Tratado de política em três palavras

não podemos

Daqui

Depois do PS, do PSD e do CDS: eis o Bloco de Esquerda

bloco

Efectivamente, depois dos “sectores transacionáveis” do PS e da “perspetiva prospetiva” da coligação PSD/CDS, chegam as “linhas gerais da proposta económica do Bloco para as legislativas“.

Vejamos alguns (só alguns) dos aspectos mais importantes do documento:

“efeitos recessivos da política de austeridade se fizeram sentir na actividade económica” (p. 3);

“dividendos e mais-valias resultantes de atividades no exterior” (p. 13);

aspectos elementares do nosso ordenamento constitucional” (p. 6);

“outros aspetos da reforma” (p. 13);

“Não há só uma forma de atingir estes objectivos” (p. 8);

“exige clareza nos objetivos e flexibilidade nas soluções” (p.8);

“tributação  indirecta  na  carga  fiscal” (p. 10);

“tributação  indireta  na  carga  fiscal” (p. 10);

“conceito de sede efectiva” (p. 11);

“têm beneficiado das taxas efetivas” (p. 13);

“mecanismo de correcção” (p. 6);

“o artigo 3.º do Tratado Orçamental, no seu ponto 2 dispõe que: “As Partes Contratantes instituem, a nível nacional, o mecanismo de correção (…)” (p. 6);

“ultrapassados for força da acção do BCE” (p. 15);

“não pode sobre elas exercer ações de fiscalização intrusiva” (p. 17).

Continuação de uma óptima semana.

A injustiça

frase-para-os-pobres-e-dura-lex-sed-lex-a-lei-e-dura-mas-e-a-lei-para-os-ricos-e-dura-lex-sed-fernando-sabino-100751Os últimos seis meses têm servido para toda a gente perceber que qualquer um de nós pode ir de cana, prá prisa, dormir ou ter pesadelos no xilindró, e não será em Évora mas numa penitenciária sobrelotada, apenas porque o ministério público está a investigar uma coisa, e estamos envolvidos nessa coisa. Ou não estamos, que para estarmos basta um grande azar, que no final se chama erro judiciário, e simplificando acontece cada vez que alguém é absolvido (não é bem assim, mas serve como metáfora).

Começou por me dar um imenso gozo ver um cidadão que por acaso teve seis anos para mudar isto a experimentar do que não o preocupou, porque só acontecia aos outros.

Mas o gozo foi esmorecendo. Sabemos de resto que o cidadão em causa, casmurro como é, seria capaz de repetir os mesmos seis anos sem mudar este drama: tal como se ganha o euromilhões podemos perder a liberdade. Tal como sabemos que a maior parte dos que passam assim um largo tempo detidos nem dinheiro para um advogado têm, e muitas vezes o estado apenas lhes arranja um papagaio que repete “Faça-se justiça”.

Como a lição de vida nem sequer cura uma megalomania napoleónica, já chega. Lamento, António Costa, mas acho que José Sócrates deve ser solto, e tem todo o direito a umas férias algarvias acompanhado pela família e amizade mais próxima, como fazia antes de chegar a ministro. Não, Passos Coelho, só num mito urbano mesmo assim ganhas as eleições.

Já tinha dito que não quero o PS com maioria absoluta, e confio no golpe de estado que Cavaco Silva prepara, não empossando um governo minoritário?  Somos assim, nós os portugueses, só acordamos com uma estalada na cara. E bem precisamos para apanhar o comboio da Europa que é mesmo nossa.

Miguel Relvas, o cabeça-de-lista

To give you an example of the magnitude of the error, to believe that the world is less than 10,000 years old, when in fact we know the world is 4.6 billion years old, is equivalent to believing that the width of North America from New York to San Francisco is less than 10 yards.

Richard Dawkins

***

Através do Jornal de Negócios, fiquei a saber que

A EDP lançou a campanha “Um século de energia”, o único trabalho publicitário realizado por Manoel de Oliveira na sua carreira com oito décadas. Este foi o ponto de partida para a energética lançar um concurso cujo vencedor vai ser premiado com a oferta de 100 anos de energia – electricidade e gás natural.

