Quo vadis Grécia?

Aqui chegados concordo em absoluto com a convocação de referendo na Grécia. Ainda que não subscreva o J.J.C. na verdade o jogo já cansa, caro Jorge, ninguém joga sozinho e haveria que colocar um ponto final em toda esta novela. O programa do Syriza apresentado aos eleitores significava o fim da austeridade. Essa promessa, Tsipras não poderá cumprir qualquer que seja o resultado do referendo. A formulação da pergunta não será indiferente, mas se os gregos optarem pelo sim ao acordo com os credores estarão a desautorizar os negociadores e passar um cartão, veremos se amarelo ou vermelho ao governo. Se votarem não, terão que assumir as consequências, saindo do Euro. Isto caso a consulta aos gregos anunciada para dia 5 venha mesmo a realizar-se, o que não é líquido ainda, mas um acordo de última hora que possa ser considerado aceitável por todas as partes parece agora estar fora de hipótese, apesar dos políticos europeus já terem por diversas vezes mostrado possuir coluna vertebral parecida com uma enguia, principalmente em questões europeias…

Comments

  1. j. manuel cordeiro says:

    E no entanto, António, qualquer um dos lados pode colocar um ponto final no impasse.


    • Sem perder a face? Nesta altura? Veremos o que resulta da reunião do Eurogrupo hoje, mas ainda que exista acordo, a Grécia será sempre sujeita a alguma austeridade, o que está em cima da mesa é o alcance da mesma, o que impedirá Tsipras de recuar na realização do referendo, mesmo que ele próprio faça campanha defendendo o resultado da negociação, a caixa de Pandora está aberta. Não me parece que possa recuar sem danos internos. Por outro lado os credores mesmo que agora façam cedências, serão sempre acusados de não quererem que as negociações cheguem a bom porto. Veremos o que têm os políticos a dizer, mas…

      • j. manuel cordeiro says:

        Uma negociação caracteriza-se por um ponto de partida extremado, concluindo-se com cedências de ambos os lados para se atingir um ponto intermédio.

        Houve muitas cedências por parte da Grécia e também houve algumas cedências de alguns credores (BCE, UE). Mas o FMI não quer ceder um milímetro.

        Onde está a discórdia?

        “Os credores rejeitam o imposto extraordinário de 12% que o Governo grego propõe aplicar aos lucros acima de 500 mil euros. Do mesmo modo, em relação à taxa normal de IRC, defendem que, em vez de um agravamento de 26% para 29%, se deve apenas fazer uma subida para 28%.”

        “Depois, na Segurança Social, a troika recusa a intenção grega de obter receitas por via do aumento das contribuições, em vez de efectuar cortes nas pensões. O principal agravamento das contribuições sugerido por Atenas, de 800 milhões de euros em 2016, é feito nas empresas.”

        “No IVA, a troika aceita as propostas gregas de agravamento fiscal, mas neste caso ainda vai mais longe. Em vez de uma receita adicional de 0,74% do PIB, quer 1%, pedindo que a restauração passe da taxa intermédia para a taxa máxima de 23%.”

        Resumindo, o FMI aparenta querer que a generalidade das pessoas seja penalizada, para se pouparem as empresas e os muito ricos. E aparenta porque, com uma diferença tão curta, especialmente face ao grave problema que se vive e das consequências que poderão advir do impasse, o objectivo só pode ser outro, nomeadamente quebrar a Grécia, para que sirva de exemplo a outros, como Espanha e Portugal.


      • Tsipras convoca o referendo para apelar ao Não.

  2. Helder Px says:

    Numa coisa não concordo com o que Tsipras fez. O governo não devia tomar uma posição oficial sobre o referendo, embora todos saibamos o que oficiosamente o Syriza e o ANEL pensam do assunto.
    Caso o Sim ganhe, poderemos ter um cartão amarelo ao governo grego, e nesse caso no mínimo recomendaria uma moção de confiança no parlamento, no máximo a convocação de novas eleições. A legitimidade democrática obriga a que se tenha muita prudência nestes assuntos.

  3. j. manuel cordeiro says:

    Sem querer fazer uma OPA ao post, já agora, mais uma nota. A primeira insurreição da Grécia, quando Papandreu propôs em um referendo para a saída do Euro (http://derterrorist.blogs.sapo.pt), foi punida com uma substituição de primeiro-ministro e a segunda, esta, está a ser punida com um plano para conduzir a Grécia à completa falência de um país da União Europeia.

  4. Carlos de Sá says:

    1. A peregrina ideia segundo a qual país que saia do Euro está condenado ao Inferno, nem em modelos matemáticos conseguiu – até hoje, pelo menos – ser demonstrada; é apenas uma crença da Direita, mais ou menos à direita.
    2. A tenacidade da troika tem só a ver com a ganância dos seus donos e mentores, profundamente chocados com a intransigência do governo grego de não querer vender o país por tuta e meia, como por cá se fez. Quem está minimamente informado, sabe do apetite dos lobbies alemães pelos aeroportos e autoestradas gregos, dos chineses pelo importantíssimo porto do Pireu, e por aí fora: gente muito pouco recomendável como Ingo Kramer, Ulrich Grillo e Eric Schwitzer, tem-se desdobrado em pressões sobre o governo alemão para não ceder um milímetro aos seus apetites sobre a Grécia; contam com o apoio do frustrado Schauble e de uma imprensa dependente.

  5. joão lopes says:

    lembrar sempre:enquanto o pasok ou a nova democracia estiveram no poder,a Alemanha/frança fechou sempre os olhos para orçamentos gregos FALSIFICADOS.numeros falsos…agora querem por na rua o syriza para eleger um “governo” que volte a “maquilhar” orçamentos? no fundo é isto,não é?

  6. martinhopm says:

    Lendo os comentários e não me adiantando muito devo concluir que os povos estão nas mãos dos tubarões da alta finança, quer se trate de bancos, multinacionais, países, particulares?!
    E aqui não existe qualquer espécie de ética. Os grandes engolem os pequenos, como já denunciava o Padre António Vieira.
    Solidarizo-me com o actual governo governo. Está a tentar , contra todos os ventos e marés, devolver alguma dignidade ao seu povo.


  7. Escutar com alguma atenção quem anda na vida pratica ajuda(isto se não se sabe tudo e os outros são umas bestas sempre claro); quem anda por Bruxelas sabe que as ultimas reuniões têm sido todas as necessárias até se conseguir acordo.E assim temos caminhado em percursos que ninguem andou e nem sempre sabe onde vai dar; é o processo de juntar países diferenets, com governates diferentes e até agora andamos sempre no sentido de melhor. Temos a zona do mundo onde a paz é regra, onde os cidadãos têm a melhor assistencia social do MUNDO e onde os direitos das minorias não são pura e simplesmente pisados: Mesmo com religioes dispares cã vamos indo com sobressaltos mas sem medo de ser fusilado. Mas há uma regra que não resiste; não podemos achar que a nossa solidariedade é mais honesta que a do nosso vizinho; e mais de respeitar. Quando alguem começa a decidir como vamos dividir os lucros dos outros ou estamos a gozar ou somos tolos. E custa-me ver argumentar com base em sofismas -mesmo tratando-se da Grecia.

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  1. […] posições extremadas dificilmente seria possível alcançar um acordo sem que alguém perdesse a face. A Grécia está como qualquer devedor obrigada a respeitar os […]

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