Pagamento da factura: a influência do AO90 na pronunciação

Neste vídeo, encontrado na página dos Tradutores contra o acordo ortográfico, podemos ouvir uma jornalista a emendar a pronunciação da palavra “factura”: quando se preparava para fechar o A pretónico, foi socorrida pela memória e ainda conseguiu reabrir a vogal, como se o C diacrítico e etimológico ainda lá estivesse. No fundo, uma pessoa, agora, para articular correctamente algumas vogais tem de imaginar consoantes.

O fechamento de vogais é uma das consequências do AO90. Nos verdes campos da ilusão acordista, alguns garantem que a realidade não existe; outros desejam que a memória fonética permita manter a pronunciação.

Já sabíamos que o AO90 não originou uniformização ortográfica, mantendo umas diferenças e criando outras. Como se isso não bastasse, ainda poderá contribuir para o aumento de diferenças de pronunciação: efectivamente, onde brasileiros e portugueses abriam as mesmas vogais, o AO90 poderá conseguir, ainda, mais algumas separações. Continuamos a pagar a factura.

A Broadway em Janeiro

Nova York com neve

Papa Francisco símbolo maior da tolerância

O Papa Francisco é um Homem único. Não foi por mero acaso que chegou a líder da Igreja Católica neste tempo novo. Um tempo de crise de valores sem precedência, em que a intolerância predomina no nosso quotidiano. Francisco é o simbolo maior da tolerância.

 

Crónicas do Penedo III – The West Wing vs The House of Cards e a vida são dois dias…

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De “Os Homens do Presidente” a “House of Cards” passando pela comunicação política sem esquecer a tal entrevista à Visão.

Está quase a chegar mais uma temporada  da série “House of Cards”. Enquanto esperava o regresso de Frank underwood aproveitei para rever a compilação da série “Os Homens do Presidente” (“The West Wing” no original) e reflectir sobre as suas diferenças e a realidade actual.

É um engano julgar que estas duas séries são mera ficção. Só o são para quem nunca teve de lidar com a comunicação política, mesma a mais pequenina ou básica. Existem muitos pontos comuns, muitos momentos/actos/factos cuja correspondência com o real é de tal forma que até assusta, mesmo à distância de um oceano.

Vamos por partes.

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Encarcerados

Banksy

Banksy, sempre genial.

O Pedro Passos Coelho de há cinco anos precisa de um upgrade

foto@expresso

foto@expresso


Hoje o director da campanha do Professor Marcelo Rebelo de Sousa, Pedro Duarte, dá uma entrevista ao ” Expresso ” muito interessante, curta, mas assertiva.

Como diz Pedro Duarte ” O Passos de há cinco anos está desactualizado “. E o problema é exactamente este. O ex-secretário de estado e antigo deputado do PSD coloca precisamente o dedo na ferida.

O actual Partido Social Democrata teve nos últimos 5 anos um posicionamento e uma deriva para uma direita neo-liberal. Porém o que esteve na origem da formação do Partido, fundado por Francisco Sá Carneiro, foi uma matriz social-democrata assente em grande medida no pensamento político de Willy Brandt, Helmut Schmidt e Olf Palme adaptada à realidade sociológica portuguesa.

Talvez muitos não tenham conhecimento mas Francisco Sá Carneiro fez vários contactos internacionais de modo a integrar o Partido, na Internacional Socialista e consequentemente no Partido Socialista Europeu, de forma acentuar a sua natureza social-democrata, reformista e europeísta.

Aliás a mudança de designação de Partido Popular Democrático para PPD/PSD tinha como objectivo a sua integração na Internacional Socialista, mas a influência do Partido Socialista, nomeadamente de Mário Soares, impediu a pretensão de Francisco Sá Carneiro.

Aliás, o actual director da Microsotf, Pedro Duarte, afirma e muito bem que ” o PSD deve perceber que nasceu no centro-esquerda “. Entendo também que o PSD precisa de muito rapidamente recentrar-se politicamente, mas isso apenas poderá acontecer se Pedro Passos Coelho tiver a capacidade de regenerar o Partido, percebendo que o País vive um novo tempo, apresentando novas ideias e novos protagonistas.

