Deputados e Professores

Fotografia: João Relvas/Lusa@DN

Há algumas semanas, a RTP apresentou uma reportagem sobre esse admirável mundo velho que são as mordomias principescas da classe política portuguesa, nomeadamente daqueles 230 servidores públicos que se sentam no hemiciclo, e que, para lá chegar, declararam amor eterno à causa pública, ao país e aos portugueses, como se nada mais quisessem em troca do que servir o país.

Porém, como ainda não é possível comprar carros de alta cilindrada ou pagar férias na Polinésia Francesa com amor à causa pública, muitos são os deputados que, por exemplo, tendo residência fixa em Lisboa há muitos anos, onde fazem toda a sua vida, declaram residir no local onde nasceram, apesar de raramente lá porem os pés, apenas para poder sacar uns trocos extra ao depauperado erário público. [Read more…]

Como destruir um sistema teatral

A Sarah Adamopoulos explica.

Os subsídios

A PAC é um gigantesco esquema para permitir que os agricultores vendam os produtos a preço inferior ao de produção.

Camomilas silvestres com campo de arroz ceifado ao fundo (c) JMC

Tomemos a produção de arroz como exemplo. Antes da chegada dos subsídios da então CEE, o Ti Manel vendia o arroz a 80 escudos. Sem contar com a inflação, seriam 40 cêntimos de euro agora. Entretanto, vieram “ajudas” à produção para compensar a baixa no preço a que o agricultor vendia o cereal e chegámos a um ponto em que o quilo de arroz se vende, à saída dos campos, entre 18 e 21 cêntimos. Nas proximidades da Figueira da Foz, onde vive o Ti Manel, os industriais do descasque compram o arroz aos agricultores e vendem-no sob marca própria nas grandes superfícies. Antes dos subsídios, estes empresários compravam o arroz a 40 cêntimos, o dobro de actualmente, sem que o preço ao consumidor tenha substancialmente mudado. [Read more…]

O pesar do ministro e a morte do artista

Fernando Relvas morreu no passado dia 21 de Novembro. Esperava, há mais de dois anos, por um “subsídio de mérito cultural”, que nunca chegou. Em vez disso, recebeu, a 23 de Novembro, uma inútil e descabida “nota de pesar” do ministro da Cultura. Uma atitude que, enquanto amigo de quase 40 anos de Fernando Relvas, agradeço, por boa educação, mas declino, por indignação. E foi isto mesmo que fiz questão de dizer ao sr. ministro, na carta que a seguir se reproduz e lhe foi enviada no final da semana passada. Porque palavras amáveis quando morrem os artistas de pouco servem, se quem as profere deles não fez caso enquanto vivos.  [Read more…]

A propósito do mais recente êxito do liberalismo pró-subsídio(-dependente)

Já tem uns dias, mas é tão certeiro que dói:

A conclusão de Marques Mendes é simples: as escolas privadas são por natureza melhores (“não é por acaso que nos rankings as escolas públicas vêm todas cá para baixo”) e o corte do financiamento público deixará o acesso à melhor educação apenas ao alcance dos ricos. Se a referência aos rankings reduz ao absurdo a defesa do indefensável, o exemplo escolhido prova a falácia do argumento. É que o Agrupamento de Escolas de Paços de Brandão recebeu em 2015, pela mão do ex-ministro Nuno Crato, um crédito de horas “pela eficácia educativa” e “redução do abandono escolar”. Foi mesmo, de entre todos os agrupamentos do país, um dos oito que receberam a distinção máxima.

Marques Mentes“, de Mariana Mortágua (JN). O resto está aqui.

Liberalismo? Yeah right…

PPCT

God bless you! And God bless taxpayers money!

Fotomontagem: Luís Vargas

Liberalismo subsídio-dependente

Privado

Num blogue onde estou rodeado de especialistas no assunto como o Ricardo Santos Pinto, o António Fernando Nabais, o João Paulo ou o J. Norberto Pires, pouco haverá a acrescentar sobre os problemas que o sector enfrenta nestes dias de tensão entre esquerda e direita, público e privado. Prefiro ler o que estes experientes professores têm para partilhar.

