Mexia alive

O Governo Sombra hoje, ao vivo na Casa da Música, mostrou-nos, mais uma vez, a versão de Pedro Mexia frente a uma assistência. Transforma-se. Evidencia a sua face mais agressiva de homem de direita o que, em si, nada tem de especial; está no seu direito. Mas precisa de ser tão básico e vulgar nas suas falas e dichotes políticos – sem piada, o que é o pecado maior neste tipo de programas? Que diabo, ainda há quem se lembre que aquele é o poeta e escritor Pedro Mexia. Não brilhará, provavelmente, na história da literatura, mas não faria mal em cuidar da consideração que para si ganhou. Até já é, desde o 10 de Junho, comendador! Não vou aqui discutir ( se é que se pode por a questão nestes termos) se há ou não poesia política – desculpem-me a omissão, Brecht, Aragon, Mayakovsky, Sophia e todos e todos…-, mas tentar demonstrá-lo com aquela quadrinha que ouvimos é simplesmente imbecil. Para não falar nas surpreendentes referências bolsadas durante todo o programa. Você não tem piada, Pedro Mexia, sobretudo quando o põem à frente de uma assistência a qual, valha a verdade, não lhe atribuiu a cumplicidade que nela procurou. Mexia ao vivo? Se queres conhecer o vilão…

O caso do pai que abortou os filhos na escola

carga horaria

Os colégios internos sempre foram uma boa solução para pais que não estão para aturar os filhos. Mas há poucos, e são caros.

Para democratizar o acesso ao sossego paterno e à tranquilidade materna, o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Jorge Ascensão, teve uma ideia: aulas 11 meses por ano. É a chamada massificação da irresponsabilidade parental, ou da estupidez, como preferirem.

Nesta fase os pais ainda fariam o sacrifício de manter os filhos em casa à noite e fim-de-semana, dadas as dificuldades económicas que o país atravessa, mas poderia iniciar-se a reivindicação seguinte, os dormitórios escolares, a que se seguiria um calendário escolar flexível, em que cada aluno gozasse de férias em data coincidente com as do agregado, porque há que manter algum contacto com as crianças, não vá alguém esquecer-se do nome das crias.

Abortadas as criaturas nas escolas, em Portugal que já tem das maiores cargas lectivas e um sistema de férias absurdo onde dois períodos se dividem às ordens de um feriado móvel, o problema da natalidade resolvia-se num instante. Era tudo a fazer portugueses, o mais idiotizados possível.

Ricardo Araújo Pereira – A Década dos Psicopatas

Paulo Pereira

e Daniel Oliveira – A Década dos Psicopatas.

E o contexto é o de uma sociedade desigual nos sacrifícios e nas vantagens, precária e insegura para a maioria e garantista e blindada para uma minoria.

O problema que aqui me interessa não é apenas ético, apesar da ética também contar. É social. É o de uma elite que vive num mundo à parte, com regras à parte, e é por isso incapaz de perceber a vida dos outros. Poderiam ser ricos e perceber tudo isto. Poderiam ser pobres e não perceber nada disto.

A vida está cheia destas incongruências e não sou dos que acham que alguém que defende a justiça social tem obrigação de levar uma vida espartana e que os pobres têm obrigação de ser socialistas. Mas julgando, como julgam, que os seus privilégios excecionais resultam do mérito, não podiam deixar de julgar que as banais dificuldades dosvideo outros resultam de desmérito. Quem vive confortável na injustiça nunca poderá compreender a sua insuportabilidade. Quem pensa que o privilégio é um direito nunca poderá deixar de pensar que a pobreza é um castigo.

Pode chamar-se deficiente mental a um idiota?

o idiota

Um idiota entende que dar empresas que dão lucro ao invés de nelas investir é um bom negócio para o estado. Dar a um profissional das rendas do estado e a um tipo que só se chateia quando os aviões caem porque isso lhe dá prejuízo, ambos unidos porque sabem que a TAP é uma das melhores empresas aéreas do mundo e nem que seja a vender o seu património irão obter chorudos lucros, deduzidas as despesas com os advogados e outros intermediários políticos.

De resto o idiota entende que o estado não deve ter empresas lucrativas, os seus rendimentos devem-se limitar aos impostos e os impostos devem ser reduzidos ao mínimo até que o estado se reduza ao mínimo que lhe interessa; garantir a segurança da propriedade privada, enquanto não consegue privatizar a própria polícia e já agora os tribunais. O idiota sonha com um regresso ao paleolítico na organização social e o prosseguimento do capitalismo no sistema económico, uma espécie de Stonehenge em forma de offshore.

Podemos chamar-lhe deficiente mental? não, porque os deficientes mentais são doentes, e ninguém é responsável pelas doenças que tem. Já o idiota tenta imitar o doente mental, incluindo as alucinações com unicórnios e as delírios ao deus mercado, por sua livre e espontânea vontade. É do seu livre arbítrio. Um idiota é apenas um idiota, ponto final.

Fotografia: Vidigueira, 2010.

