A cintura da austeridade

cintura da auteridade

A cintura da austeridade parece-me uma boa designação para os países aos quais foi imposta a austeridade. Nela habitam 73 milhões de pessoas, mais do que na França e quase tanto como na Alemanha.

Tomadas de posição concertadas entre estes quatro países teriam uma capacidade de influência sem par.

Mas os vassalos preferiram a tónica “não somos a Grécia”, indo lamber as migalhas separatistas a que os queixinhas têm direito.

Falta de visão é isto.

Ruralidades dos mitos urbanos

Dizem que o socialismo gasta o dinheiro dos outros. Mas foi o capitalismo que gastou o seu dinheiro. Pergunte por ele à malta dos BPN, BPP e BES.

Três pessoas a fazerem o serviço de dez no Hospital da Figueira da Foz

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A senhora Maria, vamos assim a nomear, tal como milhares de portugueses, precisava de um trabalho remunerado, já que esses onde se troca o suor por uma refeição não pagam as contas no fim do mês, pelo que começou a trabalhar como auxiliar de cozinha no Hospital da Figueira da Foz.

Mesmo precisando do dinheiro, passado uma semana, ou mais exactamente cinco dias, desistiu do emprego porque a sua saúde estava primeiro. Quando entrou ao serviço descobriu que ela e mais outras duas pessoas iriam fazer o serviço que, habitualmente, era assegurado por dez empregadas e que consistia em servir as refeições a todos os doentes do hospital. Depois de dias consecutivos a levantar tabuleiros e outros pesos, sem descanso e em ritmo muito acelerado para cumprir os horários das refeições,  as costas não aguentaram e estava incapaz de se dobrar. Nem querendo seria capaz de levar a comida aos doentes e despedir-se foi o caminho que lhe restou.

Este episódio do país de sucesso, retrato de um SNS onde os cortes chegam até ao fundamental, como Betadine e ligaduras, não teve lugar nos telejornais, apesar destes durarem mais de uma hora e de estarem repletos de fastidiosas “reportagens” de rua, nas quais opiniões avulsas de transeuntes incham de vazio temas sem relevância.

Henrique Neto – A necessidade de mudar o Sistema pelo qual os eleitores escolhem os eleitos

Paulo Pereira

Vassalos

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Foto: PIERRE-PHILIPPE MARCOU

Repare-se na posição de Portugal e Espanha sobre a Grécia:

Governos ibéricos insistem nas “garantias” e “compromissos” do governo grego
Chefes de Governo de Portugal e Espanha aproveitam cimeira para manifestar posição concertada sobre a Grécia: rejeitam a extensão do apoio sem contrapartidas “claras”. [P]

E atente-se na acusação do sr. Rudolfo:

Assessor económico de Passos ataca liderança grega
Rudolfo Rebelo acusa Tsipras de confundir partido e Estado. E afirma que se a Grécia não pagar ao FMI, quem o vai fazer são “as ìndias e os Paquistãos”. [P]

E, por fim, lembremo-nos quais são os dois países que terão eleições a curto prazo, em particular naquele cujo primeiro-ministro declarou ir além da troika, para nos interrogarmos sobre quem perderia se a Grécia triunfasse neste braço de ferro.

Confundir partido com estado, sr. Rudolfo? Que bem prega frei Tomás. Explique lá o que é que tem Portugal a ganhar com a capitulação grega,  a tal ponto de assumir posições que os outros estados se coíbem de assumir?

Vergonha de governantes, que não se importam se exibir vassalagem para ganhar um argumento eleitoral.