Lemos, ouvimos e vemos

Ana Cristina Pereira Leonardo

 

O capitalismo é como aquelas pessoas a quem emprestamos um dedo e, dois dias não são passados, nos querem levar os membros. A frase não é do velho Marx, nem sequer de Žižek: é minha. E em época tão dada à arrogância da humildade opinativa, digo-o sem falsa modéstia. Porque o caso é este, ao debate de ideias opõe-se hoje uma batalha de opiniões: «Eu acho isto, tu achas aquilo. Eu tenho direito a achar isto, tu tens direito a achar aquilo. Eu estou certo em achar isto e tu és uma besta em achar aquilo» – como se ao criticismo kantiano acrescesse, vá lá, uma espécie de democratização do insulto e do disparate. São tempos palavrosos, pois, em que o império das imagens (cf. o fenómeno narcísico das selfies) não correspondeu ao colapso anunciado das palavras: à imagem de Trump como palhaço de cabeleira bizarra seguiu-se a presidência dos EUA por via de meia dúzia de frases feitas e curtas (não será por acaso que não larga o Twitter).

Quem fala de Trump, fala de capitalismo, pelo que não me desvio do assunto. E o assunto é este: são OITO. Contas feitas, oito multimilionários detêm riqueza idêntica à miséria somada de cerca de metade da população mais pobre da Terra: 3,6 mil milhões de pessoas. [Read more…]

O sucesso do Capitalismo

Ana Cristina Pereira Leonardo

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Quando a fortuna acumulada de 8 (OITO) marmanjos equivale à miséria detida pela metade mais pobre da população mundial, 3,6 mil milhões de pessoas (TRÊS VÍRGULA SEIS MIL MILHÕES), somos obrigados a concluir que o Capitalismo é um sucesso, pelo menos para oito terráqueos.

E será um rico país?

PM diz que Portugal é considerado um país rico no mundo

O fosso e a propaganda

Fosso

À medida que os contos governamentais para crianças sobre recuperações fantásticas se multiplicam, a realidade, essa malvada, continua a contar-nos histórias diferentes e aparentemente mais credíveis que a literatura infantil cor-de-laranja. Esta imagem que encontrei n’Uma Página Numa Rede Social, que por sua vez a extraiu da “insuspeita” Rádio Renascença, apresenta-nos uma tese de mestrado cujas conclusões apontam para o seguinte cenário: se a riqueza portuguesa representasse 1€, os 1% mais ricos da população teriam 0,21€ enquanto que os 20% mais pobres teriam 0,01€.

Lidos de outra forma, estes dados revelam também que 20% da população detêm 69% da riqueza total do país. Um cenário desolador para um país que conseguiu criar 10 mil milionários por ano nos últimos dois mas que é incapaz de controlar o aprofundar de um fosso que, segundo o INE, vem aumentando consecutivamente ao longo dos últimos cinco anos. Até Bruxelas referiu recentemente a incapacidade do país em lidar com o aumento da pobreza. A pobreza que avança, o desemprego catastrófico apesar das manipulações governamentais e a emigração em massa são variáveis cada vez mais difíceis de mascarar. Até quando aguentará a propaganda?

Enquanto a Europa definha, os dividendos aumentam

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© Jacques Demarthon

Uma parte importante dos recursos públicos destinados aos cuidados em saúde, à educação, à criação e fruição cultural, enfim, ao desenvolvimento numa perspectiva larga e de longo termo, foram já subtraídos aos orçamentos dos Estados como consequência de decisões políticas que privilegiam outras prioridades – mesmo se anunciadas em nome de pacotes reformistas ou do «rigor orçamental». É certo que as Constituições ainda asseguram, mesmo se nessa letra pequena de lei que a actual classe de governantes tem relutância em ler, os princípios democráticos que servem uma ideia de sociedade em que a desigualdade extrema não cabe – mas também que as leis fundamentais perderam relevância no quadro das actuais políticas dos Governos, ligados entre si pelos contextos obscuros de uma economia global cujos primeiros grandes embates justamente sofremos por estes dias.

