Carros elécticos com energia gratuita

O ministro do ambiente diz que a energia será gratuita até ao final do ano. Na verdade, é gratuita há anos. O sistema de pagamento dos postos espalhados pela cidade nunca chegou a funcionar. Grande borla, paga por todos.

Negócio privado, mas despesa pública, no comboio da Ponte

António Alves

emef comboio na ponte barraqueiro fertagus

Eu explico: estas unidades foram compradas pelo Estado para a CP. Mas como o Estado queria um operador privado na Ponte sobre o Tejo, foram cedidas à privada Fertagus. Na verdade foram compradas, a preço de amigo, por um sindicato bancário que as cedeu em leasing à Fertagus.

Um bom negócio.

Bom negócio até ao momento em que elas entraram na idade de fazer a obrigatória revisão da meia vida. Coisa que fica cara. Nesta altura do campeonato ou ela é feita ou compra-se material novo.

E é aqui que a porca torce o rabo. [Read more…]

Festivais de Verão

Festival de Glastonbury, Reino Unido

Festival de Glastonbury, Reino Unido.

Uma das principais características dos principais festivais de música do Verão realizados em Portugal é serem totalmente dominados  por empresas privadas de telecomunicações, em regime de monopólio. Todas as grandes marcas de telecomunicações a operar no nosso país têm um festival de música e algumas têm mesmo mais do que um.

Aparentemente, esta é uma tendência que não se verifica noutros festivais que se realizam na Europa, aos quais acorrem milhões de pessoas, que normalmente são patrocinados por várias marcas e empresas, que não necessariamente de telecomunicações.

Este tipo de monopólio numa área cultural tão popular entre os sectores mais jovens da nossa comunidade, como é a música, normalmente anglo-saxónica, confere a estas empresas um poder incomensurável sobre a formação desses jovens, sobre a construção do seu gosto musical, sobre as suas tendências de consumo e, necessariamente, sobre a sua cultura.

Por outro lado, sabe-se que estes eventos culturais são altamente lucrativos para essas empresas e, o que não deixa de ser extraordinário, são apesar disso muitas vezes financiados pelos municípios onde decorrem, não apenas por via directa, com a atribuição de elevados subsídios em dinheiro, que chegam a atingir as centenas de milhar de euros, quer por via indirecta, através da isenção de taxas e mobilização de recursos públicos, como a segurança, serviço de bombeiros, ambulâncias, hospitais, etc.

Haverá aqui algo que nos escapa?

 

 

A vitória da humildade e da abnegação

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As palavras menos simpáticas de Marco Chagas, comentador de ciclismo da RTP, para Gustavo Veloso, no final da Volta a Portugal em bicicleta, fazem-me recuar até 1981. Porque Marco Chagas sabe do que fala!

Tal como o galego, o homem de Pontével era unanimemente considerado o mais forte do pelotão, fruto de experiência no estrangeiro, Volta a França incluída. E também ele era o grande favorito a vencer, nesse ano, a Volta a Portugal, também ele era o chefe de fila da equipa de ponta do FC Porto, que já, por essa altura, dominava o pelotão.

Uma circunstância de corrida, daquelas que acontecem raramente, Manuel Zeferino viu-se com mais de 10 minutos de avanço, na frente (a seguir ao prólogo que Belmiro Silva, também do FCP, venceu), vestiu a camisola amarela em Vila Real de Santo António e não haveria de a despir mais até final. [Read more…]

Soberania para quê?

ceta campactImagem Campact

Queixa-se a generalidade dos cidadãos portugueses da perda de soberania como consequência da tomada de decisões em Bruxelas. Com razão? Nem sempre. Convém analisar bem e caso a caso, até que ponto é o próprio governo português que está a facilitar e até usar essa passagem de responsabilidade – e portanto de soberania – para longe. Não estou a referir-me à extremosa diligência com que o governo PàF andou a esfarelar o tecido social do país em conluio com a troika e suas imposições. Refiro-me a este governo actual, que supostamente será menos surdo do ouvido aberto aos interesses dos cidadãos em geral. Este governo português é uma das vozes que defende em Bruxelas que os acordos de “comércio livre” (CETA – UE/Canadá e TTIP – UE/EUA) – que, pela calada, permitem o desmantelamento de normas e direitos europeus e a sobreposição dos direitos dos investidores aos dos cidadãos – são da exclusiva competência da UE. E é também uma das vozes que, perante o ajoelhar da comissão aos protestos dos cidadãos, cedendo à ratificação do CETA também nos parlamentos nacionais, é a favor desse inconcebível truque da sua “aplicação provisória” antes dessa passagem pelos parlamentos nacionais. [Read more…]

Iconografia

EOR – Equipa Olímpica de Refugiados

A grande novidade dos Jogos Olímpicos Rio 2016 foi a EOR. Para mim, enquanto defensora dos mesmos direitos para todos, este é sem dúvida um grande feito. Irá ajudar a que o mundo veja os refugiados com outros olhos? Contribuirá para que sejam aceites pelas sociedades onde acabaram por ficar? Não o creio, mas não posso deixar de me congratular com este acto de selecção de uma equipa de atletas que luta não por uma bandeira, mas por todos os que perderam a sua bandeira, tal como se diz no filme lá em cima. Este foi o filme que a ONU produziu para apoiar a Equipa Olímpica de Refugiados (Refugee Olympic Team- ROT). Nele se diz que contra todas as probabilidades estes atletas chegaram aos Olímpicos do Rio de Janeiro. Que representam os mais de 65 milhões de refugiados.  [Read more…]

Irrevogavelmente, uma missão e pêras

PP

Terminada a sua visita ao México, no final de 2014, Paulo Portas descrevia o périplo como “uma missão e pêras”. Vários contratos assinados entre empresas portuguesas e mexicanas, entre elas a “infame” JP Sá Couto, tão criticada pela direita pela ligação aos executivos Sócrates, ou a actual empregadora do então vice-primeiro-ministro, a Mota-Engil, coroavam a iniciativa que culminou na condecoração de Portas pelo governo mexicano. [Read more…]