Banco roubado, tranquinhas à porta

Lisboa, 09/05/2013 - Entrevista Dinheiro Vivo / TSF : Tudo é Economia, com Ricardo Salgado (Diana Quintela / Global Imagens)

O juíz Carlos Alexandre ordenou o arresto do saldo das contas bancárias de vários membros do gangue Espírito Santo. O objectivo é obter recursos para indemnizar os lesados pelos metralhas da Comporta

Trata-se, uma vez mais, de uma medida que peca por tardia (a esta altura do campeonato, os delinquentes já tiveram tempo de escoar uns quantos milhões para paraísos fiscais, entre outros esquemas que a máfia neoliberal todos os dias engendra para potenciar o assalto e a exploração) e, parece-me, por ser pouco ambiciosa. É que nestas coisas da bandidagem financeira, que eles são difíceis de apanhar, sempre que um banco afunda e o contribuinte é chamado a pagar, todos os responsáveis directos deviam ver imediatamente os seus bens congelados, como se faz aos terroristas internacionais, o que devia incluir bens entretanto passados para o nome da esposa, dos filhos ou do sobrinho que vive nas Caimão. Tudo. Infelizmente, vivemos num país onde este tipo de criminalidade é tolerada e até incentivada, o que leva a que gangsters como Ricardo Salgado, Oliveira e Costa ou Dias Loureiro se encontrem em liberdade e sempre em cima do último grande negócio do momento.  Impunes, a facturar, e sempre a jeito de um sentido elogio do um qualquer político desonesto.

Já agora, de que partido é mesmo aquele indivíduo que fez a defesa da prenda de 14 milhões de euros do empresário José Guilherme a Ricardo Salgado? Se calhar, só desta vez, punha-se o Calvão a funcionar.

Foto: Diana Quintela/Global Imagens@Dinheiro Vivo

Postcards from the U.S. #6 (New York)

«In my life, I’ll love you more»* or «All you got to do is swing»**

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Há um ano menos uns dias, escrevi um postal de Liverpool*** a que chamei ‘In my Life’*. ‘In My Life’ é uma canção dos Beatles. Saberão isso, certamente. Todos os postais de Liverpool, que escrevi então em Agosto de 2015, tinham como título uma canção dos Beatles. Fazia sentido, como é evidente. Recupero uma frase dessa canção, porque a ouvi hoje, quando passava em frente ao local onde John Lennon foi assassinado em 1980, a 8 de Dezembro. Ali perto fica o Strawberry Fields, uma área do Central Park que presta justamente tributo a John Lennon. É curioso ter sido ‘In My Life’ e não ‘Strawberry Fields Forever’# a música que ouvi ao passar por ali. E é curioso que um ano antes eu tenha escolhido esta mesma música para dar título a um postal em que falava dos sítios de que me recordo e que recordarei para sempre. É o mundo a fazer sentido, suponho eu, no meio do caos.
Por falar em música e em caos, hoje foi ‘Domingo no Mundo’## em toda a parte, exceto em Nova Iorque. Quando me levantei – tarde – e fui fumar um cigarro lá abaixo, parecia ser domingo também em Nova Iorque. Havia calma, um sol acolhedor e uma brisa que percorria suavemente a 27 st. East. Fumei o cigarro e reentrei no hotel. Falei com uma pessoa que não se compara a nenhuma outra, na minha vida (e sim, estou a citar de novo a canção dos Beatles) e quando voltei a sair, todo o domingo tinha desaparecido de Nova Iorque e, em vez dele, um dia qualquer da semana se tinha instalado, tal como o caos. Havia uma parada por ser o ‘Dia da Índia’. Tambores, música, carros alegóricos percorriam a Madison Avenue. O trânsito tinha-se tornado absolutamente indomável. Nada a fazer. O domingo tinha fugido para qualquer outra parte. Dele tinha apenas sobrado o sol e a brisa fina.

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Douro, um rio privado

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O denominado Táxi Fluvial do Douro, a ligar já em 2016 pelo rio a Ribeira do Porto e a Beira-Rio de Gaia (e não as “Ribeiras” de Porto e Gaia como erradamente dizem as notícias) é um projecto empresarial privado pertencente à maior empresa de Vinho do Porto a operar em Portugal, a The Fladgate Partnership, dona, por exemplo, do Hotel Yeatman, em Gaia.
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