O jornalismo em Portugal

Pelo menos três jornais portugueses, o Record (que entretanto apagou a notícia), o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias estão a publicar uma notícia falsa. Supostamente, o treinador do Rayo Vallecano disse que Cristiano Ronaldo lhe metia nojo. Vai daí, os jornalistas tugas, feridos na sua dignidade, apressaram-se a publicar a notícia e as declarações sem se incomodarem a procurar uma fonte credível.

Infelizmente, a notícia é falsa. Começou com uma conta falsa no Twitter e assim se propagou. Bem sei que é difícil fazer source checking de todas as notícias online (são muitas e constantes) mas numa altura em que os leitores recorrem cada vez mais ao formato online, espera-se um maior rigor nestas notícias – embora assumo que este caso tenha mais a ver com o vigor pseudo-patrioteiro dos jornalistas.

Gostaria de ver, agora, um pedido de desculpas da parte destes jornais (e de outros que provavelmente também publicaram a notícia) aos leitores e ao treinador do Rayo, Paco Jémez.

(É também caso para perguntar até onde vai esta incompetência. Hoje é um treinador de um clube espanhol mas amanhã, ou hoje mesmo, pode ser um primeiro-ministro, um presidente, um orçamento de Estado. Sabe-se-lá onde isto vai parar).

Nota: O DN publicou uma notícia em que clarificava que a notícia anteriormente publicada era falsa. O JN também já veio corrigir a notícia que tinha dado. É excelente ver os jornais e jornalistas a admitir estes pequenos erros, mesmo aqueles que são aparentemente insignificantes.

Governo Rajoy imita as piores práticas do PàF

PP

O Ministério do Interior espanhol usou a sua conta no Twitter para fazer propaganda eleitoral e promover Mariano Rajoy, colando o líder do PP a Adolfo Suarez e ao histórico momento da transição democrática. Estes PàFs espanhóis tendem a confundir os recursos do Estado com os dos seus partidos, como de resto foi acontecendo por cá com os seus parentes políticos: Paula Teixeira da Cruz usou dirigentes públicos para servir a campanha do PàFPires de Lima seguiu-lhe os passos e até o sítio do Governo publicou um documento manifestamente imparcial intitulado 4 anos de credibilidade e mudança. A uns como a outros, de pouco lhes adiantaram as manobras: venceram o escrutínio mas perderam o poder absoluto, o único que conhecem e com o qual sabem governar. Hoje chegou ao fim a hegemonia da central de negócios do bloco central espanhol. A nossa vez chegará.

Eleições espanholas

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Resultados às 21:54.  Resultados oficiais. A noite é capaz de ser animada