A EDP, segundo o Público, apresenta a curta-metragem

como “uma obra inédita”, “o último trabalho realizado pelo mestre Manoel de Oliveira”, e que deu origem à “única campanha de publicidade” na carreira do realizador.

Vejamos, então, o contributo desta curta-metragem para a ortografia portuguesa: direção, diretor, projeções, Abril, electricista e hidroeléctrica.

energia

Quanto ao sítio do costume, hoje, não há grandes novidades.

contatar

 

Quem quiser novidades, pode encontrá-las no Diário de Notícias[Read more…]

Abençoados unicórnios

unicórnio

Abençoada globalização. Abençoadas empresas ocidentais que aproveitam o trabalho barato na China para maximizar os seus lucros. Abençoados consumidores que apesar dos efeitos catastróficos que tal decisão teve nas suas vidas, nunca reclamaram grande coisa contra a abertura escancarada das portas da Europa aos produtos chineses. Abençoado consumismo.

Abençoados também os neoliberais que finalmente experienciam todo o esplendor das sociedades ditatoriais governadas por partidos únicos, que tal como eles se mobilizam em torno da eterna luta pelos direitos das castas por um futuro com mais lucros e mais concentração de poder. Que bom que seria podermos também nós ter um partido único capaz de reduzir a participação popular a quase nada e desta forma facilitar decisões que contribuíssem ainda mais para maximizar lucros e silenciar a plebe que ousasse intrometer-se entre os oligarcas e o seu direito natural a tudo. Quanto aos chineses, haja uma malga de arroz e um iPhone martelado e que Confúcio os abençoe.

A RTP Informação reagiu à saída abruta de Manuela Moura Guedes

Efectivamente: abruta. Obrigado, Fernando Venâncio.

A deriva socialista do ministro Pires de Lima

Bruno Nogueira, esse perigoso humorista da esquerda radical que tantos historiadores e observadores da extrema-direita atormenta, trouxe hoje para o tubo de ensaio um ministro que há uns meses atrás se terá apresentado aparentemente embriagado no Parlamento, por ocasião daquele momento infanto-juvenil das taxas e taxinhas, quiçá inspirado nos contos para crianças do primeiro-ministro. Em declarações à TSF, Pires de Lima afirmou:

Seria importante que o Sporting tratasse com dignidade e decência aquele que foi o seu treinador no último ano. Toda a gente percebe que houve dificuldades de relacionamento do presidente com o treinador, é importante virar a página, ninguém compreende que o Sporting tenha 18 milhões de euros para contratar e pagar os salários de Jorge Jesus e que depois se negue a pagar aquilo a que tem direito o Marco Silva.

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Joana de Vasconcelos e a produção em série

Evitei comentar aquela coisa da autoria de Joana Vasconcelos que ontem Passos Coelho inaugurou no Portugal dos Pequenitos. Sucede que a minha amiga (e colega no tempo em que fazia disparates no mundo da História da Arte) Carla Alexandra Gonçalves descobriu isto:

Temos portanto, e pelo menos, a quarta versão do mesmo bule. Pode fazer sentido, por duas razões.
A primeira é estilística: Joana Vasconcelos basicamente e de uma forma muito básica mergulhou na Pop Art dos anos 60 e emergiu com falta de ar numa versão kitsch, que aqui significa mesmo mau gosto, ou seja, à medida da parolice dos nossos governantes que tanto a acarinham. E nesse sentido vislumbro aqui o resultado de dois neurónios que se atropelaram na contemplação de uma conhecida obra de Warhol entretido com latas de sopa.
A segunda é financeira: à quarta deve ter saído mais barato.

Enquanto Bissaya Barreto dá uns pontapés no caixão, Cassiano Branco fica mais que perdoado.

Noutros tempos, uma mentira destas passaria. Hoje, há memória digital.

“Há uns quantos mitos urbanos, um deles é que eu incentivei os jovens a emigrar. Eu desafio qualquer um a recordar alguma intervenção ou escrito que eu tenha tido nesse sentido”, disse Passos Coelho ontem.

Ao minuto 2:10. E se houver dúvidas quanto ao sentido, que se ouça do início.

A ideia de mandar os portugueses emigrarem foi transversal ao governo e não um episódio isolado.

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