Práticas da Fundação Gates a propósito de Zuckerberg

 

Alguns dos leitores muito indignados com o meu post anterior sobre a “doação” de Zuckerberg à caridade mundial, argumentaram que a Fundação Bill & Melanda Gates tem trabalho feito na área da investigação farmacêutica, da educação de crianças no terceiro mundo, etc. Tudo isso é verdade e é positivo. Aliás, se estas fundações se limitassem a essas atividades, como dão a entender na sua propaganda, não haveria muito a apontar-lhes. O problema é que estas fundações servem em primeiro lugar para a evasão fiscal. Isto não é propriamente um detalhe quando as quantias sujeitas a imposto são a ordem das dezenas de milhares de milhões de dólares. O facto de não tocarem no capital transferido pela empresa mãe e apenas se servirem dos juros e dos dividendos da fundação para as atividades caritativas ilustra perfeitamente o grau de genuinidade da caridade. Mas o mais grave é a ética dos investimentos destas fundações em fundos e em produtos financeiros, que envolvem valores mais elevados do que a filantropia, da ordem dos milhares de milhões de dólares. É nesta questão que a reportagem acima denuncia as empresas em que investiu a Fundação Gates, como a Lockheed Martin (armamento), a Lehman Brothers (co-responsável pela crise financeira) entre outras empresas, cujas práticas produzem efeitos no terreno que são contraditórios (miséria, proliferação de armas, exploração social, doenças, etc.) com as práticas filantrópicas da Fundação.

Ler artigo de Charles Piller nos Los Angeles Times, citado nesta reportagem.

Comments

  1. Konigvs says:

    Eu não faço ideia quem é esse Zuckerberg (parece nome de cerveja) mas sei bem quem é o Guilherme dos Portões que inventou uma coisa que se chama Janelas.
    Eu depois vou ler o tal texto que gerou indignação, e ler os artigos citados, mas assim à partida pensava que era do conhecimento geral que só se criam Fundações para fugir aos impostos.

  2. joão lopes says:

    investiu em armamento? pois claro,e depois de mais um massacre…rezam e é tudo.Por esta altura,começa a parecer que os EUA são um país indefensavel do ponto de vista etico.O país do “sonho” que tornou o mundo num pesadelo…em nome da “etica” financeira.Afinal o livro das caras…emburrece mesmo.

  3. Escatota Biribó says:

    A ignorância (a minha) é lixada

    Ainda não tenho facebook, nem me encontro a resistir a uma qualquer tentação de vir a ter, não sei o que o futuro me reserva, mas por enquanto o fenómeno escapa-me, pelo que o meu comentário terá basicamente a mesma validade que a de um surdo e criticar música, ainda assim, aqui vai disto…

    Assim à primeira vista, o facebook parece ir ao encontro das necessidades do consumidor, do humano do terceiro milénio, como poucos outros produtos cuja existência possamos testemunhar ou sequer conhecer, trata-se sem duvida de fenómeno comportamental à escala mundial, e que assim à (minha) primeira impressão (essencialmente fundada na minha ignorância) os utilizadores parecem não ter consciência da sua dimensão.

    Pelo meio, o seu jovem fundador, fica desequilibradamente mais do que multimilionário, com tudo o que isso possa afectar um individuo, um dos 7 mil milhões de humanos que presentemente habitam em simultâneo o planeta terra, e por todas as circunstancias que a vida lhe proporcionou, sem descurar reconhecimento pelo mérito (que não conheço), mas que depois de ter enriquecido para níveis basicamente inimagináveis até ele aparecer, ……

    Resolve doar 99% da sua riqueza para causas heróicas e humanas e com outras características cuja caracterização agora não me ocorre.

    A questão do ponto de vista ignorante, que é o meu, é que ou estamos perante a existência de um messias (seja lá de que natureza for) ou esta doação simplesmente não me soa bem…


  4. Para os muitos milhares de seres que têm a sua vida mais aliviada, pela acção de B.Gates ou outros, esta argumentação deve parecer oca; pricipalmente se compararem com a ajuda que a ONU não dá nem um decimo, mas paga salarios escandalosos.

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