Vamos masé dar cabo disto tudo! A espiral da corrida ao armamento


Foto: Tomasz Waszczuk / dpa

Esteve quase, quase, para não comparecer à sua estreia na reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO. Mas lá se deu ao trabalho porque, após intensa azáfama diplomática, os 28 Estados membros concordaram em antecipar, uma semana, o encontro que teve lugar em Bruxelas na passada sexta-feira. Mal chegado a Bruxelas, Rex Tillerson, chefe da diplomacia americana, declarou sem rodeios ao que vinha; a saber: a meta de 2% do PIB em gastos com Defesa é para ser cumprida; no prazo de um ano, há que apresentar resultados; os aliados que ainda não elaboraram um plano nacional concreto especificando como vão chegar ao gasto de 2% do PIB para a Defesa até 2024 vão ter que o elaborar. Claro, recado do chefe Trump, que já tinha feito o aviso.

“Considero totalmente irrealista acreditar-se que a Alemanha chegará a ter um orçamento militar de mais de 70 mil milhões de Euros por ano”; “Não conheço nenhum político alemão que acredite que isso é alcançável e nem sequer desejável” respondeu Sigmar Gabriel, ministro dos Negócios Estrangeiros alemão; “Nem sequer sei onde é que iríamos colocar todos os porta-aviões que teríamos que comprar se tivéssemos que investir 70 mil milhões de Euros por ano no exército alemão.”

Para Gabriel, o verdadeiro conflito com os EUA é outro: “Consideramos que não é aceitável reduzir o conceito de segurança às despesas com a Defesa.” “Nós alemães estamos a gastar dezenas de milhares de milhões de euros para acolher refugiados que vieram de países em que intervenções militares fracassaram” e “onde não houve depois suficiente acompanhamento para um desenvolvimento político, humanitário e económico ou para a estabilização social”. “Portanto, o resultado de uma concentração apenas nas despesas militares está à vista” afirmou Gabriel, dando a entender que a Alemanha gasta milhares de milhões para “arrumar” o que os EUA e as suas intervenções militares fracassadas deixaram para trás, referindo-se à Síria e ao Iraque.

Actualmente, o orçamento da Defesa da Alemanha corresponde a 1,2 % (37 mil milhões) do BIP, mas, na sequência das exigências (e alucinações de Trump, que afirma que a Alemanha deve “vastas quantias de dinheiro” aos Estados Unidos, no âmbito da colaboração ao abrigo da NATO), Merkel e a ministra da Defesa, von der Leyen, já se comprometeram a aumentar o orçamento militar. Von der Leyen criticou também as declarações de Gabriel: “Isso soa novamente a “um caminho especial” para a Alemanha. (…) Os outros esforçam-se e nós encolhemo-nos. Não é assim que a Aliança funciona.”

Até agora, a meta dos 2% para despesas militares até 2024, acordada pelos membros da NATO em 2014, já é cumprida ou ultrapassada pelos EUA (3,61%), Grécia (2,36%), Estónia (2,18%), Reino Unido (2,17%) e Polónia (2,01%).

Portugal surge na 12.ª posição entre os 28 Estados-membros, tendo alocado 1,38% do PIB a despesas na área da Defesa, o que significa um aumento face a 2015 (1,32%) e a 2014 (1,31%), mas fica aquém dos valores registados entre 2009 (1,53%) e 2013 (1,44%).

Com o seu bombástico orçamento militar de ca. de 600 mil milhões de dólares, os EUA já despendem tanto como a China, a Rússia, o Japão, a Alemanha, o Reino Unido, a França e a Itália, todos juntos.

A indústria do armamento esfrega as mãos de contente perante o fulgor deste maná.

Especialistas, tal como qualquer pessoa com dois dedos de testa, sabem que a corrida ao armamento não conduz a mais, mas sim a menos segurança. À vossa!

Comments

  1. Atento/sempre says:

    Mesmo que critiquem, e até com alguma antipatia o jurista Arnaldo Matos, ele tem sempre raciocínio!
    O imperialismo alemão, e não só, prepara-se para uma guerra imperialista, o jurista Arnaldo Matos, é odiado pela maioria da “comunicação social” e alguns dos seus mais “ilustres” jornalistas, tem tido sempre razão ao longo dos anos…
    Até lá, fiquei bem e não se esqueçam de dizer: Que a liberdade de expressão está a ser posta em causa… E mais não digo, porque posso ser multado ou preso!!!

  2. Antonio Rodrigues says:

    Liberdade de expressão ? Já deitei a minha para o lixo, ou melhor não deitei. Eu já não me meto em política. A minha politica é o “trabalho”. Alguém está lembrado ou sou eu que já não sei o que digo ?

    • Atento/sempre says:

      Foce-me cê até se da ao luxo de ter “trabalho”!
      É um homem com muita sorte. Vende a sua força de trabalho? Ou trabalha, por conta própria? Não vale apena responder, não se preocupe, faço como a maioria dos portugueses, deixa andar. Depois é que reclamam, quando a bosta é feita…
      Meu caro, milhares de Portugueses, esses nem isso têm, e muitos deles nunca vão ter! E Porquê? Por culpa das políticas económicas, levadas acabo pelos sucessivos governos, e com apoio da CEE/UE e Euro…
      Como diz o outro, “é país que temos”! Eu diria mais, “é a bosta dos políticos que temos! Com o apoio de muitos correligionários…

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