Um certo odor a fascismo no CDS-PP

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Assunção Cristas, tal como muitos dos seus principais oficiais, não perde uma oportunidade para aludir ao radicalismo das esquerdas. Para agitar com o papão comunista. Para apelar aos instintos mais básicos do eleitorado, instigando a desconfiança e o medo na sua forma mais primária. Uma constante da vida.

Sempre achei este discurso de uma finíssima ironia. Não porque não exista nos partidos de esquerda o tal radicalismo que lhes é apontado, que é discutível, mas porque o CDS-PP foi precisamente o partido que deu guarida a vários salazaristas no pós-25 de Abril, alguns dos quais exerceram funções governativas durante o Estado Novo. Adriano Moreira, que foi este fim de semana homenageado e aplaudido de pé pelo congresso centrista, foi ministro de Salazar antes de ser eleito terceiro presidente do CDS-PP, entre 85 e 88. E escusado será dizer que alguém que aceita o convite para integrar o governo não-eleito de um fascista opressor valida as práticas em vigor.  [Read more…]

Aquela notícia bombástica e inesperada que marcou o congresso do CDS

Nuno Melo é o candidato às Europeias. Seo Dr. Jovem Conservador de Direita descobre, está o caldo entornado.

Paz, pão e facadas no Negrão

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Fotografia: Miguel Baltazar@Record

O ambiente está pesado, para os lados da São Caeteno à Lapa. Das vaias a Elina Fraga aos tiros de metralhadora de Luís Montenegro, passando pelo indignados Hugo Soares, que acusou a actual direcção do partido de “desrespeito institucional grave”, após ter sido excluído da Comissão Política Nacional do PSD, e Paula Teixeira da Cruz, que acusou Rui Rio de traição pela escolha da antiga bastonária para vice-presidente do partido, o PSD é hoje um gigantesco saco de gatos, trancado numa casa a arder.

Ontem assistimos a um novo episódio, que contado parece ficção. Só que não. Fernando Negrão foi a votos, para ocupar o lugar de líder parlamentar do PSD, mas apesar de não ter oposição, conseguiu perder o plebiscito, não indo além dos 39%, o que equivale a dizer que, dos 88 deputados que participaram na votação, apenas 35 deram o seu aval ao candidato único à vaga deixada aberta por Hugo Soares, corrido por Rui Rio dias antes. [Read more…]

Já puseste o caciquismo a lavar, Rui?

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Fotografia: Fernando Veludo/Lusa

O congresso do PSD correu dentro do esperado, talvez com a excepção do discurso final de Rui Rio, exótico a ponto de não se resumir a chavões e lavagem de roupa suja, desonrando assim uma longa tradição dos congressos do partido que já foi social-democrata. Valeu a faca longa do rebelde Luís Montenegro, assim como a calorosa recepção de Elina Fraga, após ser anunciada como nova vice-presidente do PSD. Os passistas ficaram radiantes!

Agora que o conclave laranja chegou ao fim, o país está preparado para o banho de ética que Rui Rio lhe prometeu. E como o novo líder do PSD não tem lugar no Parlamento, onde não falta quem não se lave há vários anos, porque não começar por limpar a casa por dentro? Porque não começar, por exemplo, pela eterna questão do caciquismo, que tanto destaque e preponderência teve nas recentes directas do PSD? [Read more…]

O crescimento económico e a falta de memória (e de noção) dos restos do passismo

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Tem sido interessante assistir às intervenções dos restos do passismo no congresso do PSD, que está a decorrer este fim-de-semana. Das carpideiras do costume à faca longa de Luís Montenegro, passando por aquele momento mágico em que o auditório gelou quando Rui Rio deu a conhecer a composição da nova comissão permanente do PSD, que inclui Elina Fraga, os discípulos de Passos Coelho não pouparam críticas à actual solução governativa, centrando-se naquele que consideram ser um crescimento económico fraco e muito abaixo daquele que um governo de direita teria condições para atingir.  [Read more…]

Elina Fraga, a faca longa de Rui Rio

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Fotografia: Miguel Manso@Público

Para surpresa de muitos portugueses, onde me incluo, Rui Rio convidou Elina Fraga para sua vice-presidente. Importa recordar que a anterior bastonária da Ordem dos Advogados teceu duras críticas ao governo de Passos Coelho, em particular à ministra Paula Teixeira da Cruz. Sob sua direcção, a Ordem dos Advogados apresentou mesmo uma queixa-crime contra membros do executivo passista, por causa das alterações no mapa judiciário.

