Lettres de Paris #39

Les gens heureux lisent et boivent du café

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foi o título de um livro, na montra da Compagnie, que me despertou a atenção quando passei por lá a caminho do Ladyss. As pessoas felizes lêem e bebem café. Juntar-lhe-ia um cigarro e o título do livro que, pesquisei depois, foi escrito por Agnès Martin-Lugand, que não conheço (apesar do livro estar traduzido em português e editado pela Guerra & Paz) faria todo o sentido para mim. Pelas críticas que li, quando pesquisei, acho que também não vou querer lê-lo. Fico-me pelo título na montra da Compagnie que me fez parar hoje a caminho do trabalho.
 
Tenho bebido mais café e, sim, fumado mais cigarros, do que tenho lido, por estes dias. Gasto os dias não sei bem em quê (enfim, aparte as horas em que estou no Ladyss ou a passear) e acabo por ler pouco, ultimamente. Longe dos tempos em que lia compulsivamente tudo o que apanhava, muita porcaria incluída neste tudo. Agora leio menos, não só aqui em Paris, como em casa, na minha vida normal. Faço isso, mas ao mesmo tempo lamento não ler mais. São já raras as vezes em que atravesso a noite até de manhã agarrada a um livro, como fazia há uns anos – não assim tantos – muitas vezes. A culpa não é dos livros, evidentemente. Há milhões de livros por ler que me fariam – se os lesse – ficar agarrada a eles noite fora. O trabalho, desde logo. Uma pessoa vem para Paris cheia de planos de melhor gestão do tempo e acaba por ter menos tempo do que tem em casa. Paris tem muitas distrações e estar longe de casa, da minha rotina também me distrai, é a verdade. Desconcentra-me até, se querem saber. Depois convidam-me para coisas (de trabalho) e eu não sei dizer que não. E é assim que me vejo a responder a solicitações intermináveis. Quando pensamos que uma tinha acabado, aparece logo mais uma, ou mais duas, ou as que forem, em catadupa.
 

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John Glenn

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1921 – 2016

Portugal, um país recheado de comentadores “imparciais”

Rui Naldinho

A nossa Lusa Pátria está cheia de comentadores doutorados nas suas agendas mediáticas, mas incapazes de analisarem e interpretarem factos e fenómenos fáceis de serem explicados. São personagens que debitam sabedoria em cátedras das faculdades, e em palanques de congressos para os quais estejam habilitados pelo seu curriculum académico, mas não conseguem entender a razão de ser das coisas mais simples. Nunca percebi os motivos para tal ignorância, depois de tantas horas de estudo.

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Eduardo Cintra Torres é um conhecido sociólogo e crítico de televisão, que gosta de parecer aquilo que não é, nem nunca foi, imparcial na sua análise.
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Noticiar ou não noticiar? Razões de uma não-notícia

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Sinais de luto e tristeza pela morte de Maria L., numa árvore em Freiburg; Imagem Spiegel

Os factos são os seguintes: Às 3 horas da manhã do passado dia 16 de Outubro, na pequena e liberal cidade universitária de Freiburg, uma estudante de medicina voltava a casa de bicicleta, vinda de uma festa. Na manhã seguinte, o seu corpo foi encontrado pela polícia na foz do rio Dreisam, com evidentes sinais de violação. Desde então, o caso vinha sendo investigado por uma comissão especial. Há uns dias, foi detido um suspeito fortemente indiciado de 17 anos, chegado à Alemanha em 2015 como refugiado do Afeganistão.

A ARD, o primeiro canal de televisão pública, optou por não incluir esta notícia no Tagesschau (telejornal). A maioria dos outros media, desde o segundo canal público até ao Spiegel, deram a notícia. Logo se levantou um tal encrespamento nas redes sociais – não só pelo crime em si como pela ausência da notícia no Tagesschau – que o director de redacção da ARD se viu compelido a justificar a decisão tomada por si e pela sua equipa, tendo-o feito do seguinte modo: [Read more…]

Com que então, agora o Tribunal Constitucional já não é um empecilho

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Os blogues da direita relatam a coisa: o PSD quer fazer queixinhas ao Tribunal Constitucional. Ainda há pouco tempo, o TC era uma instituição retrógrada e a transformar numa  “Secção Constitucional” do “Supremo ou da Relação”.

O líder parlamentar do PSD [Luís Montenegro] admitiu, em entrevista à Rádio Renascença, a possibilidade de extinguir o Tribunal Constitucional

“O PSD já teve um líder que o defendeu [a extinção do TC]” 

Teresa Leal Coelho disse que o deputado tinha no currículo a “mancha” de ter sido juiz do Tribunal Constitucional

Decisão exige “coragem política”, diz Noronha Nascimento: Presidente do Supremo defende extinção do Tribunal Constitucional

Ter memória é chato.