A desigualdade atinge em 2014 níveis jamais sonhados pelas gerações nascidas na Europa e na América depois das guerras do século XX. Por todas estas razões, é sempre bom ir tendo notícias do paradeiro da riqueza que ainda ontem servia a vida de muitos mais, designadamente sob a forma de direitos adquiridos por contrato social, mais do que hoje empenhado na qualidade da vida e na mobilidade social dos cidadãos. Em França, um índice recentemente publicado por uma empresa de gestão de activos chamada Henderson Global Investors (HGI) acaba de revelar o aumento exponencial dos dividendos pagos pelas grandes empresas aos seus accionistas. Incidindo no segundo trimestre do ano, o referido índice dos melhores retornos mundiais em dividendos emergiu no espaço mediático francês no exacto momento em que as ajudas públicas às empresas privadas (em nome da retoma económica e da criação de emprego) atingiram um patamar de investimento jamais conhecido.

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O país (não) está melhor

Do que Timor e o Gabão. Continuemos calados.

Dúvida

Se num ano diminuem os empregos e aumenta o número de  fortunas superiores a 22 milhões de euros, podemos concluir que a acumulação de riqueza é inversamente proporcional ao trabalho?

O Rico Português, Tese de um Par de Linhas

Toda a minha vida observei indirectamente o que é um português rico. Não vou revelar a fonte raivosa, legitimamente raivosa, da informação. Apenas desejo pincelar alguns traços distintivos que tornam o nosso rico um tipo muito pouco recomendável, um indigente moral, alguém digno de nojo, apesar da roupa usada que dá para a caridade e das esmolas que deposita com fastio nalguma causa, contra o cancro por exemplo, o que é quase nada.

O que é um português rico? Um zero social. Lucra pessoalmente dois ou três milhões por ano? Atira todas as despesas pessoais para a empresa, contorna o Fisco com mestria, especializou-se em fazer dinheiro, e faz efectivamente muito dinheiro, com a mesma naturalidade mecânica tipo lei físico-química, lei gravitacional, com que nos vemos privados, melhor, surripiados dele, pelo contexto global e pela política, para suprir o básico: não há nem cristianismo social nem filantropia britânica no português rico: trata-se de uma ilha desumanista e associal que não tem em vista, nunca teve, jamais terá, criar postos de trabalho e por vários modos fazer a diferença na sociedade, mas somente explorar oportunidades de lucro com o máximo de automatismos robóticos possíveis, sem gente a atrapalhar. Tipicamente! [Read more…]

Portugal vale a pena

Há dias, a jornalista Maria João Avillez escreveu no Público a propósito de Portugal e os Portugueses: “Nada do que vi nasceu por acaso, não foi uma sorte, nem uma oferta. Alguém – muitos «alguém» certamente – preferiu o risco e não temeu o esforço. Pensando que Lisboa, o Porto e por aí fora valiam essa pena. Pensando que o país talvez valha, Portugal tão pouco contado.”

Dias depois, o escritor, presidente da SPA e jornalista José Jorge Letria, escrevia algo muito semelhante: “Articulada de forma criativa e apelativa com a oferta turística, a cultura gera riqueza, emprego e fortalece as identidades locais, regionais e nacionais. (…) O escritor refere-se a Lisboa que pode “tirar muito mais partido da crescente popularidade internacional de Fernando Pessoa”. Mas eu digo mais: todas as cidades têm que tirar mais partido da sua riqueza cultural. Depois, J.J.Letria acrescentou:  “Há sempre mais a fazer (…).”

Há muito a fazer pelo nosso país. Mas não podemos contar com eles. Não podemos contar com um Ministro da Cultura, porque o nosso governo não considerou importante o ministério…

Vamos contar com Portugal, vamos contar Portugal. Vamos contar com cada um de nós. Estamos por nós. Comecemos, por exemplo, a contar a beleza deste país…

“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”, já dizia F. Pessoa.

«Pão para todos»

Já disse aqui que gosto de algumas crónicas de Frei Bento Domingues. Transcrevo uma passagem interessante e sublinho ideias tal como faço no jornal de papel:

Jesus não alinhou nem com o regime de austeridade de João Baptista, nem com o estilo de vida do rico avarento. Gostava da vida, de comer e de beber, como toda a gente que tenha os sentidos bem apurados. Até lhe chamaram glutão e beberrão (Lc.7 e 16). Não suportava ver uns à mesa e outros à porta. Era a partir dos excluídos que encarava a transformação da sociedade (Público, 29/7).

