V. Excias. estão equivocados? Não me parece.

Temos assistido aos pseudo arremessos do BE ao actual governo. Na área da Cultura a tónica tem sido na questão dos precários, nos apoios aos agentes culturais, e recentemente o estatuto dos trabalhadores da Cultura.

Não raras vezes é Ministério da Cultura para ali, Ministério da Cultura para acolá, e por aí adiante. Aliás basta ver o jornal Avante da SONAE, e por exemplo a voz do dono (Governo) neste artigo. Também noutras bandas é igual.

Enfim, a corte no seu melhor.

Mas voltando à questão, não existe Ministério da Cultura. Não no sentido irónico de dizer que esse eventual Ministério não actua, mas de facto não existe.

Desde 1974 até 1980 (6 anos) não houve nos sucessivos governos qualquer pasta governativa  dedicada à Cultura. A partir daí sempre houve Secretaria de Estado da Cultura  e/ou Ministério da Cultura. Com tudo o que isso implica. Em 2011, o Governo da troika extinguiu a pasta. Nesse governo não havia nem Ministério nem Secretaria de Estado. Havia um Secretário de Estado (Francisco José Viegas, e depois Jorge Barreto Xavier, ambos de triste memória). Na altura muita gente  usou o argumento de não haver Ministério. Mas referiam-se à Secretaria de Estado da Cultura, que não havia. Hoje, 2021, passados 10 anos, continua a não haver nem Ministério da Cultura , nem Secretaria Estado da Cultura. Temos uma Ministra e uma Secretária de Estado, mas ambas sem pasta, tal e qual como em 2011. Mas curiosamente o BE nada diz sobre a matéria. Aquilo que seria o exemplo de como o governo da troika tratava (mal) a cultura, não se aplica ao actual governo.

Percebo, e na minha terra esse comportamento tem um nome.

A coalhar é que a gente se entende

Há anos houve o chamado orçamento Limiano. Agora vamos ter o governo Terra Nostra.

Gosto dos dois, dos queijos, entenda-se.

…M’ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M’AVERGONHO … *

 

Vamos ter eleições para a Presidência da República. Tal como a Assembleia da República, estes são os dois únicos orgãos de soberania que são eleitos por voto directo dos cidadãos, vulgo sufrágio universal. Daí a sua importância. O actual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ir-se-á candidatar, de acordo com o que vamos lendo na comunicação social. Será assim candidato a um segundo mandato (legalmente não poderá candidatar-se a um terceiro). Assumiu-se como independente antes de ser eleito.

Tenho-me lembrado da poetisa Natália Correia Guedes, que lhe tinha dedicado entre outros, este poema:

O Carochinha*

Dos voos de Marcelo, o transformista,
em doméstico dom repousa a asa:
farto de andar ao trapo e ser fadista
torna-se modelar dona de casa.

Na modéstia exemplar dessa roupeta
– Ó eleitoral, virtuosa esfalfadeira     

de ser dono de casa lisboeta! –
vai Marcelo às mercas na Ribeira,

enche a despensa, lava a roupa é cozinheiro,
cose a meia, faz tricot, varre a casinha.
Por fim, põe-se à janela e diz faceiro:
Quem quer casar com a carochinha?

O que recordaremos desse primeiro mandato? As ditas selfies? O dito afecto? A conversa da treta? As aparições na praia? O “colinho” ao actual Governo? Tancos? A não recondução, vergonhosa, diga-se, da  PGR? Os incêndios? Os mortos? O País? Os Portugueses? Fraca herança, comparativamente com qualquer dos anteriores Presidentes.

Será reeleito para o tal segundo mandato.

Regresso a Natália Correia Guedes:

Requiem por Marcelo**

O ingrato que em mim tinha cantora,
torna-se chatamente, sorumbático:
de truão despe o fato e entra agora
na enfadonha pele do catedrático.

Mudos que são os guizos de Marcelo,
já nenhum som que o chiste inspire, escuto;
sepultada a pilhéria no capelo,
meu jocoso cantar visto de luto

Ó ingratidão que já não me entretém,
do riso astro cadente, ó meu enfado!
Adeus Marcelo, aqui deixo um requiem
pelo bubónico artista reformado.

**Natália Correia, O Sol nas Noites e o Luar nos Dias II, Círculo de Leitores, 1993

*Sá de Miranda, Poema “Quando Eu, Senhora, em Vós os Olhos Ponho”

Vamos para casa, disse o esturjão.*

 

A Fundação de Serralves recebe financiamento público. Todos sabemos o que está a acontecer com as questões das pessoas que lá trabalham e que viram interrompido esse trabalho. Queixas foram feitas a quem de direito (ACT e Ministra da Cultura).  O assunto prossegue, de acordo com notícias recentes.