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Novo Banco reestrutura dívida a amigo de Ricardo Salgado

NB

Há reestruturações de dívida e reestruturações de dívida. Se a dívida a reestruturar for, por exemplo, a de uma nação como Portugal, imediatamente se eleva um coro de moralistas liberais e conservadores que protesta com veemência, ora por se tratar de uma irresponsabilidade, ora porque se trata de um mau sinal para os investidores, ora porque as dívidas são para pagar porque os devedores devem ser indivíduos de palavra e os credores não lhes pediram que se endividassem. Mesmo quando o próprio FMI afirma que a dívida de uma nação como Portugal devia ter sido reestruturada por ser insustentável. [Read more…]

Crónicas do Penedo II – Pere de Portugal

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Enquanto tomava um café (chamar a esta sopa de água tingida café…) e fumava o meu primeiro cigarro do dia descubro que o governo das Baleares investiu a módica quantia de 55 mil euros para adquirir duas moedas mandadas cunhar por Pere de Portugal (Coimbra, 1187 – Maiorca,1258) personagem que governou as Baleares e que mesmo sem autorização do Rei decidiu cunhar moeda própria (1232-1244) tendo numa das faces as armas portuguesas e na outra as da Catalunha. A notícia foi lida no diário Ultima Hora (página 61).

Fiquei curioso. Pere de Portugal? Esta coisa dos nossos vizinhos terem várias línguas conforme o seu território deixa qualquer um confuso. Qual Pere qual quê! Estamos a falar de Pedro Sanches de Portugal, segundo filho do nosso Rei Sancho I e de Dulce de Aragão. Um tipo que andou sempre metido em várias confusões. Reza a história que começou por tomar partido das irmãs mal Sancho I, seu pai, faleceu contra o seu irmão mais velho, o Rei Afonso II. A coisa correu mal e zarpou para Leão. Mais tarde seguiu para Aragão (1229) para ajudar o Rei Jaime I de Aragão e casou com a Condessa de Urgel. No ano seguinte ajudou o Bispo de Tarragona a conquistar Ibiza aos Mouros (os mesmos que anos antes ajudara) e em 1231 o Rei Jaime I de Aragão entrega-lhe o domínio feudal do Reino de Maiorca (Maiorca, Ibiza, Menorca e Formentera) tornando-o Senhor das Baleares até à sua morte em 1258. Isto de forma muito resumida e tendo sempre presente que boa parte das fontes foram colhidas na internet, com todas as limitações e riscos que se conhecem. Já agora, para que não se confundam com as datas, ele foi Senhor das Baleares entre 1231 e a sua morte em 1250 e governou as ilhas só entre 1232 e 1244. Está feita a advertência.

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Bipolares?

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Aparentemente, e a fazer fé no escândalo nacional que se está a fazer relativamente ao OE2016, Bruxelas pensa que um crescimento de 2,1% do PIB, como previsto nas contas de Mário Centeno do OE2016, é demasiado otimista. Mas os 2% do PIB que estão no Programa de Estabilidade e Crescimento 2015-2019 ainda em vigor (ver documento aprovado na Assembleia da República do qual foi tirada a imagem acima – página 48), da autoria de Pedro Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque, foram aprovados sem problemas e não causaram alarme público. Os jornalistas de serviço fazem escândalos públicos com essa enorme diferença de 0,1% do PIB e gritam aqui-del-rei que a Comissão vai vetar o OE2016, inventam cenários de catástrofe e antecipam que Portugal perderá a classificação da única agência de rating que ainda não nos classificou como lixo (a DBRS). Com isso tentam dizer que estará em risco a recompra de dívida pública por parte do BCE, o que só é possível se pelo menos uma agência de rating classificar Portugal acima de lixo, mas também a possibilidade de os bancos apresentarem dívida portuguesa como garantia para receberem empréstimos do BCE. Por ser muito sério este assunto, deveriam ser mais sérios e cautelosos no disparate público que temos vindo a assistir. A famosa carta de Bruxelas é um bom exemplo disso mesmo.

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Esta ‘curta’ é dedicada ao João José Cardoso

Porquê? Porque ele não gostava (com razão) dos aqui, aqui, aqui e aqui com que me apeteceu (só para o irritar) ilustrar esta ‘curta’ e porque hoje li este texto. Continuação de um óptimo fim-de-semana (toma!).

Angola precisa de dinheiro

José Eduardo dos Santos, Angola's president, left, and daughter Isabel dos Santos in the second row

Segundo um estudo do banco africano Afrasia de Outubro passado, existem em África cerca de 163 mil milionários cujas fortunas, combinadas, ascendem a 670 mil milhões de euros. A fome, a miséria e as doenças que destroem a vida a milhões de africanos, quando não nascem, ao contrário do sol, não são para todos.

