O refugiado sírio que o Ocidente não rejeitaria

Banksy

Banksy volta a atacar, desta vez no campo de refugiados em Calais, no norte de França. Na parede surge um Steve Jobs de saco ao ombro e um Macintosh pré-histórico na mão, numa referência ao pai biológico do guru da tecnologia, Abdulfattah Jandali, um sírio abastado que trocou a Síria pelo Líbano para fazer o seu percurso universitário em Beirute, onde se tornou activista político, tendo sido preso na sequência da participação num protesto a favor da independência da Algéria, acabando por fugir do país como refugiado político, em direcção aos Estados Unidos, onde ainda vive. É legítimo afirmar que, caso os Estados Unidos não tivessem permitido a entrada de Jandali no país, o país teria sido privado de um dos seus maiores génios, fundador da imponente Apple, um dos símbolos do poderio económico norte-americano dos nossos dias. Felizmente, para os Estados Unidos, existe Donald Trump.

Foto: Associated Press@CBCnews

Tristes grafias

RJ cls

R. Jakobson et C. Lévi-Strauss, Collège de France, février 1972 (http://bit.ly/1P3kXmF)

Most Potent, Graue, and Reueren’d Signiors,
My very Noble, and approu’d good Masters

— Shakespeare, “Othello” (Folio 1, 1623)

Mr. President and governors of the Academy, committee members, fellows, my very noble and approved good masters, my colleagues, my friends, my fellow students.

— Olivier, Laurence Kerr, Baron Olivier of Brighton, 9 de Abril de 1979

***

Hoje, o ilustre Armindo de Vasconcelos desenterrou, algures, uma citação extremamente interessante dos Tristes Tropiques, de Claude Lévi-Strauss:

Il faut beaucoup de naïveté ou de mauvaise foi pour penser que les hommes choisissent leurs croyances indépendamment de leur condition.

É verdade, vem na página 169 da edição que possuo e, por incrível que pareça, apus-lhe uma nótula, há muitos, muitos anos, poucas semanas depois da minha chegada a Bruxelas.

Il faut beaucoup de naïveté ou de mauvaise foi…

Ingenuidade ou má-fé (sim, com hífen).

Sendo verdade que o magnífico discurso de Olivier nos conduz a um saudável regresso a Shakespeare (e ao Otelo interpretado por Olivier), esta deixa permite uma sempre agradável incursão nos textos de Lévi-Strauss: os Tristes Tropiques, sim, o famoso ponto de partida

Je hais les voyages et les explorateurs. Et voici que je m’apprête à raconter mes expéditions,

mas também o meu texto predilecto — “L’analyse structurale en linguistique et en anthropologie”,  (*) :

Dans l’ensemble des sciences sociales auquel elle appartient indiscutablement, la linguistique occupe cependant une place exceptionnelle : elle n’est pas une science sociale comme les autres, mais celle qui, de loin, a accompli les plus grands progrès ; la seule, sans doute, qui puisse revendiquer le nom de science et qui soit parvenue, à la fois, à formuler une méthode positive et à connaître la nature des faits soumis à son analyse.

Isto tudo a propósito de quê? Ora, bem, porque o fim-de-semana chegou ao fim.

Por esse motivo, podemos voltar ao sítio do costume e assistir ao espectáculo que se encontra em cena desde Janeiro de 2012.

dre 14122015

Exactamente: desde Janeiro de 2012 e estamos em meados de Dezembro de 2015 — ou seja, com Janeiro de 2016 à porta.

Portanto, Janeiro de 2016 − Janeiro de 2012 = 4.

Efectivamente, 4.

Andamos nisto há muito tempo.

(*) «L’analyse structurale en linguistique et en anthropologie», Word, Journal of the Linguistic Circle of New-York, vol. 1, n° 2, août 1945, pp. 1-21 ; republié dans Anthropologie structurale, Paris, Plon, 1958, chap. II.)

Isto conta como terrorismo?