São PPs (prestadores de serviço e/ou precários). O caso será de tribunais, com o consequente desgaste quer da instituição, quer das pessoas em causa.

O que se pergunta é :  O que fizeram os representantes  (Isabel Pires de Lima e José Pacheco Pereira) do Estado Português na Administração da Fundação? Zelaram pelo interesse público? Pelo cumprimento da Lei? Informaram quem de direito o que se estava a passar?

Bem me parecia.

*Novos contos do Gin-Tonic”, Mário-Henrique Leiria, Ed. Estampa, 1976

Ocidente e Oriente

 

unnamed

Mustafa Kemal Atatürk

25 de Julho. Dia de Santiago. Um dia importante para o Ocidente. A Catedral de Santiago de Compostela, na Galiza,  recebe os peregrinos (turistas, dizem uns, viajantes, dizem outros, uns crentes outros não crentes). Atravessam territórios de vários países. Já é assim há muitas luas. E esperamos que assim continue. Os peregrinos (turistas contemporâneos) são bem-vindos na Catedral, e o culto católico continua a fazer-se.

No outro lado do Mediterrâneo, na Turquia, a partir desta semana, Hagia Shopia (Bem inscrito na lista do Património Cultural da UNESCO) passa a ser novamente uma mesquita, após decisão do governo turco, decisão legítima, diga-se.

Quer o Papa goste, quer o Papa não goste. Muita gente, e de variados quadrantes, desde o Ocidente ao Oriente (políticos, dirigentes religiosos, jornalistas, bitaiteiros, enfim…..), tem-se pronunciado sobre essa decisão. Também na Turquia a questão  não é pacífica, e há muitas vozes contrárias.

UNESCO, ICOMOS, e outros organismos internacionais, tomaram posição pública sobre o assunto.

A discussão pode e deve ser feita, mas o que está em causa tem a ver também com a soberania de um Estado, de suas decisões, e com o cumprimento, ou não, de compromissos internacionais, por parte desse Estado (Convenção do Património Mundial, a que a Turquia aderiu voluntariamente).

Dito isto, muita matéria há que analisar, designadamente sobre o uso do Património Cultural (civil, religioso, arquitectónico, arqueológico, público, privado, da Igreja, etc, etc.), as alterações ao uso, as implicações físicas dessas alterações, a vontade das populações que interagem com esse Património, etc.

Todos reconheceremos (se formos à Assembleia da República e fizermos essa pergunta, a resposta será unânime, da extrema esquerda à extrema direita) que o Património Cultural (nas suas diferentes vertentes e manifestações) deve ser preservado e salvaguardado. E a sua utilização? Como o fazer e quem o deve fazer é que torna a coisa complicada. Qual deverá ser o papel do Estado (Administração Central, Administração Regional, e Administração Local) nessa matéria? E o dos privados? E a dita sociedade civil? E os proprietários desse Património (onde se inclui a Igreja Católica)? E aqui começa de facto uma conversa séria, que nos últimos anos nenhum governo ( desde José Sócrates até agora, nem recuo mais) quis encetar.

E assim voltamos novamente a Hagia Shophia. Assunto sério para reflectir sem preconceitos nem fundamentalismos.

Curiosamente o Ministro dos Negócios Estrangeiros Turco Yavuz Selim Kıran refere tuíte de um português:

“After the press release of UNESCO regarding Hagia Sophia, he asked why UNESCO does not push for Notre Dame and Vatican be turned into museums. I will give you another example from Cordoba. Cordoba Mosque was inscribed to the World Heritage List in 1984. It was converted to a Cathedral in 1236 and is still being used in the same function,”.

O chamado dedo na ferida.

Howl*

 

IMG_5133

Há anos, precisamente nos idos anos setenta, num teste de História no liceu, uma das perguntas era esta: comente a seguinte afirmação – “A História começa na Suméria” .

A frase era nem mais nem menos do que um título de um livro, publicado cá pelas Edições Europa-América, da autoria de Samuel Noah Kramer. Era a questão do aparecimento da escrita, e a partir daí considerava-se que a História começava.

Um marco no tempo e no calendário. Outro é o nascimento de Cristo, temos o tempo aC e dC. (há naturalmente outros acontecimentos e outros calendários, no Oriente por exemplo).

