Liberalismo subsídio-dependente


Privado

Num blogue onde estou rodeado de especialistas no assunto como o Ricardo Santos Pinto, o António Fernando Nabais, o João Paulo ou o J. Norberto Pires, pouco haverá a acrescentar sobre os problemas que o sector enfrenta nestes dias de tensão entre esquerda e direita, público e privado. Prefiro ler o que estes experientes professores têm para partilhar.

Contudo, há uma parte neste conflito que nada tem que ver com Educação. Um conflito ideológico. De um lado a esquerda, que defende a escola pública e a diminuição de apoios a instituições privadas de ensino, do outro a direita, que podendo privatizaria tudo, da pré-primária às universidades públicas, e que defende o financiamento – aumentou-o enquanto governou – de escolas privadas.

O que eu não percebo é a contradição. Não o seu uso por parte da direita, que já há muito nos habituou a ela, mas daqueles que religiosamente a seguem e que se dedicam à causa da liberalização absoluta da economia, clamando pelo fim de toda e qualquer regulação, atacando ferozmente a interferência do Estado na economia e permanentemente agarrados ao argumento da esquerda subsídio-dependente. Então e os colégios privados? Não era suposto, também aqui, defender o salve-se quem puder?

Pelos vistos não. Quando o tema são as instituições privadas de ensino, o Estado já deve intervir na economia, a subsídio-dependência transforma-se numa virtude e o mercado perde a capacidade da auto-regulação. E porque é que isto acontece? Quero acreditar que nada disto tem que ver com os vários membros das elites de direita (e alguns do PS) que gerem, administram ou possuem o seu próprio colégio privado. Isso seria…normal.

Na qualidade de contribuinte deste país, não vejo motivo algum para que o dinheiro dos meus impostos seja usado para financiar o sector privado, seja ele o da Educação ou o da Saúde. A menos que, claro, daí se obtenha alguma mais-valia para a sociedade que financia. E não é isso que a direita defende? Que o Estado não interfira no sector privado? Que o deixe regular-se a seu bel-prazer? Então que liberalismo subsídio-dependente vem a ser este?

Fotomontagem via Uma Página Numa Rede Social

Comments

  1. José Gonçalves says:

    2016 d. C. Toda a Lusitânia vive sob o domínio do Sacrossanto Mercado e o do Todo-Poderoso Princípio do Utilizador-Pagador. Toda? Não! Um conjunto de aldeias chamadas Colégios-Privados-com-Contrato-de-Associação resiste, ainda e sempre!

  2. Edgar Carneiro says:

    Lembram-se do “não há dinheiro, ponto final”, “o Estado não pode interferir na iniciativa privada”, “menos Estado, melhor Estado”, etc., etc., etc…
    E viva a coerência dos ex-governantes do PSD/CDS.

  3. joão lopes says:

    pensando bem tambem quero ser liberal,afinal isto não custa nada:quero ser liberal e trabalhar para a antena 1(estado),quero ter um colegio privado com dinheiro do estado,quero ter uma empresa e não pagar imposto,não pagando imposto não há dinheiro para o colegio privado o que é uma grande bronca…entretanto no Brasil os liberais preparam-se para aceder ao poder sendo que nenhum dos liberais brasileiros é corrupto(só os da esquerda são).

  4. Manuel Lopes says:

    A justificação para este contrasenso liberal-fascista é mais simples do que parece: os colégios privados passaram a ser lavandarias de dinheiro do Estado (nossos impostos), transformando-o em financiamento dos partidos políticos interessados neste negócio (PPPs educativas), para premiar as suas clientelas e financiar as suas campanhas eleitorais. Os favores aos colégios (lucros à custa dos nossos impostos) têm os seus custos…

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