“Era tudo mentira. Professor admite que inventou ataque de apoiante do Daesh” [DN]

Vandalismo ou arte?

comboio_vandalismoMarco Faria

Há uma certa tentativa maldosa para deturpar factos, fazendo com que um caso que é aparentemente claro, possa, aos poucos, transformar-se numa nuvem e numa polémica. Um grupo de jovens foi “grafitar” um comboio da CP, no Apeadeiro de Águas Santas-Palmilheira, na Maia. O episódio correu mal, e deu lugar a uma tragédia. Foi há uma semana. É de lamentar a perda de vidas humanas, sempre. Mas, por favor, não queiram fazer do revisor da CP o culpado da situação. Não adianta tentar inverter os papéis. Os jovens que vandalizam com tintas as carruagens em circulação – e eu sempre pensei que o fizessem em máquinas estacionadas durante a noite – conhecem os perigos em que se envolvem. Jovens tão corajosos para pisar carris com milhares de volts mas que se puseram a milhas e apenas se entregaram no conforto de uma esquadra policial em Madrid. Em consciência, sabem que cometeram um erro. E infelizmente foi fatal para três jovens. Mas não foi o pó do extintor que provocou a tragédia, foi sim a impertinência de rapazes que se achavam no direito de pintar e de danificar propriedade alheia. O Ministério Público irá arquivar o processo, obviamente. O revisor actuou de forma equilibrada e ponderada na protecção de interesses superiores (dos passageiros e da carruagem). Se há uma lição a retirar deste caso é que somos demasiado complacentes com estes comportamentos. As autarquias disponibilizam muitas vezes espaços adequados para os “graffiters”. Tenho a noção de que penalizar meramente comportamentos transgressivos pode, na verdade, não resolver nada, mas a criminalização é apenas um sinal de que se alguma coisa correr mal, os envolvidos poderão em teoria ser responsabilizados. Os pais que perderam os filhos têm o direito a constituir-se assistentes. Todos nós temos também o dever de pedir que os tribunais comecem a sancionar estes casos, obrigando, por exemplo, os miúdos a limpar as carruagens com o seu próprio esforço e pagando do seu bolso. Tendemos socialmente a desculpabilizar o “graffiti” como uma brincadeira de miúdos, ou arte de intervenção respeitável. Até ao dia em que alguma coisa corre mal, ou quando nos chega a casa o orçamento de remoção de pirataria decorativa pintada no nosso prédio. Sai-nos do bolso, caramba. Para que casos como este não se repitam, e também para que um certo esterco fértil das redes sociais não ande por aí a virar o bico ao prego e pretenda culpar e perseguir um revisor (e a sua família) que agiu com sensatez, eu tinha de dizer isto.

Uma atitude que não dignifica o F C do Porto

REPUDIO
O Dragão-Caixa tinha sido reservado há meses para a realização da grande conferência anual da SIC Notícias e da Caixa Geral de Depósitos.

Hoje a Porto Comercial SAD, segundo uma noticia, do Jornal de Noticias proibiram a realização de uma conferência no pavilhão Dragão-Caixa, pavilhão desportivo do Futebol Clube do Porto, marcada para amanhã, quando souberam que um dos convidados era o ex-presidente da Câmara do Porto, Rui Rio.

Na qualidade de adepto do Futebol Clube do Porto repudio esta decisão da Porto Comercial SAD. Sempre entendi que o ex-presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, actuou mal, durante os seus mandatos, em relação à maior e mais importante instituição da cidade, o Futebol Clube do Porto, mas também entendo que não é desta forma que o Futebol Clube do Porto deve reagir perante uma iniciativa da SIC Notícias e da Caixa Geral de Depósitos que estava programada para o Dragão-Caixa há meses e que em muito dignifica a cidade do Porto.

António Costa tenciona cumprir alguma promessa?

António Costa diz que não há condições para acabar com sobretaxa

Valores mais altos, ou no dia de São Nunca à tarde

imposto contra a pobrezaimagem: oxfam

Não é preciso ser-se nenhum Robin dos Bosques para se considerar que é da mais elementar justiça que, se os cidadãos – por mais desabonados que sejam – pagam um imposto de “valor acrescentado” em qualquer comprazinha que façam, por maioria de razões deveriam as transacções financeiras nas bolsas de valores estar sujeitas a uma tributação. O benefício da criação de um imposto sobre transacções financeiras seria bombasticamente salutar para o bem comum: enquanto as transacções normais seriam pouco afectadas, os negócios de alta rotatividade deixariam de ser (tão) proveitosos, travando assim a especulação. As receitas permitiriam ajudar a equilibrar os orçamentos, reduzindo os défices públicos. O ITF seria ainda uma compensação pelos milhares de milhões que os estados – os contribuintes – injectaram durante a crise financeira nos resgates bancários e contribuiria para a regulação do sector. [Read more…]