Não me toca na parceria público-privada

033_FigueiraFozSegundo parece, a Câmara Municipal da Figueira da Foz fez um acordo com a empresa Malpevent, responsável pela promoção de um concerto de Anselmo Ralph. O negócio é o seguinte: se não se venderem noventa mil bilhetes, a Câmara da Figueira compromete-se a entregar 16500 euros à dita Malpevent. Para além disso, a autarquia prescinde do pagamento de 8800 euros de taxas e assume o pagamento de elementos da Cruz Vermelha Portuguesa (3500 euros).

Em resumo, a Câmara da Figueira não quer uma receita, garante uma despesa e arrisca-se a outra, para minimizar os riscos de uma empresa que promove o espectáculo de um artista extremamente popular, goste-se ou não da música. Acrescente-se que, ao que tudo indica, um concerto de Anselmo Ralph terá custado, em Julho, 48500 euros à Câmara de Elvas. [Read more…]

Passe de letra

passe de letra

Ando a treinar para fazer um passe de letra. Nunca tive jeito para jogar com os pés, mas enamorei-me da ideia de fazer um passe assim, todo ele artifício. Acertar na bola é o menos, difícil é dar-lhe com a força certa e fazê-la tomar a direcção que queremos. O normal é que o passe saia frouxo e sem rumo. Um passe de letra perfeito pode exigir uma vida inteira de treino. Bem, exagero, é certo, mas pode ser projecto a longo prazo. Porque um passe de letra – inesperado, harmonioso, cheio de graça – só se fará com uma inspiração divina (e provavelmente irrepetível) ou com horas de trabalho, passes toscos, joelhos doridos, um mau jeito no calcanhar. Até ao momento em que enfim se fundem talento e prática e o passe sai exemplar, tão falsamente espontâneo que qualquer um poderá achar-se capaz de repeti-lo. É nisso que acredito. Ainda não cheguei lá, mas vou treinando. [Read more…]

Será que algum dos avençados dos Panama Papers ameaçou cortar a publicidade ao grupo Impresa?

Impresa

No dia em que se assinalam 100 dias desde a promessa do Expresso de revelar a lista dos jornalistas e políticos avençados pelo saco azul do GES, recupero este recorte que encontrei na página Os truques da imprensa portuguesa e que parece revelar algum aperto financeiro para os lados do império Balsemão, isto apesar do “prémio extraordinário de mérito de carreira” atribuído ao administrador Pedro Norton, no valor de 583 mil euros. Perante este sinal de aparente fragilidade nos cofres do maior grupo de comunicação social do país, vem-me à memória aquele célebre episódio em que Ricardo Salgado decidiu fechar a torneira da publicidade ao grupo Impresa e que me leva à seguinte conclusão, um tanto ou quanto conspirativa, reconheço: terá a lista do saco azul do GES nos Panama Papers algum grande financiador de publicidade no grupo de Balsemão para que, 100 dias depois, continue abafada?

100 dias depois, o Expresso continua em silêncio

PP

As horas passam, os dias passam, as semanas passam, os meses passam e não tarda muito começarão a passar os anos também. Era o grande escândalo do século, tudo que era cão grande estava lá metido, havia um saco azul do GES para pagar avenças a jornalistas e a grandes figuras de Estado e o colapso do sistema espreitava ao virar da esquina. O relógio, esse, não mais parou de contar. [Read more…]