Simulação do que aconteceria aos partidos com a redução do número de deputados para 181

O Helder Guerreiro disponibilizou mais um serviço público no seu tretas.org. Trata-se de um simulador que mostra como poderia ser a distribuição de cadeiras no Parlamento em eleições anteriores caso o número de deputados fosse outro e/ou se a distribuição fosse por círculos eleitorais ou por um círculo eleitoral único.

A imagem seguinte mostra como seria o actual Parlamento saído das eleições legislativas de 5 de Junho de 2011 se apenas fossem eleitos 181 deputados.

parlamento-181
Simulador disponível em parlamento.tretas.org

O número de deputados que actualmente constitui a Assembleia da República é  PPD/PSD: 108; PS: 74; CDS-PP: 24; PCP-PEV: 16; B.E.: 8. Com a reorganização são os pequenos partidos que mais perdem e, consequentemente, mais se perde na diferença de opiniões e soluções.

António José Seguro, em vez de ser populista, faria melhor serviço ao país e a si mesmo se defendesse a redução dos gastos com cada deputado, em vez de pretender reduzir o número de deputados. Ou será preciso lembrar, por exemplo, o caso dos deputados que colocam a morada fora de Lisboa só para receber as ajudas de custo? E que dizer da sumptuosa cantina da Assembleia da República? E dos carros para os grupos parlamentares? Isto só para exemplificar.

Mas se a preocupação de Seguro é mesmo a despesa do Estado, porque é que ainda não perguntou pelas fundações que o governo anunciou que ia extinguir, afinal de contas, uma grande bandeira eleitoral, mas que ainda continuam a existir. E os contratos com os escritórios de advogados e os gastos de consultoria? Isto, novamente, só para exemplificar.

Seguro é um desastre, como se pode ver pelas tiradas que já ficaram célebres e, novamente, como se constata nesta proposta. “Qual é a pressa?” “Anulei-me no PS para manter a paz interna.”

Comments


  1. Qual sumptuosa cantina?


  2. Permita-me discordar parcialmente.
    Por enquanto não conhecendo em detalhe a proposta de António José Seguro, mas conhecedor do que têm sido os debates anteriores sobre esta matéria, o mais certo é que tudo isto resulte em nada. Verdadeiramente ninguém parece interessado na mudança.
    Há muito que defendo a redução do número de deputados, com a introdução de círculos uninominais.
    Utilizando o simulador, fiz o seguinte exercício, 61 deputados eleitos por círculos uninominais. (Não vou extrapolar resultados, pois teriam que ser construídos os círculos e seguramente que os resultados iriam depender dos candidatos.)
    Os restantes 120 coloquei em círculo nacional único. Os resultados são bem interessantes (PSD 51, PS 36, CDS/PP15, CDU 10, BE 6 PCTP/MRPP 1 e PAN 1.
    Ou seja, com 120 deputados em círculo único, teríamos 2 novos partidos no Parlamento, obviamente todos perdem mas de forma quase proporcional. E não seria um dado adquirido que os 61 deputados eleitos em círculo uninominal fossem todos do PSD ou PS. A CDU seria bem capaz de conseguir mais 2 ou 3, dependendo da forma como os círculos forem construídos. Principalmente se forem eleitos à primeira volta, com maioria simples.

    Conclusão – Posso ser contra ou a favor da proposta de António José Seguro, considerando os detalhes. Reduzir de 230 para 181 deputados seria a meu ver uma atitude positiva na reforma do sistema político. Mas tem que ser feito com seriedade, sem introduzir engenharia para beneficiar A ou B. O que sempre tem acontecido nas várias legislaturas em que o assunto foi discutido, impossibilitando um acordo entre PS e PSD. Quanto mais um acordo alargado.

  3. Josand says:

    Não percebi o ataque do A. Costa ao AJ Seguro, referindo que esta mudança beneficiaria o PSD, com base nas últimas eleições… Se usarmos o mesmo raciocínio também o PS teria sido beneficiado nas eleições anteriores em que ganhou…


    • Só quem não percebe nada do ps e de quem manda no ps e está distraído é que não percebe que isto ajuda o povo a esquecer o que o governo anda a fazer (portanto é de propósito que o ps faz isto) e que este jogo entre o seguro e o costa é uma treta, que quem manda no ps já tem escolhido o costa há muito, muito, muito tempo atrás.


    • e o ps psd e cds são um, união nacional


  4. Já comi na cantina da AR. Não é má, mas está longe de ser sumptuosa. Perdiz, porco preto e iguarias afins então nunca vi. Essas devem ser para o restaurante, que tem um ar mais luxuoso mas também preços a condizer.
    O Correio da Manhã nunca é de fiar para sustentar um argumento.


  5. Com 181 ou 230 a história é a mesma.
    Só visitam o povo que os elege na altura da caça ao voto.
    Porque não estiveram distribuídos, no dia da abertura das aulas, nos sítios mais polémicos a dar apoio à população do distrito que os elegeu?
    Será por não têm qualquer ligação com os conselhos/distritos que os elegem?
    Gostaria que todos meses, os deputados, de todos dos partidos, fizessem, uma espécie de “presidência aberta” no distrito que os elegeu, levando os panfletos de campanha e explicar ao povo que os elegeu porque tanta promessa não é cumprida.
    E o Ministro dos Assuntos Parlamentares, não poderia acompanhar, também, este séquito de deputados?


    • Não sei se os “seus” deputados do seu distrito e partido estão ou não em contacto com as populações que os elegeram e os seus problemas. O “meu” deputado tem por hábito andar por cá com regularidade, tomar conhecimento dos problemas, denunciar situações, reinvidicar soluções.

    • Roberto Carlos says:

      Não sei como é no distrito do Fernando Torres, mas pelo Algarve a presença do deputado Paulo Sá, eleito pelo PCP, é uma constante. Dos grandes centros urbanos às vilas do interior, o deputado está presente nas escolas, nos centros de saúde e hospitais, nas repartições de finanças, entre outros locais. Agora, é certo que enquanto qualquer passo de deputados de outros partidos é noticiado com pompa e circunstância, a notícia das visitas em trabalho dos deputados do PCP costuma ter muito menos tempo de antena.

  6. Fernando Torres says:

    Sou do distrito de Coimbra.


  7. ANÍBAL MARTINS – “politicas ser há muitos anos” escreve-se com “H” – há mutos anos não é o mesmo que “ir à praça” Cuidado com o português – não avacalhem – já basta o brasilês e o OA


  8. Por esta lógica, porque não aumentar para 1000 deputados?
    Só um idiota é que justifica o problema com o número de deputados…

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  1. […] Simulação do que aconteceria aos partidos com a redução do número de deputados para 181. […]


  2. […] que fica para si mesmo com mais de 60% dos direitos dos autores. Será que um Parlamento com um diferente número de deputados já teria uma maioria de representantes que pensassem de facto pelas suas próprias […]

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