O fosso e a propaganda

Fosso

À medida que os contos governamentais para crianças sobre recuperações fantásticas se multiplicam, a realidade, essa malvada, continua a contar-nos histórias diferentes e aparentemente mais credíveis que a literatura infantil cor-de-laranja. Esta imagem que encontrei n’Uma Página Numa Rede Social, que por sua vez a extraiu da “insuspeita” Rádio Renascença, apresenta-nos uma tese de mestrado cujas conclusões apontam para o seguinte cenário: se a riqueza portuguesa representasse 1€, os 1% mais ricos da população teriam 0,21€ enquanto que os 20% mais pobres teriam 0,01€.

Lidos de outra forma, estes dados revelam também que 20% da população detêm 69% da riqueza total do país. Um cenário desolador para um país que conseguiu criar 10 mil milionários por ano nos últimos dois mas que é incapaz de controlar o aprofundar de um fosso que, segundo o INE, vem aumentando consecutivamente ao longo dos últimos cinco anos. Até Bruxelas referiu recentemente a incapacidade do país em lidar com o aumento da pobreza. A pobreza que avança, o desemprego catastrófico apesar das manipulações governamentais e a emigração em massa são variáveis cada vez mais difíceis de mascarar. Até quando aguentará a propaganda?

Comments


  1. enquanto houver boys and girls a mentirem como gente grande e gente pobre de espirito a acreditar…. continua o reino das cunhas e do compadrio!


  2. Apesar de não gostar, depois de ler a obra famosa de Piketty e os quadros deles, até perspetivava um fosso maior, nos EUA já é maior o fosso.

    • Rui Silva says:

      Cara Cefaria,
      Com base no que você diz pode imaginar que
      a) se perguntarem a um rico se ele quer ser rico em Portugal ou nos EUA. Ele como racional que é, deverá responder que prefere os EUA.
      b) se perguntarem a um pobre se ele quer ser pobre em Portugal ou nos EUA, ele como racional que é, deverá responder que prefere os EUA.

      Dá ideia que as pessoas preferem os “fossos” maiores.

      Dá que pensar …

      cumps

      Rui Silva


      • Pois se me perguntassem a mim eu não teria complexo em dizer que é muito mau ser pobre nos EUA, um Pais que ainda não assegura a gratuitidade universal da saúde, onde as pensões de reforma são associadas a empresas que podem falir sem cobertura do Estado e outras coisas que tais. Isto demonstra bem quanto se pode errar ao interpretar as ideias dos outros sem as conhecer a fundo.
        cumprimentos Carlos Faria

        • Rui Silva says:

          E qual é o pais que garante a gratuitidade da saúde e as pensões não são afetadas pelo fenómeno da falência ?

          cps
          Rui Silva


      • Claro Rui, a validade quase científica das suas palavras é inquestionável.

  3. José almeida says:

    Porque não convidam 3 ou 4 desses novos milionários e virem à televisão explicar como se chega ao sucesso. Ou mesmo pagar-lhes honorários para irem às universidades contar as suas experiências… fazer colóquios pelo país. Acho que seriam um contributo relevante numa altura em que os números já só se subtraem ….. ou se adicionam para descontar. Há “fórmulas” que os nossos economistas de facto não conhecem….. e eu gostaria de saber…..

    • joao lopes says:

      chega-se ao sucesso pagando 505 euros por mês.chega-se ao sucesso pagando dividendos aos accionistas em empresas…deficitarias(ex:PT)


  4. Reblogged this on O Retiro do Sossego.


  5. Reblogged this on primeiro ciclo.


  6. Um pensamento relacionado:
    Não consigo encontrar o artigo, mas li algures que nas eleições inglesas, Keynes perdeu – mas Pickety venceu.

    De facto, a lógica Keynesiana é contra-intuitiva – e mesmo concordando com esta, é simplesmente dificil de explicar, portanto impopular com o eleitorado.

    Pickety (e a sua teoria de desigualdade) por outro lado.. é elegante e simples. É uma ideia vencedora, para ser aproveitada em termos politicos.

    Especialmente em Portugal

Trackbacks


  1. Alan Trider

    O fosso e a propaganda – Aventar


  2. […] mostrou ao que vinha: Portugal tinha que empobrecer. Ora bem, nem todos teriam que empobrecer, apenas aqueles que se encontravam do lado errado do fosso, fosso esse que não parou de aumentar desde que o actual governo chegou ao poder. Os restantes […]


  3. […] da propaganda se esforce por mascarar a realidade, causou danos profundos na sociedade portuguesa. O fosso é vertiginoso, a desigualdade herdada assustadora e os sacrifícios, pelo menos na perspectiva das […]

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