“Multipliquem-se”, disse ela

marialuisalbuquerqueLuís Manuel Cunha

Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher. Abençoando-os, Deus disse-lhes: “Crescei e multiplicai-vos”. A transcrição pode ser lida no Livro de Génesis do Antigo Testamento.

E pôde ouvir-se a semana passada da boca de Maria Luís Albuquerque, a ministra das Finanças. A senhora começou por afirmar, num colóquio qualquer organizado pela JSD, que o país tem os cofres cheios, supõe-se que de euros. É certo que estava a falar para débeis mentais que são hoje os espermatozóides que darão origem aos marcos antónios costas de amanhã.
Para, logo depois, num arroubo de sexualidade marota e já um bocadinho corada com a ousadia, decidir-se por um apelo sentido à procriação: “Multipliquem-se”, disse. Este apelo liberal ao “mocanço” colectivo com a única finalidade de procriar em função do défice demográfico do país, parece ter tido consequências praticamente imediatas, levando à compra de toneladas de Libidum Fast, que é aquele produto publicitado na televisão propiciador de notáveis performances de alcova e onde aparece o ex-futebolista Paulo Futre agarrado a duas gajas roliças e mamalhudas com ar de quem se sente capaz de “levantar hoje de novo o esplendor de Portugal”, já que tudo o resto está mais murcho que tringalha de velho.

Mais valera, digo eu, que a ministra Maria Luís lhes tivesse lido a sentença proferida em 1487 contra o prior de Trancoso, e arquivada na Torre do Tombo, que eu já aqui considerei como o maior português de sempre. Esse, um verdadeiro símbolo pátrio, se comparado com a paneleirice e a impotência já não digo de portugueses actuais, mas de reis da história pátria e de rainhas ninfomaníacas, sintomas premonitórios da decadência aristocrática e da miséria de alguma monarquia lusíada, ainda hoje cultivada por espécimes que qualquer jardim zoológico não desdenharia poder mostrar aos visitantes. Pois, adiante.

O nosso prior de Trancoso passou a “fio de espada” (perdoem-me a metáfora pouco expressiva, já que a coisa é mais roliça e menos afiada) tudo o que lhe passava pela frente da sotaina – afilhadas, irmãs, comadres, amas, escravas, uma tia de nome Ana da Cunha e até a própria mãe, de quem teve dois filhos! Resultado desta actividade infrene – duzentos e noventa e nove filhos (duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino) concebidos em cinquenta e três mulheres. Isto sim. Eis um português a sério, um português de antanho, dotado de invulgares atributos “caceteiros”, que deveria servir de estudo e de exemplo a essa maricagem de jotinhas instados solenemente à cópula multiplicativa pela sua ministra das Finanças. Ainda bem que “el-rei D. João II lhe perdoou a morte e mandou pôr em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo esta sentença…”.
Sintomaticamente, diga-se em abono da verdade histórica, que D. João II foi um dos três ou quatro reis pátrios que demonstraram alguma qualidade e alguma visão histórica e política. Era este exemplo que Maria Luís Albuquerque deveria ter apresentado àquele conjunto de jotinhas – um padre reprodutor e empenhado repovoador de terras inóspitas, a quem a demografia lusitana muito ficou a dever. Com o imediato reconhecimento régio e a clemência de D. João II, o “Príncipe Perfeito”, um extraordinário rei que o deve ter considerado à época, tal como eu o considero ainda hoje, o maior português de sempre. Como a demografia nacional precisava hoje de padres garanhões desta estirpe. Já que a proliferação cada vez mais acelerada da maricagem não permite grandes garantias demográficas quanto ao futuro da pátria. Transformada que está num espaço povoado de larilas reais ou metafóricos. Os reais “saem dos armários” e exibem-se em desfiles gays. Os metafóricos estão no Governo, na Assembleia da República, em postos de poder. E vão-nos fodendo quanto podem. É a vida!

in Jornal de Barcelos, 01-04-2015

Comments

  1. martinhopm says:

    O «Jornal de Barcelos» aceitou esta prosa? O mundo deve estar mesmo em mudança.

    • desde que paguem toda a prosa será aceite says:

      o mundo nã tá em mudança tá é com mais canalha e menos empregos


  2. Chamar débeis mentais aos jovens que pertencem a partido diferente do autor e pensar que a paneleirice dos reis era pior que a de presidentes republicanos maravilhados pelos jovens pré púberes argelinos revela mais sobre as fraquezas da mentalidade do autor do que da dos jovens ou simpatizantes monárquicos.

    • desde que paguem toda a prosa será aceite says:

      non filha se pertencem a um partido em vez de andarem a foder e a parir ou abortar como os pobrezinhos é porque são menos débeis economicamente e mentalmente que a piolheira e jovens partidários têm de 40 pra cima


    • E tambem não acrescenta nada a pluralidade que se vive no Aventar convidar gente deste nivel de linguagem. É melhor reverem o criterio de convites.

  3. joao lopes says:

    “apelo liberal ao mocanço”…é uma frase linda com a qual todos concordam,independentemente da clubite partidaria.ó xico,o inimigo publico qualificou os moços presentes de “debeis mentais” ,veja lá a sua sorte.

    • desde que paguem toda a prosa será aceite says:

      não pá ó mocanço é prática pedagógica desde o 7ºano ….para se multiplicarem não basta o mocanço —merda deves ser da geração rasca ou és moço da geração xéxé ….bom de qualquer modo…..já tás impotente mesmo com viagra né….

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.