Na investigação científica, especialmente em Arqueologia, quando se trata de datações com base no carbono 14, os resultados são apresentados em anos, mas com a menção BP (before present).

E por aí fora.

Ainda hoje ouvimos os mais velhos (cá e na Europa) dizerem “isso foi antes da guerra”. Referem-se, como é óbvio, à II Guerra Mundial.

A partir de agora teremos outro tempo e outro calendário, e desta vez para todo o mundo, aC19 e dC19.

*Allen Ginsberg, 1956

A imagem  (foto minha) é de um painel existente no Museu de História Natural, secção de Geologia, em Londres

Mnemosine

E é isto.

Orgulhosamente sós!

Mais de 50 anos separam este discurso deste: “Portugal não deve ter problemas em ficar isolado sempre que isso corresponda à defesa de um interesse vital” . Enfim.

O camarada Espártaco

Morreu Arnaldo Matos. Percebeu muito cedo o poder da comunicação. Os painéis, os murais, as pichagens nas paredes, os comunicados porta a porta, etc. Agitação e Propaganda.

Recentemente descobriu o Twitter.

Já em 1975, enquanto Secretário-Geral do MRPP tinha lançado uma grande campanha de angariação de fundos para a aquisição de meios técnicos de impressão.

O slogan: “A revolução precisa de fundos como a boca precisa de pão!”

Aqui fica um testemunho dessa campanha (e não, o original do talão não vai para o Ephemera do Pacheco Pereira).

BE – Partido Photoshop

Depois da saga Robles, o que sobrou? o BE está pronto para ser governo (a prova dos nove foi conferência de imprensa do vereador, e a prova real a posição da Catarina Martins).
Costa agradece e o PC que se cuide.

Boa questão!

image.png

Então Catarina?Então Jerónimo?

Todos diferentes, todos iguais.

Boa gente somos todos!

Após ouvir isto lembrei-me logo do Isaltino Morais! E do Armando Vara! E do José Sócrates!

Finalmente assumiu-se!

Ora aí está o verdadeiro fanático ditador do Porto!

E novidades?

Isto provocou alguma “intifada” na CS tuga?

Tão ladrão é o que vai à horta, como o que fica à porta*

E novidades Sra. Deputada?

*Provérbio popular português

Agora?

A nossa elite. Ou falava na hora ou devia estar calada.

Liberdade e democracia? Onde?

Aguardemos o que o PCP vai dizer sobre isto.

Conselho Geral de quê?

Seixas da Costa foi o embaixador português que ajudou a EDP (na UNESCO) a construir a barragem do Tua; é administrador da Mota Engil (construiram a barragem do Tua); é adminstrador da EDP.

Onde andas Jerónimo? Onde andas Catarina? Ah! No Porto a ver os aviões!

 

 

 

Contributo para a igualdade de género!

Dedicado à patrulha de controle e vigilância dos bons costumes!

Puta que os pariu!*

Estes fascistas  já recomendaram que as  lojas de roupa interior retirem o que tem à venda?

*Título da biografia de Luiz Pacheco, de João Pedro George

“Leave Europe and go where … to another galaxy?”

Pois é. O silêncio do BE e de mais uns quantos (Louçã, por exemplo) é ensurdecedor.

Amigos?

Que há em comum entre Manuela Ferreira Leite, Rui Rio e Morais Sarmento? Para além de serem do PSD e não gostarem do Passos Coelho?

Qualquer deles tinha apoiado o Ricardo Salgado e o BES em 2014.

Viva o Partido Comunista Português!

Se não fosse o PCP a defender a propriedade privada, o que seria deste país!

Mais do mesmo

Foi um raio! Não foi um raio! Vão mas para o raio que os parta!

Where’s Wally?

Assaltado o paiol de Tancos. Caso muito grave. Onde anda o Comandante Supremo das Forças Armadas? (é o que diz o ponto 1).

His master’s voice

Ao ouvir o forum da TSF hoje e depois de ver os títulos dos anteriores depois do incêndio, por que será que sempre que o PS é governo a TSF (dita de referência) é mais exigente com a oposição?

PCP, a lavar desde 1921

A foto p/b que ilustra isto diz tudo.

 

O Santo Ofício

À procura do D. Sebastião. Envergonhavam a PIDE!

Je suis Sebastião Pereira.

RIP

Li isto. E depois vi a capa do Público de ontem. E mais tarde li este comunicado.

E depois de ver que no Público de hoje nem uma linha sobre esta matéria (a da capa, porque o que interessa é a oposição interna ao Passos Coelho), percebi. O Público, que estava moribundo, morreu na noite de S. João.