Lições de História

Não há dúvida que as lições de História são extremamente elucidativas. Estando eu a ajudar a minha filha a estudar para o ponto de História, que inclui o tema “colonialismo e imperialismo”, deparo-me com a seguinte citação proveniente do discurso do senador norte-americano Albert Beveridge, pronunciado em Boston, em Abril de 1898:

“As fábricas norte-americanas produzem mais do que o povo americano pode utilizar; o solo norte-americano produz mais do que podemos consumir. O destino traçou a nossa política: o comércio mundial deve ser e será nosso. E nós vamos consegui-lo, como a nossa mãe (Inglaterra) nos ensinou. Em todo o mundo, estabeleceremos sucursais comerciais como centros de distribuição dos produtos americanos. A nossa frota comercial cruzará todos os oceanos. Edificaremos uma marinha à medida da nossa grandeza. As nossas sucursais comerciais tornar-se-ão colónias, que se governarão a si próprias, içarão a nossa bandeira e farão comércio connosco. Pela via do comércio, as nossas instituições seguir-se-ão à nossa bandeira. E a lei americana, a ordem americana, a civilização americana e a bandeira americana serão içadas em territórios até então sangrentos e selvagens que, através destes instrumentos de Deus se tornarão belos e civilizados.”

Neste sentido, saudações da Monsanto!
O que no fim do século passado podia ser dito às abertas é agora enroladinho por exemplo num Tratado Transatlântico de Comércio e Investimento… Vá-se lá perceber porque é que os governos europeus estão tão entusiasmados com a ideia…
TTIP- assinaturas

Comments

  1. Konigvs says:

    Depois de ter visto a Europa apoiar a privatização das sementes já nada me espanta. Mesmo nada. Um dia destes lembram-se de privatizar as pirocas – e a partir desse dia deixará de ser então deus a fazê-las – e todos aqueles que quiserem ter uma terão de a pagar no ato da compra, bem como logo será criado um imposto para se poder andar com ela, e outro imposto claro, de circulação, e um outro ainda para a estacionar, por exemplo, na garagem da vizinha.

    Mas no entanto há para aí um idiota qualquer, daqueles idiotas que devem ter mesmo muito boas cunhas, para falar em tudo que é rádio e televisão, que diz que “a economia não precisa de historiadores”. Para muito boa gente (rica) é sempre bom que a sociedade repita os mesmos erros, porque no fundo favorecem sempre os mesmos (ricos).

    • Rui Silva says:

      Cara Konigvs,

      Faz aqui uma mistura entre duas coisas que não faz para mim qualquer sentido.
      O que é que o livre comercio entre as pessoas tem a ver com a abusiva legislação de Patentes ?
      Eu que apoio o livre comercio p.e., sou contra a selva da “Patente” , que atenta contra a liberdade das pessoas para produzirem o que entendem.

      cumps

      Rui Silva

  2. tancredo says:

    a história tem haver com o tempo do mundo
    o amor tem haver com o tempo da alma.
    .
    A História é escrita pelos vencedores, por isso é que o anátema atómico, o fim da história, não entra nela. Mas no tempo da alma sim.

  3. Rui Silva says:

    Vá-se lá perceber porque é que os governos europeus estão tão entusiasmados com a ideia…?

    Para que o cidadão possa ter acesso aos bens de consumo (ou de outra forma, a uma melhor qualidade de vida), a preços mais baixos possíveis.

    cumps

    Rui Silva

  4. Ana Moreno says:

    Pois, como aconteceu na sequência do NAFTA, o acordo de comércio dito livre entre o Canadá, EUA e o México, com resultados desastrosos especialmente para este último país. É que logicamente tanto caem os bens de consumo como os salários, além de ficarmos à mercê dos tribunais arbitrais e podermos mandar a democracia e direitos às urtigas.