Para a antiga ministra da Justiça de Pedro Passos Coelho, a escolha de Elina Fraga representa uma traição de Rui Rio. E Paula Teixeira da Cruz não parece ser a única incomodada, pelo menos a julgar pela reacção dos congressistas do PSD no momento do anúncio. Foi uma facada profunda que deixou os restos do passismo ligados às máquinas. E não é para menos. Rui Rio não terá vida fácil nos corredores da São Caetano mas também não parece muito preocupado com isso. Antes pelo contrário.

Um grupo de amigos chamado PSD

Lá se vai o banho de ética

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Explique-nos, senhor presidente do PSD, como é que pensa dar um banho de ética na política portuguesa com José Luís Arnaut sentado ao seu lado?

O dia seguinte, sub-óptimo

Voltei do 4º Congresso dos Jornalistas Portugueses de coração cheio, peito aberto, e dores nas costas. Já não tenho 25 anos como naqueles dias de Fevereiro e Março de 1998, quando acontecera o último fui pela última vez a um congresso,  já não sou uma privilegiada-dos quadros-de uma empresa de comunicação social, mas – sabe-se lá porquê – continuo a ser jornalista. Ainda me entusiasmo com as histórias dos outros, ainda insisto, ainda resisto. E por isso lá fui três dias para Lisboa, à guarida da Sandra. Levava na mala uma comunicação escrita a 10 mãos, algures entre Leiria e Coimbra, para ler na sexta-feira de manhã, num painel que poderia servir para nomear todo o Congresso: O Estado do Jornalismo. Pelo teor do escrito, também poderia caber naquele outro painel que se chamava”As condições de trabalho dos jornalistas”, já que fala sobretudo do fim das Redacções fora de Lisboa, do abandono do país por parte dos Media, da solidão dos jornalistas-freelancers-precários. Li aquilo de rajada e fui-me sentar outra vez, a ouvir os outros. Chorei muito mais do que ri, durante aqueles dias. [Read more…]

Golpe de Estado em curso na São Caetano à Lapa

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Diz o Expresso que os críticos de Pedro Passos Coelho já reuniram as assinaturas necessárias para forçar um congresso. Um ano depois, o fantasma do Golpe de Estado está de volta: a oposição a sair do armário, as intrigas palacianas, a imprensa com Rui Rio em ombros, os sucessivos trambolhões nas sondagens e até o chefe da Geringonça já pisca o olho aos patrões, oferecendo-lhes uma simpática descida da TSU, qual capitalista com pele de esquerdalho.

O Estalinismo minou tudo à tua volta, Pedro. Até a Assunção te tem na mão. És o elo mais fraco. Adeus.

Foto: Daniel Rocha@Público

Ignorância do jornalismo

Declaração de intenções: nunca votei no PC. Por outras vias, sou muitas vezes acusado de ser quase anti-PC primário. Diria que talvez, mas só quando ele aparece a festejar uma vitória com um chouriço, sublinhando a nova política desportiva do Herrera ou dos seis milhões do central do Braga. Falasse assim quando perde e talvez a solução estivesse mais perto que o fim.

Mas, o post não era para ser sobre isto. Fugiu-me a tecla para o sentimento.

Dizia eu, que não sendo eleitor comunista, olho para o Congresso do PC como um encontro de gente que, acima de tudo faz política. Eles não brincam em serviço e as Teses são mesmo discutidas. Quem ouviu algumas das intervenções percebe que eles não estão (pelo menos todos) atrás de um tacho ou apenas a tentar ganhar palco. Para um comunista a actividade política é muito mais que isso. As entrevistas a alguns “comunistas comuns” mostraram que são de facto gente com outra preparação. E, nesse campo, nenhum partido português os bate.

Apesar da boa cobertura do Bloco, das sistemáticas sondagens, cada vez com resultados mais longe da verdade do voto…

Acompanho por isso integralmente o João Ramos de Almeida: “Nada de novo, portanto. Nada se aprende. Nem com Trump, Le Pen, etc., etc.”

Em oposição a esta pobreza da nossa Comunicação Social, a forma séria e inteligente como Adelino Maltez, hoje em representação da Reitoria da Universidade de Lisboa, falou na SIC Notícias.

