O demagogo, a clientela e os subsídios

O candidato António Costa (o tal que é boy rosa mas quase ninguém lhe chama isso, isto dos boys é só para os do PSD) ), prometeu, a uma “assembleia de clientes”, que iria, caso fosse governo, criar novamente o Ministério da Cultura.
As chamadas “pessoas da cultura” (que eu não sei como se caracterizam) vão desde a actores de televisão e cinema, escritores, escultores, poetas, pintores, músicos, etc, e até de personagens como Gabriela Canavilhas (ex-Ministra da Cultura de triste memória e amiga das touradas). Vendo de relance a lista de apoiantes (há uma página no Facebook para isso), e com algumas excepções, verifica-se que temos mais uma vez a corte dos subsídios. Lembrei-me logo dos GNR, ou dos Moonspell, entre outros, que fizeram carreira, e nunca receberam qualquer subsídio do Estado.
Que a cultura deve ocupar um lugar central na nossa sociedade, estamos de acordo. Mas devemos discutir o que cabe nesse guarda-chuva chamado “Cultura” e qual deverá ser o papel do Estado e da sociedade civil nessa matéria. E depois, sim, qual deve ser o modelo político e administrativo para cumprir tal missão.
Sem isso, isto não passa de demagogia barata e de clientes a berrar por subsídios.

Comments


  1. Nos últimos tempos não tem faltado “artigos” no teor deste post. É a nova moralidade das sumidades que nos “governam”. Algo que podendo ter alguma razão, facilmente resvala para a demagogia, populismo, e vacuidade boçal… É preciso ter cuidado com o terreno que se pisa.

    • Orlando Sousa says:

      A diferença, para a cultura e para o património, entre os governos Sócrates e o governo Passos Coelho, é só uma:antes havia Ministério da Cultura e Secretaria de Estado da Cultura e agora nem um nem outra. Isto é que diz bem da moralidade das sumidades que nos governam, mas também que nos governaram antes.

  2. Sarah Adamopoulos says:

    O seu post nada diz sobre a Cultura ou as suas necessidades em matéria de outras políticas, apenas ataca o PS, reproduzindo o pensamento dominante dos tempos. A Cultura não é nenhum guarda-chuva, é um sector – um sector devastado pela falta de financiamento estatal, num país onde os artistas são tratados como lixo.


    • O meu post não é sobre a Cultura, mas sim sobre uma acção/evento, em que um candidato à liderança do PS prometeu aos presentes desse evento, que se fosse governo teria um Ministério da Cultura. Como se a existência ou não de um Ministério da Cultura fosse determinante na política cultural de um país. Ataque ao PS? Não pode tirar essa conclusão do que escrevi. Mas posso relembrar o 2º. governo Sócrates, com Ministério e Secretaria de Estado de Cultura (hoje nem um nem outra), e o descalabro que foi, acordo ortográfico, Património Mundial (Douro/barragem do Tua, Centro Histórico do Porto, Centro Histórico de Évora, etc, etc). Não sei o que é isso de pensamento dominante dos tempos. Escrevi a minha opinião e penso pela minha cabeça. Chamei guarda-chuva à cultura no sentido de ela ser uma espécie de porto de abrigo de toda uma série de pessoas e actividades, ditas culturais, quando sabemos que não é assim em muitos casos.O sector, como bem diz, desvastado, mas pelo desvario de dinheiro público e comunitário, de opções erradas e erráticas, de favorecimentos de clientelas várias, cuja maior responsabilidade é dos governos anteriores. Daí o desafio, discutir qual deverá ser o papel do Estado neste sector, e depois adoptar o modelo mais adequado para o executar e promover. Basta ver que a actual orgânica do sector é a mesma que estava para ir a Conselho de Ministros em 2011, na semana anterior ao governo Sócrates ter visto chumbado na AR o Pacote conhecido pelo PEC 4 . E o que aconteceu? A dita reestruturação do sector ficou suspensa. E então veio o SEC Francisco José Viegas, e, com os mesmos directores-gerais do anterior governo, aprovou essa dita reestruturação. O descalabro (Museu, Arquivos, Bibliotecas, Monumentos, etc) está instalado, é só falar com os diferentes profissionais dessas áreas. Quanto aos artistas, estamos a falar de quem? Nessa categoria cabem muitas pessoas e respectivas actividades, mas temos todos de estar cientes que o sector Cultura não pode ser uma casa à parte do país. Dou um exemplo, quando vi a lista dos apoiantes dessa promessa de António Costa, dei-me a perguntar porque é que havia lá pessoas cuja taxa de IRS é diferente da minha?
      Por isso é que eu digo que é preciso discutir seriamente as questões da Cultura, e não embarcar em promessas demagógicas de alguns boys (sejam eles de que partido forem), fomentando uma espécie de sebastianismo. E essa discussão deve ser feita de forma aberta e franca, sem qualquer espécie de constrangimentos. Dou outro exemplo: as touradas são uma actividade cultural? Isso foi uma das “glórias” do Ministério da Cultura e da Secretaria de Estado da Cultura do governo de José Sócrates.
      Cumprimentos

      • Sarah Adamopoulos says:

        Ora, o Costa precisa de começar por algum lado, por algumas pessoas, afinal está em campanha. Veremos o que é capaz de fazer nesta área, sendo certo que será seguramente melhor do que aquilo que existe actualmente, que é perto de nada.