Violência policial no Ocidente democrático

Ontem escrevi sobre o episódio de violência policial que culminou com a agressão desproporcionada de uma adolescente no estado do Texas, EUA, uma agressão levada a cabo por um troglodita com uniforme de agente da autoridade que naquele cenário, em que vários adolescentes são tratados arbitrariamente como delinquentes, se apresenta como um fanático totalitário a mostrar aos miúdos quem manda, se necessário de arma na mão. Com os exemplos de violência que vêm de cima neste país, não admira a frequência com que atentados com armas de fogo são levados a cabo por outros adolescentes nas suas escolas.

Estranhamente, pelo menos para mim, deparei-me com algumas reacções que pouco ou nada tinham que ver com o objectivo do texto: expor a parcialidade subjacente à forma como este tipo de episódios é analisado pela imprensa ocidental, dependendo se acontece num país “inimigo” ou num país “amigo”. Porque só alguém muito ingénuo acredita que uma situação como a que abre este texto teria leituras políticas iguais acontecendo na Rússia ou nos Estados Unidos, no Irão ou na Arábia Saudita, país onde todos os dias são cometidas atrocidades mas que está longe de ser pintado pelos nossos media como a ditadura sanguinária e repressiva que é.

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Barraqueiro airways

Será este o nome que sucederá à Take Another Plane?

Talho? – é no Pingo Doce das Caldas da Rainha

pingo_doce_talhofonte.

Alberto João Jardim prepara o assalto a Belém

O que me proponho é isto: se aparecerem pelo menos 10 mil proponentes, eu avanço, mas é preciso que apareçam” (Expresso). O “contenente” vai estremecer…

Mariano

O drama das condecorações póstumas é que o condecorado não se pode defender. Nem defender a sua obra.

O caso TAP

Paulo Pereira

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A venda do grupo TAP ao consórcio de David Neeleman e do grupo Barraqueiro. O encaixe para o Estado será de 10 milhões por 61% da companhia. Contrato obriga próximo governo a vender o resto do capital da TAP.

O que está incluido neste roubo:

Lucros apresentados pela TAP:

– Entre 2009 a 2013 a TAP apresentou lucros no valor de 183 milhões de euros.

– Em 2009, a TAP SA registou um lucro de 60 milhões de euros, em 2010 de 62 milhões de euros, em 2011 de três milhões de euros, em 2012 de 24 milhões de euros e em 2013 de 34 milhões.

Volume de Negócios

2.671,5 milhões de euros (segundo Jornal Negocios 13 Novembro 2014) No final de 2013 O volume de negócios do Grupo registou um incremento de 2% (mais EUR 50,8 milhões que em 2012);

2,8 mil milhões de euros de volume de negócios (segundo o Jornal I) em 2014.

Frota da TAP:

– 4 aviões Airbus A340-300 – 14 aviões Airbus A330-200 – 3 aviões Airbus A321-200 – 19 aviões Airbus A320-200 – 21 aviões Airbus A319-100

Só 1 Airbus A340-300 custa perto de 200 milhões de euros

Novos donos da TAP só garantem sede em Portugal e rotas estratégicas por dez anos

Apresentação do Movimento «Não TAP os Olhos» – Bruno Fialho:

Apresentação do Movimento «Não TAP os Olhos» – General Loureiro dos Santos: [Read more…]

Dedicado ao comendador Teixeira dos Santos

Há pouco mais de 4 anos, Angela Merkel estava muito aborrecida com o Pedro e o com Paulo. Os traquinas tinham chumbado o PEC IV, o histórico pacote de medidas de austeridade que tinham sido “bem recebidas” pela Chanceler e pelos parceiros europeus. Na novilíngua actual, PSD e CDS-PP ter-se-iam comportado como “syrizas” – com todo o respeito que eu tenho pela malta grega que a UE entalou depois de anos de destruição interna provocada pelo bloco central lá do sítio – quando o futuro do euro estava em jogo. Merkel lamentava então o chumbo do PEC IV, apontando o dedo a PSD e CDS-PP, e elogiava Sócrates, a quem se referia como “corajoso”, “correcto” e a quem “estava grata”. Será que já passou por Évora para demonstrar a sua gratidão?

No dia em que o PEC IV foi chumbado, foi Teixeira dos Santos quem enfrentou o Parlamento quando Sócrates abandonou o hemiciclo. O tal número 2 do governo socialista que alguma propaganda está a tentar branquear para lá colocar António Costa, até porque o agora comendador, ingenuamente ou não, até tem sido muito útil para a campanha eleitoral em curso, até se lhe arranjou uma medalhinha. Quero portanto deixar esta dedicatória ao senhor comendador, que com certeza terá perdido dias a elaborar todas aquelas medidas – essa história da Merkel a ditar o documento aos senhores será com certeza uma inverdade – e que apesar do chumbo irresponsável da direita que ou tinha eleições no país ou tinha eleições internas, e que acabou por deitar todo o esforço por terra, valeu pelo elogio da senhora absoluta do Velho Continente.

Agora vou ali escrever um hino de agradecimento e já volto.