 Jesus  – quanto mais não seja, enquanto figura histórica para a maioria – devia ser um exemplo para os políticos.

 

Aberrações

Há mundos totalmente discrepantes dentro do mesmo país. Refiro-me ao mundo do homem mais rico da Índia, um empresário que construiu uma habitação com 27 pisos para a sua família de apenas 4 pessoas; que «precisa» de 3 plataformas para helicópteros; de um parque de estacionamento para 160 automóveis e de 600 empregados domésticos. Estes números são, por si só, escandalosos. Mais ainda se tornam quando associados a uma habitação. Depois, porque esta está situada em Bombaim, onde é maior o flagelo da pobreza na Índia. Ficamos ainda mais boquiabertos se pensarmos que foi aí que madre Teresa de Calcutá trabalhou. E, em contraste, penso na vida dos mais de 410 milhões de conterrâneos do empresário indiano (uma criatura do “outro mundo”), seus vizinhos, pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza (1,25 dólar por dia) e que constituem um terço dos pobres de todo o mundo, num país com uma situação pior que a da África. [Read more…]

O pão nosso de cada dia devia ser assim todos os dias

Alemanha confisca dinheiro escondido em pães

Uma questão de distribuição

Quando falha a distribuição da riqueza, mais cedo ou mais tarde acabamos por ter distribuição de sacrifícios.

Vivemos hoje os chamados “tempos difíceis”, porque nos tempos da aparente abundância nunca esta foi por via da distribuição da riqueza. Pelo contrário: concentrou-se o esbanjamento e distribuiu-se endividamento.

Veja-se como os salários baixos foram durante décadas um chavão para o nosso progresso. Num país dito da Europa, alicerçávamos a nossa competitividade nos salários baixos. Depois, para colmatar a falta de dinheiro para se comprar aquilo que era dado como imprescindível para se ser feliz, fosse na televisão fosse na casa do vizinho, abriram-se os cordões da bolsa do financiamento e tudo pôde comprar aquelas coisas para as quais poucos tinham rendimento. Agora que as ilusões de felicidade do crédito fácil estouraram na cara de toda a gente, há que refazer contas à vida e lá vamos no fado dos sacrifícios.

Mister é saber como são distribuídos os sacrifícios, pois que sendo mal distribuídos acontece como na má distribuição da riqueza: muitos empobrecem e alguns engordam. [Read more…]

Edward Westermarck – Pai Fundador da Antropologia-2

EDWARD WESTERMARK

HUMAN MARRIAGE ON THE HISTORY OF MANKIND , MacMillan Press, Londres, 1891

Este texto foi escrito como tese de doutoramento, em pleno apogeu do debate das ideias de Darwin e da evolução das espécies. Era também a época em que a psicologia começava a mudar: de ser uma simples análise da mente humana e do habitat ecológico onde essa mente morava, para a análise do que essa vizinhança social e emotiva, causava entre as pessoas que nem sempre estavam satisfeitas com as suas formas de vida e com as relações de vários outros seres humanos. O médico Sigmund Freud começara, em 1889, a entender que não era a ecologia social a que danava a mente humana, mas as pessoas danavam-se emotivamente ao querer obter o que parecia impossível, como analiso no meu texto de Abril de 2009: O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade, e – book editado pelo Repositório do ISCTE e o Repositório Nacional, ligação ao do ISCTE-IUL: https://repositorio.iscte.pt/handle/10071/1459. Freud podia provar que a evolução da mente humana transcorre dentro de ela própria, por causa da descoordenação entre as tendências do instinto humano (Id). A realidade organizada da psique (ego), e a função crítica e moralizante do super ego reprimem o desorganizado Id, parte da estrutura da personalidade que contém dentro de si os impulsos básicos e desorganizados da personalidade ou o si próprio em que o inconsciente não consegue apaziguar os desejos do consciente que procura o que social e individualmente estava eticamente proibido pelo consciente, entidade social da mente. Ideias que usa Westermarck, como as de Darwin, no livro que lhe causara fama, mencionado antes, ao analisar o que é o elo da vida social, a sexualidade dos seres humanos e a procura da sua satisfação, No Capítulo I do livro I, Westermarck, começa com esta ideia: O Matrimónio normalmente é um conceito que designa uma instituição social….Por outras palavras, o Id que impulsiona o

A leitura das sondagens

Dizem os “ analistas” que o facto de haver um maior número de votantes  socialistas a preferirem Pedro Passos Coelho é porque têm medo de Paulo Rangel. Como socialistas preferem o que menor perigo representa.  Esquecem é que há 20% de votantes socialistas que já votaram social-democrata, são os tais 20% que dão ou não maiorias, que dão ou não a vitória e, sendo assim,  uma leitura certeira é estes votantes “volantes” preferirem PPC quando se trata de votar o futuro potencial primeiro ministro.