No ranking das cidades com maior número de magnatas, numa honrosa sexta posição, surge Luanda, morada de 4900 super-ricos. Só a fortuna da filha-pródiga do ditador local ascende a 3,4 mil milhões de euros. Uma grande empresária diz a senhora e o regime. Um produto da cleptocracia angolana diz a Forbes, esse pasquim da mais radical das extremas-esquerdas. [Read more…]

Pode estar em preparação novo golpe palaciano na distrital do PSD Porto

7c-1-9Hoje, ao final da tarde, fui contactado por alguns jornalistas questionando-me se seria candidato novamente a presidente da distrital do PSD do Porto.

Confesso que inicialmente fiquei surpreendido porque ainda estamos a 10 meses do final do actual mandato.

Porém foi-me transmitido em seguida que correm fortes rumores que as eleições poderão ser antecipadas para o próximo dia 5 de Março, coincidindo com as eleições para Presidente do Partido Social Democrata.

Também me foi dito que os potenciais candidatos à distrital, na linha da actual direcção politica, poderão ser Andreia Neto, Paulo Rios, Sérgio Humberto ou se for mesmo necessário para garantir a vitória e a sua sobrevivência política poderà ser o próprio Marco António Costa.

No decorrer destas conversas os jornalistas aproveitaram-me para me perguntar como estava o processo judicial que envolve Marco António Costa, no seguimento da denúncia que apresentei junto da PGR, PJ e DCIAP, e como é publico corre termos no DIAP do Porto.

Eu respondi que conheço o processo, talvez como poucos, mas que respeito muito o segredo de justiça e o difícil trabalho dos profissionais judiciais, por isso, não comentaria nesta fase, de forma alguma, o processo judicial.

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Não há perspetiva comum

Moscovici

Perspective is lost

— Megadeth, “Foreclosure of a Dream

***

Ontem, Pierre Moscovici desdramatizou o envio da carta de que se fala, sublinhando:

É muito importante que tenhamos conversações estreitas, construtivas e, espero, conclusivas, nos próximos dias, com uma perspetiva comum.

Aparentemente, a Comissão Europeia ainda não foi informada sobre a impossibilidade da adopção de uma “perspetiva comum”. Antes de Janeiro de 2012, efectivamente, havia uma perspectiva que era correcta e comum. Agora, a perspectiva é exclusiva do Brasil e a perspetiva, além de incorrecta, não é comum.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

O fim do mítico Defender

O fim do Land Rover Defender

Hoje, ao fim de 68 anos de vida, foi produzido o último Land Rover Defender. A produção deste mítico jeep todo-o-terreno teve início em 1948 e a decisão de terminar com o fabrico do Defender decorre da impossibilidade deste cumprir com as futuras normas de segurança e poluição ambientais.

Crista(s)

Ela empertigou-se. Esticou o pescoço, afivelou o ar de um buldogue francês encanitado e falou. [Interessei-me pelo que vinha aí. Que diabo, já passaram algumas semanas e achei que os curto-circuitados neurónios dos dirigentes da direita mais assanhada estavam mais estáveis; e, vamos lá, ela é a putativa nova presidente do partido do Portas].

Começou a falar: falou do primeiro ministro que não ganhou as eleições mas governa, não sei quê do Orçamento e do tio Óscar, pareceu desejosa de que as instituições internacionais pusessem o governo português na ordem, custe(-nos) isso o que custar.
[Tapei o nariz, desliguei a tv e fui apanhar ar. Há coisas que nunca vão mudar].

Um prodígio com 10 anos e 200 golos

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Chama-se Afonso Moreira e aos 10 anos de idade já leva 200 golos marcados, como nos conta o Diário de Viseu. Isto tudo acompanhado de excelentes notas na escola. Uma bela história.

 

Crónicas do Penedo I – A antena

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No tempo em que não existia TV Cabo e a televisão a cores era uma realidade um pouco recente, o meu pai decidiu comprar uma antena parabólica para termos alternativa ao elevado número de canais televisivos que a pátria oferecia: RTP 1 e RTP 2…

Na altura foi um acontecimento. De repente passei a ter, vejam lá, um canal de música (já não me lembro do nome a não ser que era qualquer coisa “europa”). Isso e alguns que durante a madrugada passavam umas coisas interessantes para maiores de 18. Nalguns casos, como diziam um amigo meu, era mesmo para maiores de 40… Depois veio a TV Cabo e nunca mais se utilizou a antena. Continua lá no alto do telhado sobrevivendo a custo a alguns temporais de inverno.

Até que um dia Espanha nos chama e lá vamos nós em trabalho por uns tempos valentes. De repente decides que vais ter uma parabólica pois não estás para fazer um contrato de fidelização de televisão por cabo e pagar uma fortuna todos os meses para levares com as melhores series americanas dobradas em castelhano…Ouvir Frank Underwood em castelhano é quase tão pornográfico como o “xiii cariño, xiiii” dos anos oitenta.

