O êxtase do jornalismo de estrebaria

Já se esperava, mas a coisa atinge proporções delirantes. Todos, absolutamente todos, os programas que estavam anunciados para os vários canais de notícias – documentários, programas de reportagem regulares, suplementos habituais -, apesar de constarem dos alinhamentos, foram devorados pelo congresso do partido do governo. Aliás, já a sua promoção tinha sido ridícula, repetindo até à náusea cenas antigas como o discurso pateta de Filipe Meneses sobre os “sulistas e liberais”.

E, perguntam-me, tu, que te sacrificaste qual mártir a ver alguns bocados, que tens a contar? Há discursos importantes? Não. Há comentadores a enchere chouriços a um nível tão rasca como o objecto dos comentários. É que os poucos membros do PSD que poderiam despertar a nossa curiosidade, por aquilo que andam a dizer pelos canais televisivos que os acolhem, faltaram corajosamente. Assim, sobrava o núcleo duro da quadrilha e os seus desinteressantes apoiantes e claques.

Numa das visitas que fiz, deparei-me com o tal Meneses que, agora “desgaiado”, ameaçava dizer umas verdades. Tanto ameaçava que a SIC, quando o homem pronunciou a palavra “divergir”, calou-o imediatamente. Fez mal. A TVI, que não perde a hipótese de cheirar pólvora, deu o discurso todo e tudo o que obteve foi o cheiro de uma bomba fedentinosa de carnaval. É que o Meneses, após um discurso todo na primeira pessoa, amochou aos pés do chefe e jurou-lhe fidelidade. E até quando a mesma estação de televisão resolveu transmitir o discurso que, lá longe e noutro cenário, fazia António José Seguro, enquadrou este orador nos grafismos do congresso do PSD, num gesto que fica por se saber se é de incompetência grosseira se por provocação reles. A miséria da política e a miséria do jornalismo em alegre relação promiscua. Esta sim, deveria ser uma relação interdita.

Comments

  1. Bento 2014 says:

    Valha-nos ao menos que quando se trata dos congressos do PS não existem delírios nem ridículos, e todos os canais ignoram a peregrinação rosa, cumprindo á risca toda a grelha de programas anunciada. Para compor o ramalhete laranja nem falta um estafado Seguro a lamber os pratos do repasto do Coliseu para animar a festa com invasão labrega de todos os canais. A miséria tanto do jornalismo como da politica sempre presente mas só se repara fora do nosso quintal.

    • Afonso says:

      A ofensa é arma dos fracos …

      • Try another one. says:

        “Os fracos” faz referência à FORÇA, e não à RETÓRICA, que essa sim é a arma dos Fracos… 🙂

        Neste caso falamos de 2 fracos… PPC e Seguro.
        Desconfio que o seu nome esconde a fraqueza, que por acaso é o meu, mas não sou fraco… 🙂


  2. Conseguiram trazer-me à memória a Festa do Pinheiro Manso, em Bicesse (Estoril), há 40 anos atrás. Os impagáveis vendedores de banha da cobra e de cobertores.! ! !.


  3. O único acontecimento que poderia alterar a missa, era um jogo de futebol onde estivessem presentes o F.C.Porto ou o Benfica. E isso os polícias bons e os menos bons, (porque os maus não estavam lá) sabiam antecipadamente que não havia.

  4. JgMenos says:

    Nem o inquérito aos submarinos funcionou como dissuasor…mas ficou o ar sério e solene da sua propositura!

  5. Fernanda says:

    O Bonomo da fotografia acima deve ter sido sujeito à experiência de visionar o congresso. Atente-se no seu ar como que a perguntar: E o chimpazé sou eu?

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