As leituras das sondagens podem ser várias, até antagónicas, pois se até nas eleições perante “factos” os partidos que têm menor número de votos conseguem dizer que não perdem!

Mas o que é absolutamente importante é que PPC apresente um caminho alternativo a este caminho Socrático que nos arrasta para a pobreza, como hoje é claro para quem quer ver. Um caminho assente numa economia virada para as  pequenas e médias empresas ( e não nos negócios da PT, BCP, CGD…) que exporte e substitua importações, que inove, que invista em novas tecnologias, que crie emprego e valor.

O sábio aponta a Lua, o idiota olha o dedo!

A dívida do Estado de que Sócrates nunca fala, é um dos factores que mais entorpece o desenvolvimento da economia. Desde logo porque uma parte significativa da riqueza criada vai para fora à conta dos juros; depois porque as taxas praticadas são cada vez maiores e os empréstimos são obtidos em condições muito desvantajosas; e os investimentos em que esses empréstimos são aplicados, muito raramente têm o retorno que possibilite o pagamento atempado.

Claro que nada disto interessa se o objectivo for fazer betão para alimentar a máquina das construtoras e dos bancos. As parcerias Público/Privadas são contratos onde o Estado reserva para si todos os riscos, com compromissos leoninos que admitem toda a sorte de negociações, rearranjos e golpes com vista a favorecer as empresas do regime.

Quando todos os economistas que não precisam do Estado para viver, indicam o precípicio para onde o país caminha, Sócrates vem-nos dizer que as gerações futuras não nos perdoariam se não fizéssemos hoje, as obras. Não diz que as gerações futuras nem sequer cá estão para saberem que vão pagar com o que não têm. Uma economia que gere riqueza! E sem riqueza vão pagar com o desemprego, com o nível de vida, com o atraso do país, como está aí à vista de todos, após décadas de investimentos públicos!

Porque pedir emprestado dinheiro lá fora e depois dar à manivela das betoneiras, todos fazem, é simples e fácil, dificil, seria pôr o tecido empresarial a produzir bens e serviços transaccionáveis que se exportam, que substituem importações. Isso é que teria mérito!

O capitalismo é reformável?

Copenhaga levanta muitas questões, uma delas é esta. A que título as geraçõess vindouras e os povos que ainda não alcançaram o bem estar, estarão preocupados com este sistema, que se mostra injusto, poluente, mas o único que cria riqueza acumulável?

O que se vê é que as gerações jovens consomem muito mais do que a minha geração, o que não impede que todos estejam a favor do ambiente, contra a destruição do planeta.

A verdade é que, ou há alguem capaz de renunciar ao consumo, a este nível de consumo, ou então a saída é o sistema, destruindo, ser capaz de inventar formulas e conceitos que só o desenvolvimento da tecnologia e da ciência permitem. Acabamos com o desenvolvimento assente no petróleo, por esgotamento deste, mas a tecnologia das pilhas, por exemplo, permite manter o modo de vida com vantagens ambientais. Mas antes da existência das pilhas ninguem acredite que os automóveis vão deixar de entrar todos os dias na cidade.

Aqui não funciona o altruísmo nem a solidariedade, funciona o consumo e o bem estar, por isso, não vale a pena fazer de conta que o problema é do sistema.

Mas, por outro lado, coloca-se a questão. Mas, então, o capitalismo é a fase final do desenvolvimento da Humanidade? Está tudo inventado com o capitalismo? Não há formulas alternativas mais justas e mais equilibradas social e sustentavelmente?

O que está á frente dos nossos olhos em Copenhaga, como já todos perceberam, é os países que estão acomodados a guardar o seu quinhão, e os países em vias de desenvolvimento a precisarem de poluir mais para chegarem aos níveis de bem estar que a sua população exige!