Manipulação grosseira na ex-rádio-jornal TSF

O João Mendes já tinha chamado a atenção para outra manipulação grosseira por parte de um órgão de comunicação social do mesmo grupo do da TSF, a Global Media.

Agora foi a vez da TSF dar azo a um conjunto de truques para trazer para primeiro plano uma imagem e um título no Facebook, mas que apontam para outra imagem e outro título no sítio desta rádio.

Comprove você mesmo repetindo os passos seguintes.

  1. No Facebook, partilhe o URL http://www.tsf.pt/politica/interior/manif-dos-colegios-agita-final-do-congresso-do-ps-5211869.html. Como descobrirá, o texto e imagem da partilha são os apresentados na imagem seguinte (sem os destaques, claro).
    2016-06-05 18_41 tsf congresso ps
  2. [Read more…]

Congresso do PSD: Maria Luís Albuquerque e o elogio da mentira

MLA

O Congresso Nacional do PSD começa no dia das mentiras. Imenso poderia ser dito acerca da inepta capacidade de planeamento de Passos & Companhia, mas, aqui, a piada faz-se sozinha. [via Uma Página Numa Rede Social]

A fotomontagem acima e a fina ironia que resulta do congresso do PSD ter começado precisamente a 1 de Abril dispensam desenvolvimentos adicionais. Da avalanche de mentiras da campanha de 2011 ao conjunto de aldrabices que marcaram o episódio do regime de exclusividade de Passos Coelho, a fuga a verdade na corte do líder do PSD é sintomática e a mentira aparentemente premiada. Só vota neles quem quer.

O Pravda de Netanyahu

Carniceiro Netanyahu

Depois da visita do jihadista de Telavive ao Congresso norte-americano para reunião com os seus pares da direita radical republicana, vim a saber que, tal como noutras latitudes onde os regimes repressivos e autoritários pontificam, também o indivíduo Netanyahu dispõe de imprensa supostamente livre ao seu serviço.

Talvez por a sua distribuição ser gratuita, o jornal Israel Hayom é o diário mais lido daquele país. Segundo o “insuspeito” The Economist, a sua actividade é dedicada a apoiar incondicionalmente as políticas do actual governo e a glorificar Netanyahu enquanto ataca violentamente todos os seus opositores. Avigdor Lieberman, ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, chamou-lhe Pravda.

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E o PS dos negócios?

robalos_cx (Medium)

Balanço deste renovado PS: há gente de esquerda na direcção (sim, a social-democracia é de esquerda e negá-lo depois de ter sido assaltada pelo neoliberalismo é um disparate sem perdão), e pelo melhor barómetro correu bem: o Nuno Melo saiu aos gritinhos, o Marco António de trombas, o professor Vítor Cunha já perdeu o jogo, a extrema-direita em geral ficou em pânico (é ouvir os seus habituais comentadores ditos jornalistas e independentes, vulgo putas longe do Intendente).

Mas subsiste um problema, aliás o problema (deixo de lado o programa, dando tempo até que esteja clarificado): o que fez do PS o partido de Sócrates e Vara não foi Francisco Assis, não foi a ideologia. Foram os negócios, uma autoestrada que Mário Soares abriu (vd. o caso BES, que é todo um tratado). Sei bem que muitos não fizeram disso o seu negócio (a começar por Soares que entre outras coisas não é parvo) e os que fizeram não os vejo agora pelo lados do Rato. Mas governaram para isso, para a rede clientelar da pequena, média e grande corrupção, que arrasou com esta democracia.

Falta essa garantia, e o programa, é claro. Depois sim, veremos se é possível um governo à esquerda com o PS.

Info-trampolineiros

Por interesse de cidadão, decidi tentar acompanhar o Congresso do PS. RTPInf., Carlos Daniel, o futeboleiro, às alavancas. Tratando as coisas como se os diálogos com os convidados fossem painéis da bola e as entrevistas de corredor fossem aquelas inconcebíveis reportagens que se fazem à entrada e saída dos jogos. Tudo ficaria pela piada e pela incompetência, não fora a visível agenda do pivô. Reaccionarote, com um estilo francamente tablóide, conseguiu, com total desprezo por quem queria ser informado sobre o que se passava no Congresso, centrar-se exclusivamente em Francisco de Assis que, entretanto, já tinha tido a sua birra e tomado o avião.