      • Ó Orlando, não vale a pena passar a escova no discurso anterior, pois ele é bem claro no alcance, intenções, e retórica. No fundo, começa por abandalhar o candidato Costa, aplicando de caminho umas quantas bofetadazitas no PS para depois apontar o dedo aos “agentes” da cultura vistos como pequenitos glutões, piranhóides do subsídio… O artista transformado em glutão dos nossos impostos… A “imagem” que veicula é moda sabia?!… Os adiantados mentais que tomaram conta do tacho, cheios de virtudes e moral, sempre preocupados com os meus impostos, não fazem outra coisa do que alimentar direta ou subliminarmente essa cassete… Se o seu “discurso” tivesse sido mais equidistante, desinteressado, e equilibrado não me teria despertado a irritação cutânea que estou a sentir… É que já não há pachorra…
        No fundo a sua narrativa é consistente e coerente com a dos “drones” do “passoscoelhismo” que vagueiam pela blogosfera soltando “hellfire”s para cima de toda a gente que pensa diferente…


        • Nada do que escrevi o Luís FA desmentiu. E não sou contra os subsídios. Quanto aos impostos a questão é simples, leia o Código do IRS e ficará a saber do que falo.O resto (os tachos, a moda, a minha narrativa, os drones, o passoscoelhismo, etc, etc,) não comento sequer.

  3. Artista9o says:

    Dois comentários, dois moralistas. Não li, no post, qualquer ataque ao PS. Parece que enfiaram a carapuça.

  4. Artista9o says:

    pronto acabou a argumentação. Vão seguir para o insulto

  5. Miguel Cabrita says:

    Antropológicamente falar de “pessoas de cultura” é uma aberração sem qualquer nexo. Que se denominassem artistas era outra coisa.
    Agora, essa designação denota que esta pequena elite provinciana se considera uma casta separada da ralé mundana por serem do “dominio da cultura”, que obviamente pelo seu carácter superior lhes permite exigir pelas suas pessoas uma dignidade acima do comum dos mortais.
    A carapuça serve tanto a PS como a PSD e a uma certa direita que ultimamente anda a louvar a nova direita a sua cultura e intelectuais.


  6. Discutir se a Cultura deve ter um Ministério, uma Secretaria de Estado ou coisa nenhuma, não é de somenos importância. Tratam-se de sinais que se dão à sociedade, acerca da importância que se dá a determinado sector, e que têm a capacidade só por si de imprimir uma nova dinâmica nos agentes quer públicos que privados. Como exemplo: quando Durão Barroso e a sua Ministra da Finanças Manuela Ferreira Leite introduziram o discurso da tanga, deprimiram o país economicamente agravando a situação em que estávamos. É certo que falta a António Costa dizer em concreto que políticas culturais defende para o país. Mas se olharmos para Lisboa, podemos no mínimo concluir que se trata de alguém que faz alguma coisa: Só para dar alguns exemplos: o Out Jazz vai para a 8a edição, o Lisboa na Rua para a 7a edição, o Terreiro do Paço é palco de vários concertos e exposições.

    • Sarah Adamopoulos says:

      Lisboa não é o problema, mas sim o resto do País. como levar a cultura (isto é, as *artes*) ao interior e aos lugares (que são a maioria) onde domina o entretenimento e o folclore e cujas salas da rede de teatros municipais estão a maior parte do tempo vazias porque não têm programadores, ou se têm que não programam para além do Verão? Claro, eu sei, os orçamentos para a cultura tornaram-se ridículos, como programar sem meios?
      há, ou houve, programas de (digamos) “discriminação positiva” (nos apoios ao teatro, designadamente), destinados aos lugares mais abandonados, mas depois os ciclos políticos mandam abaixo tudo o que faz o antecessor, e esses pequenos edifícios (companhias teatrais, salas) ficam embargados, levando também a que tudo o que entretanto construiram junto das populações se torne irrelevante, caia no esquecimento, e não possa jamais significar uma transformação nos hábitos culturais dessas populações.

      • Orlando Sousa says:

        Pois, é a velha concepção de país, Lisboa é a capital e o resto é paisagem, e como tal, é necessário que a elite vá à província levar a cultura.E o Estado paga. Como em tudo, há muito boa programação fora de Lisboa (Arcos de Valdevez, Vila Real, V. N. de Famalicão, etc, etc.), e há a ausência dela noutros sítios.Será interessante tentar perceber porquê, e aí talvez se possa ter uma discussão decente sobre estas matérias.
        Cumprimentos

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