  5. Vila do Conde says:

    Caro Rui
    Finalmente percebi…os governos europeus estão interessados numa “melhor qualidade de vida” dos cidadâos…
    Estamos conversados–
    cps

    • Rui Silva says:

      Caro Vila do Conde,

      O comércio nasce livre.
      Só depois, é que os governos criam “multas”/”barreiras”/” e o diabo a 7″ ás pessoas que livremente querem trocar os seus produtos/serviços.
      Saberá você explicar porque é que os governos fazem isso ( limitam a liberdade de troca ao cidadão? ) ?
      Quase que estou tentado a adivinhar a sua resposta:
      – Melhorar a vida do cidadão –

      Ou seja vamos lá a ver se percebi o “estamos conversados”:
      Quando o governo legisla de forma a limitar a liberdade do cidadão. é para o bem.
      Quando o governo legisla abolindo as anteriores proibições, é para o mal.

      cumps

      Rui Silva

      • Ana Moreno says:

        Caro Rui, pode ter a certeza que se fosse uma questão de tarifas, não haveria 3,2 milhões de assinaturas nem 250.000 pessoas a manifestarem-se nas ruas de Berlim contra o TTIP e CETA. As tarifas entre EUA e Europa já são baixas e podem baixá-las mais se quiserem, que não é por aí que alguém se vai mobilizar contra. E também ninguém tem nada contra a uniformização de pormenores técnicos como os piscas dos carros – vermelhos nos EUA e geralmente amarelos na Europa – que é um exemplo muito dado para salientar as vantagens. O problema é que, longe de regulamentar apenas questões comerciais, como sejam as reduções tarifárias, estes tratados visam baixar os padrões ambientais, reduzir direitos laborais e do consumidor, introduzir o mecanismo ISDS e uma cooperação regulamentar que vai limitar e ridicularizar os sistemas democráticos em que vivemos.
        E é por isso que estão a negociá-los em segredo, não é porque querem eliminar tarifas. Ou seja, o que se está a pretender é – sob o manto da regulamentação de questões comerciais – um comércio livre para a actuação das multis. Os povos que se dobrem à vontade do capital.

        • Rui Silva says:

          Cara Ana Moreno,

          Acha que a assinatura de 0,64% da população europeia é democraticamente significativo ?
          Acredito até, que dentro destas , estarão (além das pessoas que apesar de bem intencionadas são manipuladas) a maior parte das pessoas que produzem algo ou algum serviço e não querem ser sujeitas á concorrência para assim manterem os preços mais elevados do que seria natural num cenário de livre concorrência, prejudicando assim os consumidores.
          Eu, correndo o risco de estar enganado, acho que o real problema destas pessoas é a militância anticapitalista.

          Não acha que o sucesso de uma empresa multinacional está democraticamente assente sobre os seus consumidores ?
          Ou doutra maneira, acha que uma multinacional atinge esse objetivo a fazer algo que o consumidor não pretenda?

          Eu acho que não. Uma multinacional só existe porque os seus consumidores o permitem, adquirindo os seus produtos/serviços, democraticamente. Já não considero que seja democrático o cidadão ser impedido de adquirir livremente qualquer serviço/produto de qualquer empresa.

          cumps

          Rui Silva

          • Ana Moreno says:

            Caro Rui Silva, portanto, não precisamos de governos nem de parlamentos que decidam sobre legislação, como, por exemplo, restrições ao tabaco, porque se os consumidores querem consumir, é porque está bem, e o sistema de saúde que pague os custos, é isso? (Exemplo ISDS- Philip Morris vs. Uruguai).
            No que respeita aos mais de 3 milhões de assinantes, recordo-lhe que o número que a UE estabeleceu para aceitar uma ICE, é de 1 milhão durante um ano; esta ICE auto-organizada conseguiu, no mesmo período, três vezes mais do que o número que a UE considera como relevante para que um assunto seja tratado pela Comissão. E mesmo assim, uma enorme maioria de cidadãos nunca ouviu falar de tal coisa, porque há grandes interesses de que o assunto entre em vigor sem que ninguém se aperceba. Que, aliás, seria o que teria acontecido se cidadãos não se tivessem organizado para evitar que isso acontecesse.
            Pela forma como coloca as implicações do TTIP, CETA e TISA parece-me que não as enquadra na dimensão adequada, que realmente é difícil de apreender e exige alguma leitura, por isso só lhe posso recomendar a extensa documentação no site não ao ttip ou stop ttip.
            https://www.nao-ao-ttip.pt/
            https://stop-ttip.org/pt/?noredirect=pt_PT