Contudo, há uma parte neste conflito que nada tem que ver com Educação. Um conflito ideológico. De um lado a esquerda, que defende a escola pública e a diminuição de apoios a instituições privadas de ensino, do outro a direita, que podendo privatizaria tudo, da pré-primária às universidades públicas, e que defende o financiamento – aumentou-o enquanto governou – de escolas privadas. [Read more…]

Rigorosamente despesistas

Passos Salazar

Foto@A Viagem dos Argonautas

Não sabemos se o compêndio de Pedro Passos Coelho sobre Salazar virá ou não incluído no novo lote de viaturas novinhas em folha que acabamos de adquirir para assessores e outros boys membros da sua equipa. No total, segundo o Correio da Manhã, são 34 viaturas que terão um custo de 18 mil euros por mês. Uma migalhinha no contexto desta crise que nos fustiga, um óptimo exemplo para os portugueses a quem os partidos beneficiários acusaram de viver acima das suas possibilidades. E se há funcionários públicos neste país a viver acima das suas possibilidades, esses funcionários são os políticos da casta.

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Roubar os funcionários públicos e os pensionistas

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Uma história de borralho

O tronco de oliveira verde ardia já desde ontem, numa chama contida mas constante. Ao contrário do pinho enresinado que se consome num fogo rápido e exuberante, a oliveira, mesmo que verde, leva o seu tempo para se transformar em cinzas.

“É a que cortei agora”, dizia-me o Ti Manel enquanto nos aquecíamos com um tinto novo, sentados no borralho. Deve ter sido a última das oliveiras que faziam a estrema no Vale Raposo, agora transformado em eucaliptal. “Eu não queria arrancar a vinha mas deram-me quase mil contos de subsídio. Era muito dinheiro”. Este arranque passou-se nos noventas, era primeiro-ministro o actual presidente da República. “Quando foi aprovado não consegui lá ir fazer o serviço mas a Maria juntou umas mulheres e cortaram as varas todas. Ficaram só cepas. Até chorei mas depois a máquina entrou por ali fora e rompeu tudo. Acabou.”

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Da série ai aguenta, aguenta (15)

Prepare-se para 2013: vem aí o pior

 

Já não era sem tempo

Pelos vistos, foram às casinhas que valem mais de um milhão de Euros e aos rendimentos de capital. Faltam ainda algumas insignificâncias, como: extinção da regalada atribuição de automóveis a titulares de cargos públicos abaixo de Secretário de Estado; fim da concessão de dispendiosas  “ajudas de custo”, seguros, telemóveis, subsídios de arrendamento de casa, subsídios de deslocação ou alimentação dentro das fronteiras do Estado,  cartões de crédito para despesas de representação; discriminação pormenorizada de observatórios, gabinetes de estudo, fundações e outras instituições ditas de “utilidade pública”, assim como os montantes de dinheiro público – diga-se dos contribuintes – envolvido; legislação que submeta os candidatos, ao critério da avaliação prévia de todos os gestores do sector empresarial do Estado; plena explicação da razão pela qual o Palácio de Belém comporta cerca de 500 funcionários adstritos e um orçamento sempre em crescendo desde 1985; interdição de qualquer ex-Chefe de Estado acumular a muito justa pensão inerente, com outros proventos decorrentes do exercício de funções representativas – ou outras – em fundações, Comissões organizadora de índole nacional ou internacionals, etc. Enfim, há ainda que atender às escandalosas reformas antecipadas e ao fim de escassos anos de serviço, como por exemplo acontece no parlamento. Impõe-se a obrigatoriedade do regime geral.

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Mentiras em tom menor

O Tenor desafinou. Escolheu o cânone directo do aumento da receita seguido da fuga da mentira do não aumento de impostos. Desde a primeira decisão de mais  impostos que o tom estava dado. Agora segue-se uma segunda aumentada,  com o descaramento de afirmar que não optou pela subida generalizada dos impostos. De certa forma é verdade, já que as empresas pagarão menos. Mas é sobretudo mentira, pois o Tenor pretendia referir-se aos contribuintes em nome individual. Agradeça-se a coda ao Tribunal Constitucional e à habilidade do artista que conseguiu manter (ou aumentar) o nível fiscal na função pública ao mesmo tempo que aumentava o do privado.

PS: a pauta trauteia-se  com o Frère Jacques

Henrique Raposo, a direita salta-pocinhas

Este texto de Henrique Raposo constitui mais um momento de delírio de uma certa direita não-pensante.

