Willkommen!

Sejam bem-vindos, ó profissionais de saúde alemães.

Antes de mais, pedimos desculpa pelo facto de se saber primeiro na Alemanha que vocês vinham para cá ajudar, sem que aqui se soubesse ainda.

É que isto sem a pandemia já era um pandemónio, com a bronca de um ucraniano a morrer às mãos do SEF, um Presidente a fazer striptease em campanha por uma vacina que depois não houve, uma candidatura martelada ao lugar de Procurador da União Europeia, entre outras cenas tipo.

E aquela coisa do Cavani não ter vindo para o Benfica, também não ajudou nada.

Enfim, tem sido só scheisse.

Mas, como podem ver, tivemos o cuidado de vos colocar num hospital privado.

O que não é para qualquer um.

Olhem que nesta terra, recorrer aos privados só mesmo depois de esgotar o parque automóvel das ambulâncias às portas das nossas urgências.

E, também, porque há sempre comunicação social e sociedade civil a meterem nojo.

Compreendam que os nossos recursos são parcos, e se queremos continuar a ser o país que menos gasta com a pandemia, temos de manter este esforço.

Atenção que não é austeridade. É esforço.

De qualquer forma, vindos de tão longe, era só o que faltava se iam agora andar de ambulância em ambulância para assistir ao povo, às portas das urgências do Santa Maria.

Ainda para mais com este tempo.

Mas, dizia eu, que são muito bem-vindos.

Fazem-nos um jeito do caraças.

Imaginem que temos imensos profissionais de saúde a trabalhar no estrangeiro. Principalmente enfermeiros. Que foram para fora à procura de melhores salários e progressões na carreira e outras coisas assim.

E nenhum parece estar com ideias de voltar para cá e dar uma mãozinha.

Malandros!

Mas, o que importa é vocês estão cá. E até trouxeram material auxiliar.

Pena não ter sido no Natal, pois faziam de Reis Magos.

De qualquer forma, se precisarem de alguma coisa, seja o que for, até mesmo umas sandes de pernil, é só dizerem.

Estejam à vontade e obrigadinho.

Ich komme aus Boliqueime

[André Camandro]

Os alemães, diz-se, não têm sentido de humor. Os alemães e, claro, Cavaco Silva. Isto não deve levar alguém muito distraído à infeliz dedução de que este país foi durante anos desgovernado por um alemão. Ou que Boliqueime fica algures nos arredores de Munique.

Os alemães, repito, não têm sentido de humor. Começa na língua. Arranha e mesmo fere-nos os ouvidos e a sensibilidade. Como os alemães falam maioritariamente Alemão, as excepções a esta regra são efectivamente muito poucas.

Claro que se trata de uma língua muito rica, tal como a cultura. Não passará pela cabeça de ninguém denegrir a literatura alemã, por exemplo. Ou os filósofos alemães. Ou a sua música. Bach, é sabido, deixou-nos sonetos maravilhosos.

Aquela gente é simplesmente muito séria para pensar em rir, por exemplo, quando está a trabalhar. Isso perfaz muitas horas num dia. Como também não é de crer que riam quando estão a dormir, mesmo aqueles que falam durante o sono, resta-lhes relativamente pouco tempo para gracejos. [Read more…]

Com os alemães ficamos sempre a ganhar, ai pois é

O ministro alemão, Karl-Theodor zu Guttenberg, que fez, descobriram agora, um doutoramento plagiado, pediu, arrependidíssimo, e a universidade enganada retirou-lhe o doutoramento cópipaste.

Com este escândalo Karl-Theodor zu Guttenberg que já era o ministro mais popular do governo alemão subiu 5 pontos na consideração das sondagens locais.

Conto isto por causa daquele mal português em nos amesquinharmos perante o dono estrangeiro, hoje mais o alemão que o inglês, provincianismo que também já tivemos com a França.

Estas coisas são dos ministros, não são dos países que os têm, são mesmo da condição de ministros, primeiros ou não. Acontecem em toda a parte.

A única diferença é que por cá a universidade enganada não aceitaria, nem a pedido, retirar um título académico obtido fraudulentamente. O que é sempre consolador, pensando na nossa superioridade em matéria de tenacidade, mentira e coerência, convenhamos.

Os Irlandeses não estranham voltar a ser pobres…

“Comprámos os vossos BMW e máquinas de lavar roupa Miele, mas foi com o vosso dinheiro.” A Alemanha é um dos maiores financeiros da Irlanda. Os bancos irlandeses devem actualmente 127.000 M €. Isto é mais que o PIB

da Irlanda. “E sejamos francos: o vosso dinheiro vocês nunca mais verão de volta”

David McWilliams*, 43, o mais popular economista da Irlanda falando a um jornalista alemão em WELT ONLINE.

Não vou traduzir o artigo alemão de “WELT ONLINE” que relata a vidas do irlandeses depois de introdução das drásticas medidas de austeridade (Parece que eles estão a reagir bem, impondo-se a ideia de que eles que “sempre foram pobres” quiseram uma vez na vida “sentir como é ser rico” e estão dispostos a pagar o preço pela tal sensação).

Aqui apenas quero demonstar o que nos sistemas sociais  contecesse quando viradas às avessas como a actual UE: quem manda vir tem que pagar. No presente caso e outros foi a Alemanha, uma das principais protagonistas da estratégia errada da UE, que “mandou vir”. Mas como todos os outros também “mandaram vir”, não só os avultados créditos da Alemanha voaram. Assim, o meu filho há tempos me contou tudo indignado que Portugal teve que transferir fundos de ajuda económica à riquíssima Angola para esta se dignar de saldar uma divida que tinha aberta com a – salvo erro – Soares da Costa.

Rolf Damher

* Já há 10 anos o economista mais conhecido da Irlanda vaticinou a bancarrota do mercado imobiliário. Na altura, os colegas o rotularam de fantasista.

http://www.welt.de/wirtschaft/article7925754

Há ansiedade no ar. Os submarinos têm lastro…

Há ansiedade! Portas veio a terreiro dizer que os fundamentos do contrato já vinham do Guterres e Durão jura que não mudou nada e nada teve a ver com o contrato. Empurram para o mais longinquo possível. Dessa forma, pode vir mais facilmente uma amnistia, uma prescrição?

Um responsável militar vem falar com veemência, alertando para o perigo de o contrato poder ser rompido pelo Estado Português. É uma leitura enviesada e perigosa. O estado estaria, na opinião do militar, atado de pés e mãos. Não só por razões éticas (os submarinos estão construídos) mas tambem por razões politicas e económicas. Os Alemães, de quem tanto dependemos, arrasam-nos se rompermos com o contrato.

Ora o que está em discussão não é romper o contrato com a empresa Alemã. O que está a ser investigado é se houve ou não subornos. E isso é imperativo que se saiba, quer os Alemães gostem ou não.  Fala-se no cumprimento da Programação Militar, documento que é a “orientação estratégica” e de que resulta, entre outros objectivos e decisões, a compra de equipamento militar. Se é assim, se é um documento de médio e longo prazo, como se explica que Portas venha dizer que reduziu a compra de três submarinos para dois? E como é que os aviões não voam por falta de peças?

Um documento destes não se compadece com decisões resultantes de impulsos individuais, antes, é o resultado de muitas contribuições técnicas e políticas a nível nacional e internacional !

Porquê este  nível de ansiedade  ? Acordaram-se monstros que não se controlam ?