E a verdade é que não se vê alternativa, a não ser talvez, o bom senso! Nós todos, os que poluem mais deixar de poluir tanto, para que outros possam poluir um bocado. É isto, uma saída sustentável? Não é! A população que espera a sua vez é muito mais numerosa que a que goza previlégios de bem estar. É a tecnologia e a ciência que irão abrir novos caminhos sustentáveis e menos poluentes?

Ao fim de todos estes anos de procura de novos sistemas de produção e repartição, onde estão as alternativas?

O empresário – criador de riqueza

Hoje, em vez de uns senhores muito importantes que nunca criaram um só posto de trabalho, o Prós e Contras trouxe-nos a voz de alguns empresários. A sua experiência, o seu entusiasmo a sua dedicação, o seu amor ao risco.

Desfilaram à nossa frente velhos e novos mas todos eles irmanados de uma vontade férrea de vencer, sem esmolas do Estado e sem negócios ultra escuros. A única coisa que precisam do governo é que não os asfixie com impostos, com legislação que parece dirigida a um qualquer inimigo.

Actividades há muito conhecidas são inovadas, transformadas em negócios que ultrapassam em muito as fronteiras, competem em mercados altamente competitivos e saem vencedores.

Esta gente empreendedora não pode ser confundida com os senhores muito importantes que vegetam e enriquecem nas empesas públicas, nos grupos económicos do regime, vivendo à mesa do orçamento e à custa de negócios preparados e lançados pelo Estado.

Nenhum de nós ouviu alguma vez falar deles, porque são gente de trabalho, precisam de inovar, vender, facturar e pagar salários, não fazem greves nem deslocalizações, não entram em “furacões”, nem recebem visitas de ministros e os jornalistas andam às voltas com uma qualquer Galp monopolista.

Por isso, quando temos ensejo de os conhecer, devemos saudá-los a eles e a todos quantos trabalham longe dos holofotes das notícias, criando postos de trabalho e riqueza.

E rezar para que um dia, um qualquer político, não se lembre deles…

É natural sermos desiguais…e é bom!

O nosso ADN é 99% igual ao dos nossos “primos” chimpanzés. É espantoso como o 1% que falta faz toda a diferença. Agora se pensarmos que este 1% é diferente nos milhões de seres humanos, tornando-os seres únicos, ninguem é igual a ninguem, percebemos que na verdade “é nos pormenores que está Deus” ! Nos pormenores que fazem a diferença.

Uma sociedade, que observe um certo número de condições, ter pessoas diferentes no que diz respeito à inteligência, à capacidade de trabalho, à propriedade, à riqueza, é uma sociedade vigorosa!

Primeiro, se uma sociedade cresce no seu todo, cria riqueza, é possível que todos vivam melhor, embora não igualmente.

Segundo, se uma sociedade é capaz de criar oportunidades iguais para todos, embora saibamos à partida, que nem todos as vão aproveitar da mesma maneira.

Terceiro, que todos tenham direito a uma vida digna, direito à saúde, à habitação, à cultura, embora alguns vivam em palacetes.

Se uma sociedade conseguir as condições descritas, não é ilegítimo, nem imoral que as pessoas possam fazer diferentes opções de vida, que as levarão a diferentes patamares de bem estar, de conhecimento, de cultura.

É esta diversidade que dá vigor à sociedade e que a torna competitiva, que a leva a procurar novos caminhos, novas formas de bem estar que, mais tarde ou mais cedo, todos usufruirão.

O problema está na ambição desmedida, na necessidade doentia de poder, na incapacidade de olhar os outros como seres diferentes, mas com a mesma dignidade.

E não há um nenhum sistema de organização da sociedade que, só por si, mude o Homem !

É por estas razões que a sociedade liberal é a que melhor responde àquela diferença, melhorada pelos apoios do Estado providência, da prestação de saúde universal, do acesso à Educação…

Imperfeita, injusta, mas a melhor de todas…

Socialmente explosivo

Como vai ser quando as ajudas excepcionais forem retiradas?

 

Ou o país vai aguentar este nível de subsídios por mais quanto tempo ?

 

É certo que o nosso crescimento não é nenhum. O nosso crescimento potencial ( o que seria possível se todas os factores existentes estivessem em pleno) não ultrapassa os 1%. Ora, é dos livros, que só acima dos 2% a economia começa a criar emprego. Isto não acontecerá antes de dois ou três anos, poderá haver alguma retoma mas nada de significativo. Então se o déficite, já é o que é, como vamos sair desta? 