Se eu fosse completamente acéfalo, descobriria, em primeiro lugar, que a recuperação dos impropriamente chamados subsídios de férias e de Natal depende de os funcionários públicos aceitarem a necessidade de que é importante separar “o trigo do joio da Administração Pública.” Se é assim, exijo a reposição dos meus subsídios, uma vez que reconheço essa necessidade. Diante desta declaração pública, espero ver um acrescento substancial na minha conta bancária, no máximo, até amanhã.

Para explicar aos que considera ignaros, dá o exemplo dos gastos supérfluos do concelho do Alandroal como um dos motivos para que os funcionários públicos tenham sofrido os cortes que sofreram. Curiosamente, apesar de apresentar alguns números, Raposo limita-se a fazer perguntas, não tendo a certeza de que o referido concelho tenha, efectivamente, funcionários a mais. Não acredito que um governo responsável se limitasse a cortar sem ter a certeza de que esse corte era necessário. Recuso-me a acreditar que um responsável político pudesse pensar qualquer coisa como “Bem, se calhar, há alguns municípios que têm funcionários a mais e, diante dessa probabilidade, não vamos estudar o assunto e vamos cortar os salários dos funcionários públicos.”

No último parágrafo, a loucura de Raposo chega ao ponto de dizer que a compra de casas e os próprios subsídios de férias dependia de dinheiro pedido ao estrangeiro. Nem uma palavrinha para os muitos dislates de vários governos que desperdiçaram subsídios europeus, destruíram tecido produtivo, inventaram parcerias públicas de interesse privado ou tiraram dos impostos para dar bancos que faliram por má gestão. A culpa é, evidentemente, dos funcionários públicos e não de quem anda, há anos, a servir-se do Estado.

Felizes os pobres de espírito, que deles será o governo do país.

Reposição de subsídios será total em 2015

Vítor Gaspar declarou que os subsídios de férias e de Natal serão repostos ao ritmo de 25% por ano, a partir de 2015. O Zandinga que há em mim vê o futuro de outra maneira: os subsídios serão totalmente repostos em 2015 e haverá aumentos salariais, independentemente do “espaço orçamental”, esse estranho espaço cuja área aumenta estranhamente em ano de eleições. No ano seguinte, o governo PS-PSD-CDS retomará o plano de emagrecimento do Estado, à custa do empobrecimento dos cidadãos.

O que o PM diz faz sempre todo o sentido

O mais africanista dos então candidatos, em pleno dias das mentiras – diga-se em abono da verdade – garantia que não mexeria em subsídios nem se atacaria o rendmento das pessoas. Aquele autoritário “está bem?” dirigido a uma aluna negra, materializa toda a africanidade do agora PM.

Depois, como PM indigitado, afirmou que não usaria a desculpa da situação herdada para justificar as medidas a tomar. E no entanto veio depois justificar o não cumprir as promessas com o défice herdado.

Foi então a vez do PM ficar em compremetedor silêncio quando o seu Secretário de Estado da Juventude, que catalogou o desemprego como “zona de conforto”, e pontou à juventude a emigração como rumo a seguir. O próprio PM veio até, recentemente, apontar o caminho da emigração aos professores no desemprego.

Seguiu-se a mensagem e Natal, onde o PM muito falou da reforma das estruturas que irá possibilitar os portugueses serem felizes de novo. Até lá, será de presumir que para as estruturas serem reformadas, o melhor será, tanto quando possível, evitar que haja portugueses a transitar pelo país. Até para diminuir o risco de acidentes. Mas curiosamente não falou nem de emigração nem de emigrantes.

Sim, o que o PM diz faz sempre todo o sentido.

Ó Álvaro, explica lá isso!

Álvaro santos Pereira afirma que acabou o tempo “dos subsídios e obras faraónicas”

  

Álvaro Santos Pereira e três secretários de Estado recebem subsídio de alojamento

Comparando as duas notícias, parece que, até ver, só acabaram as obras faraónicas, já que alguns subsídios continuam. Como funcionário público, e, portanto, colega do Álvaro, fico contente por ver que, neste caso, o Estado, afinal, pensa nos seus servidores, especialmente aqueles que são obrigados a trabalhar longe de casa. Só falta estender o mesmo direito a  todos os funcionários públicos que estejam nas mesmas circunstâncias. Mal posso esperar por esse anúncio!