Que pensa do abandono de Assis? E do “pensamento” de Assis? E do facto de o Assis, anulando a sua inscrição como orador, ter proposto Jaime Gama para candidato à presidência em entrevista aqui ao rapaz -(“vamos então passar, em repetição essa parte”, repetia, contente) ? E que pensa de só Assis ter uma proposta de aliança com a direita? Não acha que é a única hipótese para o país? Não acha que Assis abandonou por ver o PS numa “deriva esquerdista” (sic)? Não acha Assis um grande ausente? O que é o PS sem Assis? Assis…Assis…Assissssss. [Read more…]

Surpresa

Afinal Marcelo RS foi a Pyongyang participar no congresso do PSD.

O êxtase do jornalismo de estrebaria

Já se esperava, mas a coisa atinge proporções delirantes. Todos, absolutamente todos, os programas que estavam anunciados para os vários canais de notícias – documentários, programas de reportagem regulares, suplementos habituais -, apesar de constarem dos alinhamentos, foram devorados pelo congresso do partido do governo. Aliás, já a sua promoção tinha sido ridícula, repetindo até à náusea cenas antigas como o discurso pateta de Filipe Meneses sobre os “sulistas e liberais”.

E, perguntam-me, tu, que te sacrificaste qual mártir a ver alguns bocados, que tens a contar? Há discursos importantes? Não. Há comentadores a enchere chouriços a um nível tão rasca como o objecto dos comentários. É que os poucos membros do PSD que poderiam despertar a nossa curiosidade, por aquilo que andam a dizer pelos canais televisivos que os acolhem, faltaram corajosamente. Assim, sobrava o núcleo duro da quadrilha e os seus desinteressantes apoiantes e claques. [Read more…]

PSD

Relvas encabeça lista de Coelho à Comissão Nacional. Desconhecem-se por enquanto os lugares de Dias Loureiro, Duarte Lima e Oliveira Costa

“O [meu] país está melhor”

Taxa de pobreza em Portugal é das mais elevadas da UE.

Será que vão parar na Meta dos Leitões?

Congressistas do +DP a caminho de Lisboa.

CDS suspende democracia interna durante 3 meses

CDS adia Congresso para depois das Autárquicas

Seguro, o líder do PS que a todos agrada – até ao próprio PS

o nada panhonhas

Correia de Campos introduziu a adjectivação do “panhonhas” referindo-se a Passos Coelho e logo o congresso do PS aplaudiu Seguro como um líder excepcional e nada panhonhas. Com amigos destes é mais fácil ter inimigos, mas adiante. É Seguro o líder certo para o PS? Claro que é. Apesar dos jogos palacianos do pedido de eleições e da moção de censura, a última coisa que PS quer é ir para o governo agora. Com o país em ruínas e condenado a seguir as pegadas do actual governo, quem é que se quererá queimar na governação? Quanto mais tarde melhor.

Com Seguro à frente do PS, a esquerda (PCP, Verdes e BE) agradecem o espaço por preencher, Passos Coelho e o seu PSD mais o reboque CDS suspiram de alívio por terem oposição mais cerrada no próprio PSD do que no PS e, por fim, o PS repousa tranquilo sem o risco de ainda ser chamado a formar governo numa altura tão inconveniente. A todos agrada.

Que venham as autárquicas e depois terá o PS tempo para escolher um candidato a primeiro-ministro. Até lá, não vá o diabo tecê-las, deu o congresso 99% de votos de segurança ao seu líder. Pelo caminho, enquanto os partidos cuidam da sua estratégia umbilical, vai a carteira de alguns ficando diariamente mais leve. Enfim, não se pode ter tudo, não é?

Seguro pede maioria absoluta mas promete Governo coligado *


A parte da coligação parece que será resolvida com uma argamassa das boas. *

Se eles se juntam há que imaginá-los divididos

Não li uma única citação que comprove ter sido aprovada no XIX Congresso do PCP qualquer orientação no sentido de excluir de uma unidade de esquerda o BE e mesmo o PS (embora tenham salvaguardado que este terá de mudar de política, o que não é novidade nenhuma). Mesmo na resolução política o BE leva a mais suaves das referências desde que existe e o PS apanha o (merecido) tratamento habitual.

Cecília Honório que representou o BE no Congresso também não parece ter ouvido:

Confrontada com a ideia de que o PCP se demarcou estrategicamente do Bloco de Esquerda ao considerar mais importante saber com que política se chega ao Governo do que discutir com quem se chega ao Governo, Cecília Honório disse não partilhar essa interpretação.

