos mercados
          mantêm-se muito acima dos valores que,
          segundo o próprio FMI, seriam
          necessários para garantir a
          sustentabilidade da dívida pública
          portuguesa. Se recordarmos que, além
          disso, as perspectivas de crescimento e
          de inflação são muito menos favoráveis
          do que pressupõe o cenário apresentado
          pelo FMI, percebemos a
          insustentabilidade das taxas de juro de
          que estão a ser cobradas pela dívida
          pública portuguesa.
          Não obstante, o governo resolveu ‘ir aos mercados’ buscar dinheiro para pagar uma dívida impagável, com custos de financiamento cada vez menos sustentáveis. E parece estar disposto a
          fazê-lo novamente, empurrando os
          problemas com a barriga, enquanto der.
          Um dia destes vamos todos perceber que o buraco em que nos meteram está mais fundo. Até lá o governo vai fazendo a
          festa, na expectativa de que renda votos.”

          http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/2014/02/ir-aos-mercados-para-ganhar-eleicoes.html

  2. Caralhota says:

    Quem não percebe peva de finanças devia estar calado e não fazer figura de merceeiro

  3. Nightwish says:

    Mais uma vez, os parabéns ao BCE, portanto.
    Sair da troika e ficar por conta e risco? Daqui a quantas décadas?

  4. blablabla says:

    153 milhões por ano, ou 1530 milhões a dez anos…

    Ou seja, foi o *défice* anual que aumentou 153 milhões, fazendo a *dívida* aumentar 3000 milhões (4500 milhões até 2024). Não?


  5. Está tudo resolvido sim – como se paga à srª Merkel ela tem tao dinheiro que se pode dar ao luxo de ser benemérita com o que sacou – depois saca desempregados de luxo, a não ser que faça como a suissa e feche todas as torneiras tanto aos emigrantes pois já sacou tanto que restou, e ainda muito, ara a xina – que vai fazer um festim com a EDP + CGD + águas de Portugal mais sei lá o quê – afinal éramos ricos senão não haveria tanto “curioso” que agora até sabem que há por aqui um pais

  6. Joseph Coast says:

    Estou ainda a brindar à suposta felicidade do Joaquim Amado Lopes com este governo. Realmente, conseguiu juros baixíssimos: 5,11%. Hoje mesmo um jornal trará na primeira página que a dívida subiu 54% desde 2009. O que é fácil de calcular. Era à volta de 84% em 2009 e está próximo dos 130%. Nada mau para quem tanto nos chupou. 😉

    • Joaquim Amado Lopes says:

      Onde viu essa minha “suposta felicidade com este governo”?

      Quanto aos juros de 5,11%, é comparar com a taxa de juro em Março de 2011, à volta dos 7,5%, com tendência para aumentar.

      Quanto ao aumento da dívida pública, quando o actual Governo tomou posse (meados de 2011 e não em 2009), a dívida pública andaria pelos 164 mil milhões de euros. No final de 2013 era de cerca de 204 mil milhões, um aumento de cerca de 25%.
      (fonte da evolução da dívida pública em valores brutos: http://dividapublicaportuguesa.blogspot.pt/2014/01/divida-publica-portuguesa-dez2013.html#more – multipliquei o valor diário por 365 para calcular a variação anual)

      Em percentagem do PIB e no mesmo período, terá passado de cerca de 96% (fonte do valor do PIB: Pordata) para cerca de 130% do PIB (fonte deste valor: notícias várias). Um aumento de cerca de 34%.
      Eventualmente não perceberá como a dívida pode aumentar cerca de 25% em valor bruto e cerca de 34 em % do PIB mas vou deixar para o Joseph pesquisar. Se me disser que é impossível, eu explico-lhe.

      Já agora, pela fonte linkada acima pode verificar que até 2011 a dívida pública aumentava cada vez mais a cada ano que passava e que desde 2011 aumenta cada vez menos, tendo até aumentado em 2013 metade do que aumentou em 2012.