As medidas do debate quinzenal e a apresentação do programa eleitoral do PS

image É um país incapaz de viver sem o Estado. E um Estado que, para responder a esse país, precisa de lhe sacar mais e mais recursos

No segundo debate quinzenal de 2011, ainda no rescaldo das eleições presidenciais, o primeiro ministro puxou da cartola uns números referentes a 2010 e, achando-os bons sinais, adicionou-lhes adubo qb em forma de injecção de dinheiro vindo dos impostos.

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Os profissionais da caridade

Há duas espécies, os que andam a mendigar na rua e os que andam a “sugar” no Estado Social. Os primeiros, embora menos apresentáveis e mais chatos (não nos deixam ler o jornal sossegados) são bem mais respeitáveis que os segundos.

Quando se vai a uma qualquer repartição da Segurança Social, o que se lá vê é gentinha com o ar de quem foi à esmola. Jovens, na casa dos vinte anos, com um filho de meses ao colo e com outro na barriga, lá estão a fazer contas aos subsídios. Para ele subsídio de desemprego, para ela e filhos, subsídio de aleitamento, subsídio de família . A seguir vão tomar banho numa das casas do “Exército de Salvação”, comem numa das lojas da Santa casa da Misericórdia e vão dormir a uma casa da Câmara de que não pagam renda.

Pagam o plasma a prestações e o carro está sempre atestado, tomam o pequeno almoço num dos cafés da esquina, galão, sandes de queijo ou uma “bola de berlinde”, incluindo as crianças, antes de rumarem à AMI para receberem roupas lavadinhas e passadas a ferro.

Às três da manhã fazem um algazarra na rua, cerveja a rodos, tabaco e namorada. Se têm uma dor de barriga vão ao hospital, tudo de borla. Dizia-me a funcionária da Segurança Social no cabeleireiro, enquanto me arranjavam as unhas a mim e o cabelo a ela, que há famílias que levam 1 500,00 euros para casa por mês e oferecem porrada a toda a gente se a Segurança Social não lhes conceder mais um qualquer subsídio a que se acham com direito.

Há gente feliz!

Coisas do Diabo – onde páram 50 Mil Milhões de Euros?

Anda aí uma brigada europeia de inspecção, chefiada pelo Director do gabinete Anti-Fraude da União Europeia (Franz Brüner).

 

Desapareceram cinquenta mil milhões de euros enviados por Bruxelas e misteriosamente desaparecidos nos corredores do Poder…

 

Guterres negociou dez milhões de contos para desenvolver o país, mas o dinheiro entregue, na maioria, a parceiros sociais, não deu os resultados negociados à partida com Bruxelas. O Tribunal de Contas  Europeu acusa Portugal de não ter sistemas de controlo de despesas e estima o desperdício anual comunitário em 4,6 mil milhões de euros.

 

Stefan Zickgraf, presidente da Confederação das PMEs da Europa, denunciou ao gabinete anti-fraude da Comissão as assustadoras suspeitas de desaparecimento de dinheiro do lll Quadro Comunitário de Apoio (QCA).

 

A aplicação deste dinheiro começou em 2000 e foi até 2006, e deveriam ter sido aplicados em i) 14 mil milhões para a qualificação e emprego ii) 16 mil milhões para alterar o perfil produtivo do país iii) 5 mil milhões para afirmar o valor do território e da posição geo-estratégica iiii)15 mil milhões para o desenvolvimento sustentável das regiões mais pobres.

 

Mas quase dez anos depois, a Europa olha para o trabalho feito e não vê resultados, e perante a estagnação do país quer saber a que mãos ílicitas foram parar os milhões.

O nosso tribunal de Contas tambem já afirma que as entidades gestoras e pagadoras não têm um controlo eficiente destes dinheiros.

 

Augusto Morais, coordenador da Associação Nacional das PMEs, considera haver uma profunda suspeita de sérias irregularidades e que o Tribunal de Contas deve investigar para não sermos apanhados pela Comissão Europeia em processos de corrupção muito maiores que o "Face Oculta ". Aliás, já somos conhecidos por sermos os mais corruptos na UE a 27, termina Augusto Morais.