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Prepare a carteira senhor contribuinte: o buraco do BPN vai aumentar

BPN

De mansinho e sem se dar muito por ele, o buraco do BPN prepara-se para crescer 1320 milhões de euros, com o alto patrocínio do sempre prestável contribuinte português. Segundo o Diário de Notícias, se o Processo Especial de Revitalização (PER) do grupo Galilei não for aprovado pelos seus credores, onde se destaca a Parvalorem, veículo criado pelo Estado português para gerir os activos resultantes da privatização do BPN que detém 80% da dívida da sucessora da SLN, os cofres públicos encaixarão novas perdas, elevando a factura do banco do cavaquismo para um valor superior a 6300 milhões de euros. Resta saber se os milhões de euros em investimentos variados detidos pela Galilei, que tem Oliveira e Costa como segundo maior accionista e o grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, Fernando Lima, como presidente, serão usados para abater parte da dívida ou se nos caberá a nós continuar a assumir a factura na sua totalidade. Preparem as carteiras, o assalto segue dentro de momentos.

A teoria da cabala e o PS continuam de mãos dadas

Um deputado do PS afirmou que ” é perfeitamente possível que Bruxelas esteja a tentar tramar o governo” entrando em contradição absoluta com a confiança que tem demostrado o primeiro-ministro António Costa. Este tipo de afirmações prejudicam a imagem e a credibilidade de Portugal junto das instituições europeias. Alguns políticos estavam tão bem caladinhos.

Não há almoço sem vinho

Nunca fui um adepto das politicas de François Hollande mas admirei a firmeza do presidente francês relativamente ao almoço com a delegação iraniana que estava de visita a França. Porém o incidente diplomático não impediu que Hollande e Rouhani se encontrassem substituindo o almoço por um lanche. A coisa assim até ficou mais económica

PS começa a dar os primeiros sinais de cedência a Bruxelas

orcamento_estado A proposta de orçamento apresentada pelo governo socialista ainda não passa de um draft mas já está a ser alvo de críticas e a levantar muitas dúvidas de vários sectores nomeadamente de Bruxelas.

Aliás ainda hoje Carlos César, líder parlamentar do Partido Socialista, admitiu que poderão vir a ser feitas algumas cedências à Comissão Europeia.

Este anúncio de Carlos César penso que é estratégico vindo assim abrir caminho a algumas cedências prévias de António Costa que amanhã terá que enfrentar os deputados na Assembleia da República.

E não tenho dúvidas que este será o tema forte do debate quinzenal no Parlamento.

Estou curioso para ver a estratégia que Pedro Passos Coelho vai começar a trilhar na oposição ao governo agora que se conseguiu libertar de alguns dirigentes do PSD que o condicionaram, nos últimos anos, mas que agora passaram a meros figurantes.

Mas será também interessante observar os primeiros sinais de um novo CDS que está claramente num processo de mutação que vai implicar um novo posicionamento político do partido que vai passar a ser liderado por Assunção Cristas.

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Então, que tal?

Santana Castilho *

1. Dois meses corridos sobre a entrada em funções do novo Governo, considerando todos os anúncios de mudança e o que já foi mudado, venho perguntar aos professores de sala de aula: então, que tal?

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Bem-vindos a Bruxelas

Hellhole

© Ancienne Belgique #hellhole

Os fatos são eternos

James Bond: What would you like to talk about?
Tiffany Case: You pick a subject.
James Bond: Diamonds?
Diamonds Are Forever (1971)

***

Em 2009 e 2010 não houve nem fato, nem fatos no Diário da República. Em 2011, houve 5 fato e 5 fatos no Diário da República. Em 2012, o Diário da República começou a adoptar o Acordo Ortográfico de 1990 e, nesse ano, houve 140 fato e 237 fatos.

O primeiro número de 2016 do Diário da República (já sabiam os leitores do Aventar e sabem, a partir de hoje, os leitores do Público) trouxe “valorização dos fatos constantes nos números precedentes” e “registo contabilístico dos fatos patrimoniais”.

