Jogos Olímpicos e Educação: lutar bem


desporto escolarO circo à volta do negócio dos jogos é algo que me incomoda e muito. Sou desde criança um seguidor fiel das transmissões da RTP (obrigado Serviço Público!) e, se calhar por isso, no ensino secundário fiz o curso de Desporto. Ali, na saudosa Escola do Cerco, na zona oriental do Porto vivi algumas das mais fantásticas experiências desportivas da minha vida. Para além da experimentação de quase todas as modalidades colectivas, tive ainda o prazer de conhecer melhor as diferentes disciplinas do atletismo e como elas são exigentes. Percebi, muito cedo, como os processos são cruciais, quase sempre mais importantes que os resultados.

Foi algo que me ficou para a vida.

Hoje, com um destino profissional que me afastou mais do Desporto do que eu pensava naquela altura, faço desta máxima uma forma de vida.

Quando li as palavras de Gustavo Pires no seu perfil do “livro de caras”, senti que alguém tinha encontrado as palavras certas para explicar o que me vai na alma. Se me permitem o abuso, trago parte significativa do texto, pedindo a devida autorização ao autor:

“Para Pierre de Coubertin “o importante na vida, não é o triunfo, mas o combate; o essencial não é ter vencido, mas ter bem combatido. Espalhar estes preceitos é preparar uma humanidade mais valente, mais forte, portanto, mais escrupulosa e mais generosa”.
Esta divisa ficou-se a dever a Ethelbert Talbot, bispo da Pensilvânia (EUA), que a proferiu num sermão dirigido aos atletas que participavam nos Jogos de Londres (1908). Disse ele: “o importante nos JO não é ganhar mas sim participar, tal como o essencial na vida não é conquistar mas lutar bem”. Coubertin referiu-se à metáfora do Bispo Talbot no discurso proferido a 24 de julho, aquando do banquete de encerramento dos JO de Londres (1908).
E porque é que tanto o Bispo Talbot como Pierre de Coubertin fizeram tal proclamação?
Para explicar aos atletas ingleses e americanos que participavam nos Jogos Olímpicos de Londres (1908) que a luta chauvinista em que se envolveram nas competições desportivas não tinha qualquer sentido. Os Jogos Olímpicos são muito mais do que a vitória desportiva. Os dirigentes que não compreendem isto não o merecem ser.
Por isso, políticas públicas que, em termos de rendimento, utilizam autênticos processos de lavagem ao cérebro aos atletas ao estilo “o desporto é um desígnio nacional” não são dignas de países civilizados e democráticos.”

Ora, o que podemos nós dizer quando vemos a Telma com a medalha no pescoço?

Podemos dizer obrigado, mas o meu reconhecimento não é diferente nos dias em que a medalha chega e nos dias em que as “não medalhas” se cruzam no caminho da nossa menina. Ela, como o João Sousa e todos os nossos outros meninos e meninas merecem o nosso reconhecimento por todo o percurso alcançado. E é mesmo só isto, porque quem não entende isto não merece ser.

Esta prática terá também que aparecer de forma regular no Desporto Escolar onde, muitas vezes, Diretores, Professores e Pais se esquecem do fundamental. Participar. Processos. Fazer. Estar. Se há espaço desportivo onde os resultados são acessórios, esse espaço é o Desporto Escolar.

Obrigado Professor Gustavo Pires pelas suas palavras.

Comments

  1. maria monteiro says:

    bem verdade JP

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