 

A despesa só diminuirá mexendo em quem já vive com muitas dificuldades, a receita só com aumento de impostos, o que é um garrote para a economia, mesmo os investimentos a serem agora lançados só ajudam daqui a um ou dois anos. Como se sai daqui?

 

Não se sai! Sócrates não fez nada para resolver a profunda crise em que Portugal está mergulhado há vários anos e que não tem nada a ver com  a crise internacional. É uma crise nossa, muito nossa e não desaparece por virtudes mágicas. Nada se fez nos últimos dez anos para renovar o tecido empresarial, orientá-lo para os bens transaccionáveis e exportáveis.

 

O país está no caminho do empobrecimento, o caminho é muito estreito e Sócrates, com a sua fixação nos grandes negócios e nas grandes empresas que operam unicamente no mercado interno, corre o risco de produzir tumultos sociais se aligeirar os subsídios de apoio social!

 

Mas vai pagá-los como ? 

 

Entrevista a António Barreto

Mais do que as palavras foi o tom. Profundamente desiludido, de alguem que já não vê saídas, de quem teve esperanças e as viu morrer uma a uma. António Barreto, admite que possa acontecer nos anos mais próximos uma emergência nacional.

 

A Justiça é um aglomerado de interesses, de conluios, de cumplicidades, de magistrados e Juízes que se passeiam entre os tribunais e a política, o que explica o dormir de processos nas gavetas durante anos e anos, as fugas de informação nos momentos que interessam e que nunca são investigadas.

 

O medo dos políticos perante os magistrados o que os leva a nomeá-los para cargos e honrarias.O poder oculto que toma as decisões quanto ao que é de levar até ao fim e o que é de ficar pelos arquivos, o mesmo que alimenta a comunicação social, deixando na sombra o que não interessa revelar.

 

A fuga de cérebros e quadros que tomam como alternativa viver e trabalhar lá fora, já que cá dentro não há lugar para os mais novos e para os mais velhos. Um país que não consegue segurar os seus quadros não tem futuro.

 

Anos e anos perdidos por não se dar a devida atenção à criação de riqueza para exportação, as importações que consumimos à custa de endividamento externo, as empresas com resultados milionários sem risco no mercado interno. A inovação que não temos, a produtividade que não conseguimos, a tecnologia que não inventamos.

 

Um país definitivamente adiado?

Enriquecer à portuguesa

Conheça um banqueiro. Convença-o a emprestar-lhe uns milhões e dê como garantia as acções que vai comprar de empresas do PSI-20. Com o rendimento das acções vai pagando o empréstimo. Convem fazer um plano de negócio onde demonstra tim-tim por tim-tim que vai produzir riqueza e criar postos de trabalho. É que assim, convence tambem os serviços do banco e vai buscar uns milhões de subsídios ao Estado.

 

Depois almoce com uns jornalistas e convide decisores na área da comunicação social, que vão fazer barragem ao seu negócio, protegendo-o de quem nada faz e só quer o mal dos empreendedores. Entretanto, começa a ganhar dinheiro e ainda não avançou com o negócio, o que lhe permite arranjar mais uns milhões que aplica na bolsa.

 

Você, agora, já é comendador, já ninguem está à espera que suje as mãos na indústria ou na agricultura, onde se produz a riqueza. Como se tornou um accionista de referência de uma ou de várias empresas "amigas" do governo, tem lugar assegurado nas administrações, a ganhar principescamente.

 

Os bancos nem se atrevem a pedir-lhe que devolva os empréstimos, não vá alguem bisbilhoteiro de dentro da banca, dizer como se fizeram os negócios "finos". Se deixar de ganhar dinheiro ou que haja um "crash" bolsista, você entrega as acções e o prejuízo é da banca, e você continua a ganhar uns milhares por mês em vencimentos.

 

Vai dando algum aos partidos, principalmente ao que apoia o governo, e não vão faltar obras públicas e "contentores de Alcântara", que fazem aumentar o seu rendimento e que lhe abrem as portas a mais um lugarzinho bem pago nos orgãos sociais.

 

Dá muito trabalho ser rico em Portugal!