Mas entretanto o DN, e não só, criou uma ficção política. Pelos vistos há quem tenha medo, muito medo, de uma alternativa de unidade de esquerda, e o melhor será começar já a parti-la.

Aos Bloggers

O Congresso do PSD que se vai realizar nos próximos dias 23, 24 e 25 de Março em Lisboa, vai aceitar pedidos para credenciação da denominada social media onde se incluem os Bloggers.

http://congressopsd.com/pt/informacoes_uteis

relacoespublicas@psd.pt

 

“Contemplou a sua obra e era tudo muito bom”

O PS esteve em congresso durante três dias, aqui mesmo em terras do Minho. E no final, nem uma conclusão ou sequer uma apreciação crítica à (des)governação dos últimos anos.

A crise internacional tratou de explicar tudo.

Segundo o Livro de Génesis, chegado ao sexto e último dia da empreitada de criar o Mundo, pois o sétimo foi para descanso, Deus contemplou a sua obra e concluiu que era tudo muito bom. Pois o PS em três dias não encontrou nada de mau na governação de seis anos.

Apenas, e tão só, um alerta de José Seguro de que o PS poderá vir a errar. Tudo numa lógica com um oportuno toque de diferença, quando é normal na política nacional falar-se tanto de responsabilidade.

O PS poderá não ir formoso, mas quer parecer seguro. Pelo menos conta com o seu líder. Literalmente.

Tomai e lembrai

Acabo de saber pelo telediário do Porto Canal numa reportagem em pleno Congresso do PS, que parece formoso e Seguro, que os militantes do PS andam muito esquecidos do seu hino: “A Internacional”.

Pois é, afinal não é só o queijo que faz mal à memória, o caviar também.

Assim sendo, ó “camarigueiros” – mistura de camarada, amigo e companheiro – aqui vai o vosso hino para mais tarde recordar, de preferência quando estiverem de novo no poder. É que  vocês são muito Esquerda antes do poder, mas depois tendem a guinar à Direita.

A realidade é uma coisa que não lhes assiste

Francisco Assis

defendeu o legado de seis anos deixado por José Sócrates. Um legado que, disse, “não é o do défice, da dívida e do desemprego”.

The Desert Sweepers, Su-Mei TseEu até sou gajo para afirmar que o desemprego, a dívida (e a privada é o problema, ó anarquistas da direita) e o défice aumentaram após a crise financeira internacional pela qual José Sócrates não pode ser responsabilizado. Mas os 150 000 empregos não foram criados antes, o défice e a dívida subiram em qualquer gráfico perto de si, e pior do que isso foi-se privatizando o SNS e a escola pública.

Que a política é a arte da mentira já sabíamos e ninguém como Sócrates a elevou a um patamar tão alto de completa manipulação, assumindo a terceira via do discurso é tudo, no conteúdo eles nem reparam. Que não se esperava que acordassem, tomassem um duche e regressassem à real, era óbvio. Mas quando insistem desta forma escabrosa, e sabendo-se que na oposição não têm a mínima hipótese de manipular como o faziam no governo, cheira a uma travessia do deserto feita de gatas, e sem água. Tristeza.

O celibato como sistema reprodutivo de pessoas, bens e saberes em aldeias camponesas

        Este texto é a reconstrução por escrito das minhas palavras sobre a reprodução no IV Congresso de Antropologia de Espanha, realizado em Alicante. Ao trabalhar o argumento que apresentara com base num esboço, outras ideias levaram-me um pouco mais longe em relação à exposição original. De facto, este texto é fruto do estudo que venho desenvolvendo sobre racionalidade, reprodução e estratégia, para o qual me sirvo de dados sobre camponeses europeus, estando, portanto, entrelaçado com o argumento que debato em vários outros textos dispersos pelo mundo. É, por isso, que no final, incluo uma lista deles que, oxalá, pudessem juntar-se a este para sua melhor compreensão. Em qualquer caso, o que pretendo aqui é inspeccionar as ideias e factos que, não sendo das aldeias estudadas, fazem parte da etnografia que um antropólogo europeísta deve consultar e que é possível encontrar na História, na lei positiva e canónica, na religião como na doutrina, Igreja e fiéis, assim como na economia teórica e conjuntural. É este o contexto dos factos da lógica camponesa que, na sua dimensão própria, está registado nas relações sociais e na tecnologia, que são os textos do saber oral e da sua cultura.

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