          • Rui Silva says:

            Sim cara Ana Moreno,

            eu acho que não precisamos de legislação que proíba o tabaco , uma vez que a decisão de fumar é uma decisão individual. O estado não devia interferir nas decisões do individuo adulto e que goza do chamado livre arbítrio. Já o mesmo não se passa quando legisla sobre espaços públicos pois aí , e muito bem , a meu ver , pois o fumador está a prejudicar terceiros.
            Chamo também a sua atenção que o fumador paga mais impostos que um não fumador, o que lhe dará o direito de usufruir de tratamentos associados a doenças que sejam causadas pelo tabaco. Veja o caso dos seguros, se a Ana tiver um seguro “contra-todos-os-riscos” no seu carro e eu apenas tiver seguro “contra-terceiros” e ambos tivermos um acidente, não se pode dizer, na hora de acionar o seguro que a situação é injusta para mim, uma vez que a Ana paga mais que eu logo deve receber uma compensação maior.
            No entanto penso que o Estado poderia p.e. não assumir o tratamento de doenças relacionadas com o tabaco caso isentasse o tabaco de sobre-taxas.
            Em relação ao nº de pessoas exigido para a aceitação de uma ICE , apesar de ser arbitrariamente decidida, merece o seu acordo. Sabe porque ? Porque a Ana está de acordo, e logo não se pode por em questão. É isso? Ou seja, o meu argumento de que o numero de pessoas não é significativo não interessa? Não se esqueça que o meu argumento é democrático, ou seja a maioria decide. Ou será que o argumento democrático só é válido quando estamos do lado da maioria ?

            No topo do bolo está sempre a cereja.
            Como não estou de acordo consigo, evidentemente só pode ser por ignorância, só pode ser por falta de leitura. E a Ana ainda se dá ao trabalho de me recomendar o sitio em que me devo informar para perceber que estou errado. Faz-me lembrar aqueles que acham que só há descrentes porque não leram a Biblia ou o Corão…

            cumps

            Rui Silva

  6. tancredo says:

    “As Vinhas da Ira”, aquele romance profético, que explicou a realidade americana de então e o seu futuro desenvolvimento é ainda hoje, o livro mais proibido das bibliotecas americanas.
    .
    Lá como cá, justo e verdadeiro é o que está conforme a lei do mais forte. Leia-se; do mais rico.

  7. Ana Moreno says:

    Olá Rui Silva de novo, não precisamos de estar de acordo, isso é mais que certo. Até porque é impossível neste contexto esclarecer tudo o que vai sendo colocado por si ou por mim; trata-se de um assunto muito vasto e foi por isso que referi onde pode ser lida a informação relevante no tal site, e não como refere, por dogmatismo. É que é impossível discutir seriamente sobre o assunto sem fundamentação.
    Quanto aos custos do tabagismo, o que os estudo dizem é que os impostos a ele associados nem de longe nem de perto cobrem as despesas dele resultantes. Basta imaginar os custos de tratamento de um fumador que fica com cancro, e dá para perceber que não chega.
    Mas quando me referi ao tabaco, não foi pelos custos do tabagismo em si, foi um exemplo de ISDS (há vários e sobre a mais diversa legislação), o tal que outorga aos investidores o direito de processarem os estados por legislação que possa diminuir os seus lucros, sendo o assunto decidido por tribunais à porta fechada e à margem dos sistemas de justiça nacionais e internacionais e com, em cada caso, 3 advogados privados que são pagos para isso. Depois, se decidem que o investidor tem razão, os estados têm de pagar indemnizações milionárias. Os estados quer dizer, os cidadãos. Por exemplo, no caso do Uruguai, de entre as várias medidas de combate ao tabagismo tomadas pelo governo uruguaio (aumento dos impostos, proibição de publicidade ao tabaco nos meios de comunicação, proibição de fumo em locais públicos,) constam também a proibição de venda de diferentes tipos de apresentações da mesma marca de cigarros e a obrigação de imagens de advertência sobre os riscos do fumo que ocupam 80% da caixa de cigarro; Pois por estas duas últimas medidas, a Philip Morris International processou, ao abrigo de um ISDS, o estado uruguaio, exigindo o pagamento de dois mil milhões de dólares como indeminização pela redução dos seus lucros. Se o Rui acha isto adequado, pois eu não acho e tentarei quanto puder evitar que este mecanismo seja legalizado, encapotado num suposto Tratado de comércio livre.
    Mas como vê, a conversa já vai longa e eu fico-me por aqui. Como já disse, isto dá muuuuito pano para mangas.
    Cumprimentos
    P.S. quanto ao número ser significativo ou não, pelos vistos a UE acha, deve ter alguma base; este foi o maior número que alguma vez alguma causa já conseguiu reunir e, como já disse, a maioria das pessoas nem sabe o que as espera, portanto não se pode pronunciar… Ou seja, sim, acho um número significativo, porque ao contrário do que a sua argumentação implica, os restantes 99,36% (os números são seus, só inverti) não estão a favor mas, na grande maioria, não o conhecem.