Souberam hoje os leitores do Público – e saberão, doravante, os leitores do Aventar – que, em 6 de Janeiro de 2016, um município publicou uma declaração de rectificação de edital, no qual se grafara ‘contatar’, em vez de ‘contactar’:

contatar

Entretanto, a situação melhorou? Sem sombra de dúvida. [Read more…]

Se houver visita…

Assisto à cena da ocultação, por governantes italianos, das obras de arte que pudessem ofender a delicada sensibilidade do presidente iraniano e, preocupado, perguntei-me sobre quais as peças que, em Portugal, estariam sujeitas a esse acto de fina cortesia. E dei por mim a pensar que, para nossa desgraça e prova da nossa pobreza, não há grande coisa para esconder, sobretudo se a visita não incluir um périplo pelas Caldas da Rainha.

Todavia, chamo a atenção para a ostensiva e exuberante exibição fálica erecta – é o termo…- por mestre Cutileiro no alto do Parque Eduardo VII. Talvez, no caso de tal visita, se possa tapar. O pior é que, dada a provável forma perservatival que teria tal cobertura, haveria problemas com outras religiões. Caramba, isto do politicamente correcto é muito complicado.

Sensibilidade

O governo da Dinamarca informou que está a considerar a possibilidade de, ao revistar os refugiados para os “aliviar” dos valores que transportem consigo, lhes deixar as alianças de casamento. Quanta sensibilidade! Quanta generosidade!

A carta de Bruxelas

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A carta enviada pela Comissão Europeia ao ministro das finanças é uma coisa perfeitamente normal – uma carta de trabalho onde se alerta para a necessidade de justificar o facto de o Governo não seguir a recomendação do Conselho Europeu para a redução de 0,6% do défice estrutural – e não permite nenhuma das conclusões que vi na comunicação social. Basta ler a carta. Não é uma questão de regras, e muito menos de não cumprir o acordado. Mas sim de trabalho em cooperação olhando para a realidade de cada país. E esta carta não é mais do que isso: uma carta normal de trabalho. O alarme criado na comunicação social nacional é inaceitável, porque prejudica o país. Quanto ao veto, seria inimaginável e nunca aconteceu. Portugal não está nessa situação. Toda a gente tem de ter juízo e não desejar o pior.

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É uma penhora portuguesa, com certeza

Não conhecemos Helena, mas podemos imaginá-la.  Não deve chegar ainda aos quarenta anos, é viúva, tem três filhos menores a seu cargo. Moram os quatro num bairro social. Os miúdos vão à escola, Helena procura trabalho. Vivem com a pensão de viuvez dela, as pensões de sobrevivência dos menores, os abonos de família e um complemento de rendimento mínimo. Tudo somado, não chega a 400 euros.

No ano passado, Helena viu a sua conta bancária penhorada por ordem da câmara municipal da sua cidade, para liquidar uma dívida relativa às refeições dos filhos na cantina da escola. O saldo total da conta não chegava a um salário mínimo nacional, o que torna o valor impenhorável. Apesar disso, a conta foi penhorada.

Helena perdeu o acesso ao único dinheiro que tinha para fazer face às despesas, e é difícil saber que caminho desesperado poderia ter seguido se não tivesse a sorte de conhecer um advogado disposto a ajudá-la. Recebeu aconselhamento e reclamou perante a justiça, exigindo a devolução do valor indevidamente penhorado. O tribunal julgou o caso e deu razão a Helena contra a autarquia.

A penhora foi em Maio de 2015, a sentença é de Outubro do mesmo ano, estamos no final de Janeiro de 2016 e o valor ainda não foi devolvido. Curiosamente, a autarquia constatou, entretanto, que Helena está isenta do pagamento das refeições dos filhos, o que torna o caso ainda mais kafkiano: a autarquia mandou penhorar o impenhorável para sanar uma dívida que não existia. [Read more…]

O supra-sumo dos Ricardos Salgados

Najib-Razak

Lembra-se da prenda de 14 milhões euros que José Guilherme – aquele empresário que nos deve 121 milhões de euros via BES e que escapou à comissão de inquérito ao banco, alegando problemas de saúde que o impediam de viajar para Lisboa, excepto no caso de precisar de cortar o cabelo – deu a Ricardo Salgado, e que tanto trabalhou deu ao ex-ministro a prazo do PàF para explicar? Coisa de pobre. O primeiro-ministro da Malásia recebeu uma prenda de 681 milhões de dólares – sim, leu bem – do regime totalitário saudita mas, ao contrário do amigalhaço do recém-eleito presidente da República, não tentou esconder o motivo da oferenda: servia para ajudar Najib Razak a ganhar as eleições deste ano. Servia porque aparentemente foram devolvidos 620 milhões. Só não se sabe o que aconteceu aos restantes 61. Mas não se passa nada. O procurador-geral da Malásia, nomeado por Razak, já decidiu que não existe ali qualquer indício de criminalidade. Mais ou menos o que se passa por cá.