      • André Castro says:

        Ó Chico esperto, esqueceste-te do efeito da inflação nas tuas contas. O que faz com que o valor dos juros seja rigorosamente o MESMO. Por outro lado martelas a realidade: a pordata do teu amigo, esse sim merceeiro, não se substitui ao INE, que é quem apura a dívida a título oficial. E o INE disse em ABRIL de 2011 que dívida pública era 92% do PIB. Ou seja o aumento foi de 92% para 130% = 38%. Ao mesmo tempo vens aqui com uma conversa labrega de que descobriste agora que a dívida também pode ser apurada em valor bruto. Grande merda que tu descobriste! Ignorando que esse valor também é uma falácia, que grande festa um aumento de 25% do valor bruto que é ainda assim o DOBRO do aumento durante o governo anterior! O que pareces não entender é que o que interessa é a capacidade para pagar a dívida e essa é hoje muito inferior por uma variedade de razões que só aqui elencaria se um ignorante como tu me pagasse para dar uma aula. Resumindo, a dívida disparou de forma nunca vista, a capacidade para a pagar foi minada pela base, e depois há uns palermas como tu que andam por ia a debitar dados martelados e a insultar pessoas enquanto lançam fogetorio. Não passas de um soldado raso a armar aos cucos.

        • Joaquim Amado Lopes says:

          André Castro,
          “esqueceste-te do efeito da inflação nas tuas contas. O que faz com que o valor dos juros seja rigorosamente o MESMO.”
          Eu podia-lhe para explicar mas nem o André deve saber o que significa a frase que cito acima.

          Quanto ao resto:
          (1) Pedro Passos Coelho tomou posse em 21 de Junho de 2011. Se quer usar o valor da dívida pública deixado pelo Governo anterior tem que ser no mínimo o do final desse mês, não o de 2 meses antes.

          (2) Uma parte da dívida pública actual não era contabilizada em 2011, estava escondida em empresas públicas.

          (3) “dívida pública em percentagem do PIB” refere-se sempre ao PIB do ano em questão, valor que muda todos os anos.
          Pode-se dizer que “a dívida pública aumentou de x% do PIB para y% do PIB” ou fazer as contas a quanto aumentou em valor bruto e dizer que “a dívida aumentou z%” mas dizer que a “dívida pública aumentou (y-x)%” (em que x e y são valores em função do PIB em anos diferentes) só revela preguiça e ignorância.

          (4) Qualquer pessoa que tenha uma noção básica do que os termos significam sabe perfeitamente o que são os valores brutos. Com “descobriste agora que a dívida também pode ser apurada em valor bruto” devia estar a dirigir-se ao Joseph Coast, que ainda ontem não sabia o que isso era.

          (5) Mesmo fazendo as contas como as faz, chega a 38%. Está portanto a chamar burro ao Joseph Coast (que deve achar engraçadíssimo traduzir José Costa para inglês), que disse que a variação desde 2009 tinha sido de 54% (burro por juntar dois Governos de partidos diferentes, por se enganar no ano em que o Governo actual tomou posse ou por não saber que valores usar – escolha).

          (6) Vou usar os valores da dívida publicados no blog dívida pública (link no comentário anterior), dívida total no final de 2013 e variação média diária em cada ano (uso o final do mês em que cada Governo tomou posse como referência).
          Se tiver outros valores, indique-os e eu refaço as contas.

          Dívida pública em:
          31 de Dezembro de 2013: 204.252.341.733€
          30 de Junho de 2011: 172.393.241.183€
          31 de Dezembro de 2010: 151.774.628.631€
          Variação média diária em 2010: +52.132.112€
          Variação média diária em 2009: +39.133.457€

          Em 31 de Outubro de 2009:
          151.774.628.631 (final de 2010) – 365 x 52.132.112 (2010) – 61 x 39.133.457 (Nov e Dez 2009) = 130.359.266.874€