    • Conceição Alpiarça says:

      Obrigada, Ana, pelos teus esclarecimentos, num salutar acto de exercício de cidadania.
      Pena que o Rui não foque o seu raciocínio e discurso no essencial e se perca no acessório, confundindo regras definidas numa ICE e processo eleitoral; coloque a tónica nas causas do tabaco e não na questão colocada, o objectivo do ISDS e o que origina, o que as multinacionais pretendem e conseguem com aquele mecanismo de resolução de conflitos investidor-estado e nunca o contrário, estado-investidor.

      O que falamos agora é de um capitalismo financeiro(1) puro, feroz e voraz (improdutivo – 93%), que até já deixa incomodado e reactivo o capitalismo produtivo (3%), que Stiglitz, entre outros economistas, intenta salvar; falamos de barbárie, da especulação travestida de comércio (3%); falamos de discernimento sobre o que nos chega de variadíssimas fontes, até através dos directos representantes(2) dos cidadãos no PE, os eurodeputados(3), não da manipulação(4) com que nos condicionam os media, a maioria feita capataz dos interesses financeiros multinacionais, ou mesmo bloqueando a informação, como se está a passar com o TTIP e o CETA.
      Que não nos equivoquemos, pois a UE, mais precisamente a Comissão Europeia, tal como está, não é mais do que o funcionário privilegiado das corporações financeiras e multinacionais. Nos últimos anos, com o seu propósito bem definido, o de satisfazer o projecto de tomada de poder daquelas sobre os estados. Como se compreende que um país com uma costa riquíssima, ser-lhe condicionada, exteriormente, e até proibida a pesca? Ver a agricultura a ser descaracterizada, adulterada, as técnicas aplicadas e os pesticidas usados acabarem com as abelhas, poluírem o ar e os lençóis freáticos, tornando as suas águas impróprios para consumo? Como pode um país, que boa parte da sua economia assenta no turismo, ver, à revelia das populações, as suas melhores praias concessionadas para exploração de petróleo e de gás de xisto(5)?

      E por aqui me fico, deixando que as leituras que recomendas façam o resto, o despertar de consciência(s) e despoletar acção em defesa das nossas vidas e do planeta.

      (1) http://resistir.info/portugal/incentivos_jul13.html#notas
      (2) https://personagratablog.wordpress.com/2015/04/18/fernando-ruas-e-ana-gomes-comentam-secretismo-no-acordo-de-comercio-europa-eua/
      (3) http://www.eldiario.es/economia/eurodiputado-espanol-TTIP-despojan-boligrafos_0_372713416.html
      (4) http://yogui.co/10-estrategias-de-manipulacao-em-massa-utilizadas-diariamente-contra-voce/
      (5) http://www.asmaa-algarve.org/index.php/en/campaigns/campanha-contra-o-petroleo/noticias/ultimo-mapa-contractos-de-exploracao-petroleo-e-gas-em-portugal

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