Eu sou desempregada e frequento redes sociais

Brioche 3
 
Exma. Senhora Jonet:
 
Eu sou desempregada. Mais concretamente, sou semi-desempregada de longa duração. Demasiada longa duração e demasiado desempregada. O semi é ocasional e poucas vezes consigo trabalhar. Das vezes que trabalho, nos últimos dois anos, frequentemente tenho que esperar mais de meio ano para receber o valor devido. Demasiado precária. Por minha culpa, claro!
Reconheço que a senhora, do alto da sua sapiência, acertou na mouche no que me diz respeito. Sou uma calaceira que só quer andar no Facebook e outras redes sociais, autênticos vícios que destroem famílias e nos impedem, a nós, míseros desempregados, de encontrar trabalho.

Reconheço-lhe toda a razão e até lhe agradeço a apurada perspicácia. As suas palavras calaram fundo no meu ser. Agitaram a minha consciência. Como posso eu ter andado por aqui a navegar na internet e a falar com «amigos» que não passam de virtuais, descurando a minha família, a minha busca activa de trabalho e a minha casa?
A partir de amanhã, serei uma nova mulher. Já desactivei a minha conta do Facebook, Seguem-se as do Pinterest, Twitter e Linkedin. Ou será que posso pelo menos manter a conta do Linkedin, uma vez que se trata de uma rede de contactos profissionais? A senhora deixa-me manter essa conta? Por favor?
Seguindo a sua lógica, será melhor desactivar também a minha conta do wordpress, através da qual escrevo no Aventar, afinal, enquanto escrevo aqui, estou a perder imensas oportunidades de trabalho. Olha, lá foi uma pela janela! Raios, agora não me apetece correr para a apanhar…
A partir de amanhã, irei calcorrear as ruas, bater de porta em porta, mendigar um trabalhinho aos afortunados da vida como a senhora. Vou fazer como aquele moço que a senhora certamente admira aconselha: vou bater punho! De certeza que, se eu bater muito punho a muitos homens e talvez algumas mulheres, consiga qualquer coisinha, que lhe parece?
Tenho apenas um problema: a senhora considera, e muito bem, que os desempregados devem fazer voluntariado para estarem ocupados. Ora dá-se o caso que os contactos para o voluntariado que faço, e é muito, possivelmente bem mais do que aquele que a senhora pratica, são todos feitos através do Facebook. É em páginas de bancos de voluntariado do Facebook que me inscrevo. É nessas páginas que peço também voluntários quando sei de acções que deles necessitam.
Agora, a senhora Dª Jonet deixou-me num dilema. Deixo o vício que tão mal me faz ou mantenho-o para fazer o voluntariado que tão bem me faz a mim e à sociedade?

Aguardo, Exma. Senhora Dona Jonet, uma luz, uma instrução de uma alma iluminada quanto ao que devo fazer. É que na minha alma agora só habita a escuridão, certamente provocada por esse hábito maligno de frequentar redes sociais e nunca pelo facto de não ter trabalho, de me sentir, aos 44 anos de idade, velha para trabalhar, de não saber, a partir deste mês, como vou contribuir para alimentar as minhas filhas ou como vou ajudar o meu marido a pagar a renda de casa, que receio brevemente ter de entregar ao banco.

Talvez um dia vá ao seu banco para mendigar um pacote de massa. Melhor, talvez um dia vá a sua casa bater-lhe com o punho na cara!
 

 

Comments

  1. Fernanda says:

    O problema é que a Isabel Jonet deve ter alguma influência no MEC e no Nuno Crato. Senão, pensemos:

    “O acesso a sites como o Facebook ou Instagram vai ser permanentemente limitado nas escolas. Alunos, professores e pessoal administrativo só podem aceder aos sites durante um horário específico, uma medida explicada pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC) com a necessidade de responder à “pressão sobre a rede” que decorre do acesso a páginas que, “de um modo geral, não se revestem de carácter pedagógico”.

    Há aqui 1 química impressionante!

  2. Maria de Almeida says:

    Boa Noémia, só te fica bem, essa forma de tirar dúvidas com tão ilustre criatura.
    Vais ver que na volta o desemprego só não te larga, por causa desse teu tão grande apego ao dolce fare niente.
    Vais ter que perceber que os pobres, só o são, por umas estranhas e ocultas tendências masoquistas.
    Vais ter que perceber que os pobrezinhos são muito úteis na sociedade, para acalentarem e apaziguarem, as almas boas e inquietas, de gente tão imbecil, como a Jonet.
    Vais ter que entender que o Facebook não é mais que um aliado de todos aqueles que fazem estatísticas a dizer que, nós os portugueses, somos todos una madraços.
    Agora fiquei na dúvida se, o livro das caras, não será também aliado do FMI, do BCE, dos sacanas que nos governam e de toda essa longa lista de gente do bem.
    Agora vou ter que sair.
    Vou ali vomitar já venho!

  3. Fernanda says:

    Ainda acerca da visão de Nuno Crato ( muito semelhante à de I Jonet), temos que depois implementam-se acções de formação como a que aqui deixo sobre os “Jogos e Mobile Learning”.

    Pode-se então largar o facebook e outras coisas mais demodé e enveredar pelo m-learning, coisa mais do agrado não só do MEC mas também, creio, da I Jonet.

    E prontes.

    http://www.aevianadoalentejo.edu.pt/13-noticias/581-inscricao-no-2-encontro-sobre-jogos-e-mobile-learning-fpce-uc-9-de-maio


  4. Esta Madame Jonet é useira e vezeira em asneirar:
    Acho até que é a prova da não existência de Deus…

  5. luis lapin says:

    Esta senhora, em lugar de se dedicar à mercearia que já começo a duvidar que domine, aventura-se por caminhos, para ela estreitos, reveladores de extrema ambição. Como alguém escreveu algures, tem o intestino grosso ligado à boca.
    São já suficientes as gaffes, mulher. Fale do que sabe ou cale-se, caramba.

  6. Jorge Ralha says:

    … e não haverá uma alma caridosa que lhe “ofereça” um par de tabefes (na cara…. não vá ela gostar e é uma porra); temos (?) a caridadezinha de volta + a estupidez que (parece de propósito) quase sempre a acompanha.

  7. Nascimento says:

    O espermatozóide que fez a criatura, era Almirante .A esta p…a, nunca lhe faltou nadinha.Eu não gosto de vomitar em vermes, porque depois eles “crescem”. Um escarro é melhor.

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