          Fontes:
          http://dividapublicaportuguesa.blogspot.pt/2014/01/divida-publica-portuguesa-dez2013.html
          http://dividapublicaportuguesa.blogspot.pt/2011/07/divida-directa-do-estado-junho-2011.html
          http://dividapublicaportuguesa.blogspot.pt/2011/01/divida-directa-do-estado-final-de-2010.html

          Governo de José Sócrates: (toma posse em 26 de Outubro de 2009)
          * variação: 172.393.241.183 – 130.359.266.874 = 42.033.974.309€
          * 32,24% do valor de partida
          * 42.033.974.309 / 607 dias = 69.248.722€ / dia

          Governo de Pedro Passos Coelho (toma posse em 21 de Junho de 2011)
          * variação: 204.252.341.733 – 172.393.241.183 = 31.859.100.550€
          * 18,48% do valor de partida
          * 31.859.100.550 / 915 dias = 34.818.689€ / dia

          Até eu estou surpreendido com estes resultados (de certeza que me enganei mas não estou a ver onde) pelo que estou a contar consigo para fornecer os valores correctos e/ou indicar onde as contas estão erradas.

          Quanto a “conversa labrega”, “Grande merda que tu descobriste!”, “O que pareces não entender”, “ignorante como tu”, “palermas como tu que andam por ia a debitar dados martelados e a insultar pessoas enquanto lançam fogetorio” e “Não passas de um soldado raso a armar aos cucos”, fico à espera das suas correcções às contas indicadas acima para lhe responder.

          • Joaquim Amado Lopes says:

            (até este momento) 4 “votos negativos” e nem um comentário a contestar os valores apresentados ou a aritmética. Elucidativo.

          • j. manuel cordeiro says:

            Ainda não percebeu o sentido do post, pois não? Dou-lhe uma ajuda à leitura.

            Em Janeiro, com a emissão de 3250 milhões de euros, faltaria 17% do financiamento para 2014 (666 milhões). Hoje foram emitidos 3 mil milhões de euros e as necessidades continuam apenas “quase totalmente cobertas”.Conclui-se uma de duas coisas: ou o governo está a emitir muito mais dívida do que precisa para dar azo ao plano eleitoralista que se adivinha ou então está a mentir quanto às necessidades de financiamento, sendo preciso mais do que anuncia.

            Ou se preferir o Público:

            O especialista em finanças públicas Paulo Trigo Pereira defende que esta estratégia mostra que “há uma tendência eleitoralista que provoca a saída limpa, em vez do programa cautelar”. “Isto tem um custo elevado. Estamos a agravar a taxa de juro média e a agravar o stock da dívida”, afirma, afirmando que, em contrapartida, “um cautelar sem grandes condicionalismos dava o sinal correcto da situação em que se encontra Portugal”.

          • Joaquim Amado Lopes says:

            J. Manuel Cordeiro,
            Em primeiro lugar, o meu comentário anterior é uma resposta directa ao comentário do André Castro, que (além de muitos insultos) escreveu “um aumento de 25% do valor bruto que é ainda assim o DOBRO do aumento durante o governo anterior”.
            Os valores e contas que apresentei demonstram precisamente o contrário e a minha resposta recebeu (até agora) 5 votos negativos mas nem uma única correcção. Isto quando fui eu próprio a admitir a minha surpresa com o resultado mas não vejo onde esteja a falha e pedi que ma indicássem.

            Em segundo lugar, o seu post inclui várias informações e raciocínios errados, a começar logo no título, que não faz qualquer sentido.
            No meu primeiro comentário apontei-lhe apenas os dois erros mais flagrantes e o J. Manuel corrigiu um (de “153 mil milhões” para “153 milhões”) e apagou a parte relativa ao outro. Curiosamente, esse meu primeiro comentário recebeu 3 vezes mais votos negativos do que positivos apesar de me ter limitado a indicar dois erros que o próprio J. Manuel admitiu e corrigiu.

