Pequenos e médios trafulhas

Maria de Lurdes Rodrigues foi condenada. Por alegado crime insignificante (embora importe que se vá acumulando jurisprudência sobre casos que tais), comparado com o mal irremediável que fez no ministério que tutelou. As próprias palavras por si proferidas à saída do Tribunal ( “Nunca tinha entrado num tribunal. Estou muito mal impressionada com aquilo que aqui vi”) mostram a distância a que esta gente está dos problemas reais de que sofre o país, que governaram de modo, como diz a lei, “solidariamente responsável”.

Ela e o seu herdeiro espiritual Nuno Crato conseguiram um desolador efeito de devastação no sistema de ensino com o qual parecem ter uma relação no limite do patológico. Para lá de todos os problemas já conhecidos, hoje multiplicaram-se as notícias de escolas – algumas novas! – que vão encerrar, embora algumas tenham mais de quarenta alunos. Já não há limites para a barbaridade. No fim, restam condenações por pequenas e médias aldrabices, favorecimentos, tráfico de influências. Mas o mal pesado que foi e continua a ser feito ficará sem outra resposta que as anémicas reacções eleitorais. Só os crentes ficarão descansados, já que acreditam – como uma pessoa com quem falei hoje – que Deus ajustará as contas depois. Chamam a isto esperança de justiça. Eu, com o devido respeito, chamo alienação. Nisto, eles são mais felizes. Mas também mais disponíveis para ser enganados de novo.

Comments

  1. coelhopereira says:

    Vi, há pouco, na TVI24, uma breve entrevista a tão excelsa senhora, entrevista patética e cristalinamente reveladora dos tiques quase patológicos da mente daquela que, outrora, se pretendeu afirmar, qual Átila, o Huno dos pequeninos, o flagelo do professorado.
    A rica senhora não fez a coisa por menos: a luta pela jurídica absolvição do seu bom nome é a luta altruísta que ela, generosamente, em nosso nome faz pela sobrevivência da nossa querida democracia. Pelo meio, foi acrescentando algumas pérolas de pioneira e muitíssimo profunda teorização política ao cenário de fundo do seu abrangente e evidentíssimo destrambelho psicótico: que a sua condenação partiu de uma denúncia caluniosa (?!!!) de deputados da Assembleia da República e, como tal, falta-lhe legitimidade, uma vez que os senhores juízes não deveriam ser permeáveis à perniciosa intriga da álacre canalha parlamentar, isto entre outras sapientíssimas tiradas que, por uma questão de falta de pachorra e de (confesso) uma certa olfactiva fraqueza pessoal face ao forte odor da trampa, me excuso quer a citar, quer a comentar. Espantoso! Mais um salazarzinho de saias, egomaníaco e mitómano, que nos propõe salvar as instituições democráticas fuzilando os seus representantes com o chumbo fervente da calúnia insidiosa. Não há como o passar do tempo e a queda do escudo do poder para expor à crua luz do dia a indigente falta de qualidade e o cheiro nauseabundo da prepotência sem amarras desta gente, gente que diz de si própria ser a “elite” deste país.

  2. niko says:

    não estou de acordo com o seu comentário, mostra o facsiosismo da mesma entidade que fez a queixa ,tal como o ódio que tem ao Partido Socialista ,

    • coelhopereira says:

      Tem o senhor todo o direito de discordar do meu comentário, mas deixe-me dizer-lhe, se mo permite, que anda o senhor muito mal ao defender a honra do Partido Socialista na pessoa de tal senhora. Quanto a chamar de “fascistas” os deputados do PCP que “levantaram a lebre” do contrato ínvio da senhora ex-ministra, bem… digamos… já houvi, no mínimo, melhores e mais fundamentadas acusações. Igualmente lhe faço notar algo que, certamente, de há muito sabe: visões de facção e ódios avulsos, por mais vociferantes que sejam, não fazem jurisprudência em tribunal. As provas, essas sim, fazem.
      Se o senhor me apontasse a pena claramente desproporcionada de Manuel Godinho ( penas de 17 anos recebem, neste país – quando recebem – os psicopatas reincidentes que assassinam com requintes de crueldade) como uma espécie de prémio de consolação substituto do verdadeiro prémio – a cabeça degolada de José Sócrates numa bandeja de prata – eu consigo concordaria. No caso em questão, consigo não posso convergir: a senhora em questão caiu vítima do seu próprio cego autoritarismo e da sua ilimitada arrogância antidemocrática.
      E anda muitíssimo mal o Partido Socialista quando recruta para elencos governamentais gente deste quilate, pois suja de lixo, para não dizer pior, a sua própria história.
      Os meus sinceros cumprimentos.


  3. A Dra Maria de Lurdes figura mais importante do universo daqueles que iniciaram os pecs para a educação, após conhecer a sentença e até hoje 23,59 já foi brindada com DUAS entrevistas, uma na sicn e a última na tvi24. Ainda há a rtp e o canal benfica. A entrevista na tvi24 foi confrangedora e não consigo perceber que tenha dito que a “denúncia” tenha vindo do parlamento. Então não é suposto que cabe ao Parlamento fiscalizar os actos do governo Sra Dra Maria de Lurdes?


  4. Reblogged this on O Retiro do Sossego.

  5. luis says:

    Este PSD é péssimo mas para as cabeças desmemoriadas é sempre bom rever esta gente do PS e recordar o que fizeram quando estiveram no poder.


  6. Dois fascistas apoiantes da nova união nacional não gostaram da publicação.

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