            Ora, o seu post aborda várias coisas sendo uma delas a discrepância dos valores relativos à necessidade de financiamento do Estado para 2014 mas não é apenas sobre a discrepância de valores. Como (embora continuando a manter uma série de erros) pretende focar a discussão nesse aspecto, vou-lhe responder usando os valores apresentados no artigo do Público que, aparentemente, o J. Manuel não leu na totalidade ou leu e não percebeu, pegando apenas nos pormenores que lhe davam jeito.
            (http://www.publico.pt/economia/noticia/procura-para-emissao-de-divida-ja-supera-os-9-mil-milhoes-de-euros-1619001)

            (ME = milhões de euros)
            Necessidades de financiamento do Estado para 2014: 22.800 ME
            A serem assegurados pelas últimas tranches da troika (durante 2014): 7.800 ME
            No início do ano, o Estado tinha em depósitos: 14.300 ME, dos quais 6.400 se destinam a recapitalizar os bancos restando 7.900 ME para financiar o Estado
            Operação de Janeiro: 3.250 ME
            No início de Fevereiro, faltavam: 22.800 – 7.800 – 7.900 – 3.250 = 3.850 ME, que representam cerca de 17% das necessidades de financiamento para 2014.

            O J. Manuel escreve no seu post que “Em Janeiro, com a emissão de 3250 milhões de euros, faltaria 17% do financiamento para 2014 (666 milhões).”
            É ler a notícia do Público (e ver as contas que o Público fez e que reproduzo acima) para verificar que o que o J. Manuel escreveu está errado. Os 17% que faltavam são 3.850 ME, não 666 ME.

            E, com os 3.000 ME da operação desta semana, ficam ainda a faltar 850 ME só para 2014.
            É que 2014 começou com 14.300 ME em depósitos. O Estado português, para começar 2015 com uma “almofada” mínima, ainda terá que pedir emprestados pelo menos mais 10.000 ME durante este ano. Esta questão é aliás referida na notícia do Público, embora não seja apresentado um valor para essa “almofada”:
            “O objectivo já declarado pelo Governo de garantir o mais rapidamente possível financiamento para o total de 2014 e começar já a constituir reservas para 2015 está agora mais próximo.”

            Em resumo, o seu post falhou em TODOS os aspectos: nas contas sobre os juros (que no início indicou serem 153 MIL milhões de euros), no valor em que aumentou a dívida (aumenta no valor do empréstimo, não no valor dos juros anuais), na relação dos juros a diferentes maturidades (as maturidades mais curtas têm normalmente juros mais baixos e não mais elevados), em quanto faltava para suprir as necessidades de financiamento para 2014 (eram 3.850 ME, não 666 ME) e, como era inevitável, falha redondamente na suspeita/acusação com que termina o post.

            Se precisar de ajuda “à leitura” desta resposta é só pedir.

          • Joaquim Amado Lopes says:

            Já lá vão 4 dias e nada. O J. Manuel ainda está a tentar perceber como pode ter errado de forma tão estrondosa ou o embaraço é tal que perdeu o pio?
            (sim, estou a ser mauzinho mas o Aventar – autores e comentadores – tem esse efeito em mim)

          • j. manuel cordeiro says:

            Tem esse efeito mas volta. Nada contra os masoquistas.

            O post está errado, é um monte de disparates e tem erros de palmatória. O governo não está a constituir uma reserva de dinheiro a juros incomportáveis e o que está a ser feito nada tem de eleitoralismo.

            Os seus comentários são brilhantes e enquanto gasta tempo neles não está a olhar para o céu.

            Parabéns e aqui fica o seu prémio “A minha agenda RTP” para anotar datas de comentários e respectivos polegares para cima e para baixo.

            http://coresaocubo.pt/cabula/aminhaagenda.jpg

            Volte sempre.

          • Joaquim Amado Lopes says:

            J. Manuel Cordeiro,
            Continua a defender que “Em Janeiro, com a emissão de 3250 milhões de euros, faltaria 17% do financiamento para 2014 (666 milhões)” ou já percebeu que os 17% que o artigo refere são 17% de 22.800 milhões de euros e que, após a emissão da semana passada e se não houver surpresas, ainda faltam 850 milhões de euros para suprir as necessidades de financiamento do Estado para 2014 mas não é capaz de admitir mais esse erro da sua parte?

            Quanto a Governo estar “a constituir uma reserva de dinheiro”, até o J. Manuel devia perceber que é necessário o Estado ter uma reserva, de modo a que possa cumprir os seus compromissos (com funcionários, pensionistas, fornecedores e credores) sem interrupções.
            E quanto aos “juros incomportáveis”, essa é a taxa de juro que se consegue de momento. Podia-se esperar até à última hora para pedir mais dinheiro emprestado mas com o risco de ter que pagar juros mais altos (que é o que acontece quando já não se tem escolha).

            Esta é a minha interpretação dos factos. Mas o J. Manuel Cordeiro não sabe fazer contas, não sabia que as taxas de juro para maturidades mais curtas são mais baixas que as para maturidades mais longas, julga que a dívida aumenta no valor dos juros e não no do empréstimo e não consegue seguir a descrição de um cálculo com várias parcelas e uma percentagem portanto a sua “interpretação” é que deve valer.

          • j. manuel cordeiro says:

            Estou-me pouco importando para o que você pensa. Mas o mesmo não se passa consigo, que gosta de cá vir repetir comentário sim, comentário sim a mesma coisa. É um post fraco e errado? Seja, lê quem quer e, sobretudo, isto é um post, não é nenhum tratado. Mas compreendo que nem todas as pessoas, como você, o consigam ver.

            Vem do alto da sua arrogância tecer considerações sobre terceiros e acha que é para ser levado a sério. Vá, já lho disse uma vez mas não terá sido suficiente, ganhe juízo e arranje uma vida para além de andar a contar likes e dias que passam sem resposta lol

            Agora vá lá para o seu cantinho chorar. Aqui acabou.

      • Nightwish says:

        “Quanto aos juros de 5,11%, é comparar com a taxa de juro em Março de 2011, à volta dos 7,5%, com tendência para aumentar.”
        Sendo que isso nada tem a ver com o que este governo fez ou deixou de fazer.

  7. Topo-te says:

    Tenham paciência com o coitado do Joaquim Amado Lopes: ainda agora passou mais um aniversário do referendo sobre o aborto, uma das mais estrondosas derrotas que o homem sofreu na vida (sim, este além acrobacias com os números também defendia o negócio das abortadeiras, e está aqui está a emigrar para Espanha).

    • Joaquim Amado Lopes says:

      Só alguém com a idade mental de uma criança de colo pode encarar o resultado num referendo nacional como uma questão de vitória ou derrota pessoal seja de quem fôr.
      Mas, se fosse para pensar nesses termos, eu só poderia sentir orgulho da minha contribuição para essa matéria. É que, apesar de ter defendido o “não” nos dois referendos sobre o aborto a pedido e o “sim” ter ganho no segundo referendo, no dia a seguir ao primeiro referendo iniciei com o Dr. Fernando Gomes da Costa (médico de família) um projecto de informação e aconselhamento médico sobre sexualidade (gravidez, contracepção, doenças sexualmente transmissíveis, aborto, …) através da Internet.
      Esse projecto, financiado e mantido por mim e pelo Fernando (a Dra. Angela Brandão – psicóloga – juntou-se à equipa algum tempo depois) e que ainda está online apesar de inactivo, foi pioneiro em Portugal e o site de referência sobre matérias relacionadas com a sexualidade. Foi até “replicado” por um departamento do Ministério da Saúde.

      Mas, naturalmente, nada disso se compara à sua contribuição para reduzir o número de gravidezes indesejadas e apoiar os adolescentes (e não só) com problemas relacionados com a sexualidade. O “Topo-te” votou DUAS VEZES(!) a favor da despenalização do aborto a pedido!!! Estou impressionado.

      E quanto a derrotas e vitórias pessoais, há-de dizer qual é o partido político da sua preferência para termos noção de como a vida lhe tem corrido.

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